Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ACRÉSCIMOS

ACRÉSCIMOS

Equidade urgente

Confira a coluna do jornalista Luiz Teles

Luiz Teles
Por Luiz Teles
| Atualizada em
A baiana Bia Ferreira é esperança de medalha olímpica
A baiana Bia Ferreira é esperança de medalha olímpica - Foto: Buda Mendes / AFP

Com a imprensa especializada em política focada na PL do aborto e nos entreveros entre o ministro da fazenda e o Congresso Nacional, e com os jornalistas esportivos de olho nas copas continentais e na proximidade da Olimpíada de Paris, uma notícia bacana para o esporte e equidade de gênero surgiu na Câmara dos Deputados.

A Comissão do Esporte (CESPO) aprovou um projeto de lei (1891/22) que condiciona os atuais repasses de recursos públicos federais e de loterias a entidades que garantam que na formação de atletas haja isonomia entre as categorias feminina e masculina. A proposta ainda será analisada em caráter conclusivo (quando não precisa passar pelo plenário) pelas comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e Finanças e Tributação (CFT). Somente após essas avaliações ela irá ser debatida e votada no Senado.

Tudo sobre Acréscimos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O texto, que altera a Lei Geral do Esporte (LGE), obriga que entidades sem fins lucrativos que compõem o Sistema Nacional do Desporto (associações, clubes, federações e confederações) somente poderão receber recursos da administração pública federal, direta e indiretamente, caso incluam a norma em seus estatutos. Se aprovada rapidamente, a ideia é que a lei passe a ter validade em 2025. Atualmente, a LGE já exige paridade nas premiações a atletas e paratletas homens e mulheres, mas não faz o mesmo com os investimentos de formação.

O projeto tem como autora a deputada federal baiana Lídice da Mata (PSB-BA), que idealizou o texto com Tabata Amaral (PSB-SP). Nos argumentos em defesa da lei, elas apontam que, na maioria dos esportes, o investimento na categoria feminina é bem mais baixo do que na categoria masculina, anexando ainda o relatório “Movimento é Vida”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado em 2019, que apontou que no Brasil a prática de exercícios físicos por mulheres é 40% inferior em relação aos homens.

“O investimento igualitário das verbas públicas pelas federações e confederações fará com que muitas atletas atinjam resultados expressivos, e assim, sirvam de modelo para que mais meninas Brasil afora iniciem alguma prática esportiva, inspirada em seus ídolos”, defenderam em matéria publicada no site da revista Exame.

A deputada Helena Lima (MDB-RR) foi a relatora da proposta na CESPO, e recomendou a aprovação do texto original com apenas uma mudança, excetuando a paridade na destinação dos recursos em algumas modalidades, para não causar distorções, como em esportes em que a categoria feminina tem maior projeção e o efeito da equidade seria de redução dos recursos para as mulheres.

Caso aprovada no Senado e sancionada pela presidência da república, a Lei tende a ter o mesmo efeito das políticas de cotas e justiça social, com consequências muito positivas para o esporte nacional. Lembrando que em Paris-2024, após quase cem anos depois de a nadadora Maria Lenk (1915-2007) se tornar a primeira brasileira a disputar os Jogos Olímpicos, sendo a única mulher na delegação de 66 atletas do país em Los Angeles-1932, o Brasil terá na França, pela primeira vez, uma delegação com maioria feminina.

A expectativa é também de que a maioria das medalhas conquistadas pelo país venha das mulheres. Dentre as principais favoritas a subirem ao pódio, destaque para nomes como Rebeca Andrade (ginástica artística), Ana Marcela Cunha (maratona aquática) Mayra Aguiar (judô), Rayssa Leal (skate), Ana Patrícia e Duda (vôlei de praia) e Beatriz Ferreira (boxe).

Dos 10.500 atletas participantes da Olimpíada parisiense, serão 5.250 homens e 5.250 mulheres. Este é um cenário bem diferente de cem anos atrás, quando Paris também sediou os Jogos. Naquela edição de 1924, a maioria dos esportes era exclusivamente praticada por homens.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

equidade de gênero esporte legislação projeto de lei

Relacionadas

Mais lidas