CINEMA
Prefeitura pagou R$ 100 milhões para produtora de filme de Bolsonaro
“Dark Horse” narra a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência em 2018


A dona da produtora do filme "Dark Horse" — que narra a trajetória de Jair Bolsonaro até chegar à presidência, em 2018 —, Karina Ferreira da Gama, recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo. Desse montante, R$ 26 milhões foram pagos de forma antecipada.
Segundo uma reportagem do The Intercept de dezembro de 2025, Karina, que também é presidente da ONG Instituto Conhecer Brasil, teve acesso ao montante para fornecer 5 mil pontos de internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda na capital paulista. Contudo, só 3.200 foram instalados — a maioria durante a campanha eleitoral de 2024.

Em julho daquele ano, a entidade fechou o contrato com a gestão Ricardo Nunes (MDB), após ser a única a apresentar proposta para uma licitação. A partir daí, recebeu vários aportes multimilionários da administração paulistana.
Ao mesmo tempo, com a Go Up Entertainment, Karina se tornou a responsável pela produção da cinebiografia do ex-presidente.
Pix de bolsonaristas
Ainda conforme a reportagem, uma terceira pessoa jurídica de Karina Ferreira da Gama, a ONG Academia Nacional de Cultura (ANC), já havia recebido R$ 2,6 milhões em emendas Pix de deputados bolsonaristas do PL, como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.
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O objetivo era produzir uma série documental chamada “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, que até agora não saiu do papel.
Relação com Mário Frias
Com relação ao "Dark Horse", o roteiro ficou por conta de Mario Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e atual deputado federal pelo PL paulista.
Ele também teria ligações com Karina: além de destinar emendas às ONGs, também já contratou uma das empresas dela na campanha eleitoral de 2022 — na cinebiografia, Frias interpreta o médico que operou Bolsonaro depois da facada.

O longa foi gravado no Brasil entre outubro e novembro. O longa é dirigido por Cyrus Nowrasteh, e Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel, o ator que fez Jesus em “A Paixão de Cristo”.
Segundo o The Intercept, especialistas em cinema estimam que a produção deva custar entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.


