POLÍCIA
Aporte de R$ 324 milhões para segurança promete reforçar sistema prisional
Ministro da Justiça e Segurança Pública detalhou ofensiva bilionária contra facções


Após o lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado pelo governo federal, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, detalhou nesta terça-feira, 13, durante o programa Bom Dia, Ministro, as principais ações da iniciativa voltada ao combate às facções criminosas. A iniciativa prevê investimento de R$ 11 bilhões.
Segundo o ministro, o plano foi estruturado em quatro eixos centrais: asfixia financeira do crime organizado;enfrentamento ao tráfico de armas; ampliação das taxas de esclarecimento de homicídios; e reforço da segurança no sistema prisional.
Reforço no sistema prisional
Durante a entrevista, o ministro destacou que haverá uma injeção de R$ 324,1 milhões e ampliação do padrão de segurança máxima nos presídios brasileiros, com bloqueio de comunicações ilícitas, fortalecimento da inteligência penitenciária e regras mais rígidas de isolamento.
“Isso significa que nós dotaremos 138 unidades prisionais do país, que equivale a 10% do total de unidades prisionais, que contempla algo em torno de 18,7% da população carcerária e que diz respeito a cerca de 80% das lideranças do crime organizado", destacou.
Questionado sobre quando o programa começará a ser implementado, Wellington Lima afirmou que “o início é imediato e a transformação é progressiva”.

Asfixia financeira
Ao falar sobre o eixo de asfixia financeira, inspirado em operações de inteligência, o ministro afirmou que o governo pretende ampliar o monitoramento de movimentações suspeitas e bloquear bens ligados às facções criminosas.
“Através da reunião dos dados necessários e do tratamento desses dados com computadores e softwares específicos para identificar e alinhar que tipo de operação vem sendo feita, o Ministério da Justiça e todos os órgãos parceiros vão interferir nas cenas de modo a bloquear bens.”

“Nós vamos fazer um trabalho que envolve todos os órgãos de inteligência financeira para identificar os alvos, estabelecer o diagnóstico e adotar as medidas necessárias para repelir essa prática. Fazendo isso, nós vamos produzir uma verdadeira asfixia financeira, tirando o oxigênio do crime organizado, que está hoje presente em casos de fintechs, de postos de gasolina e no mercado financeiro”, completou.
Combate à facções
Entre as estratégias previstas está a criação de um centro nacional de inteligência penitenciária para integrar dados sobre organizações criminosas em todo o país.
“Estamos criando um centro de inteligência na área penitenciária. Vamos identificar e consolidar todos os dados que dizem respeito ao governo federal nesse campo. Nós vamos buscar identificar e rastrear tudo que diz respeito ao crime organizado", disse o ministro.

"Temos rastreamento possível de lideranças que se desloquem para diversas cidades, vamos ter rastreamento de armas, de modo que a inteligência do plano visa exatamente apostar nessa unificação de dados e nesse planejamento de ações futuras", completou Wellington.
Enfrentamento ao tráfico de armas
No eixo de enfrentamento ao tráfico de armas, o governo federal prevê a criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarme), que segundo o ministro contará com operações integradas, mobilizações periódicas e investimentos em tecnologia para rastreamento de armamentos ilegais.

“Essa rede possibilita a formulação de um mapa, um roteiro das medidas necessárias para adotarmos para prevenir essa modalidade de ingresso de armas no país. Para isso contaremos com o apoio das Forças Armadas e com o apoio do registro de cada uma dessas armas. Faremos uma política de endurecimento nessa área”, disse.
Valores destinados
O programa conta com R$ 1,065 bilhão previstos para 2026. Entre os quatro eixos, serão destinados R$ 302,2 milhões para asfixia financeira; R$ 324,1 milhões para o sistema prisional; R$ 196,7 milhões para esclarecimento de homicídios; e R$ 145,2 milhões para enfrentamento ao tráfico de armas.