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Esse destino na Bahia faz parecer que o tempo desacelera

Praias cristalinas e ruas de areia são características da ilha que atraem os turistas

Rodolfo Guimarães
Por Rodolfo Guimarães
| Atualizada em
Um roteiro de calmaria e natureza na paradisíaca Ilha de Boipeba
Um roteiro de calmaria e natureza na paradisíaca Ilha de Boipeba - Foto: Rodolfo Guimarães

Existem lugares bonitos e existem lugares que mudam a forma como a gente enxerga a vida. Boipeba, no litoral sul da Bahia, parece pertencer a essa segunda categoria.

Boipeba está localizada no município-arquipélago de Cairu, um complexo formado por 26 ilhas, mas apenas três são habitadas. A Ilha de Boipeba, formada por Velha Boipeba, Moreré, Monte Alegre e São Sebastião, conhecida como Cova da Onça, se tornou um destino desejado do litoral baiano por preservar características cada vez mais raras em lugares turísticos: ruas de areia, ausência de trânsito intenso, natureza preservada e uma rotina que ainda parece seguir o movimento da maré. Os dias na ilha são marcados por algo pouco visto nas grandes cidades: a calma.

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A chegada já funciona como uma espécie de transição silenciosa entre dois mundos. Conforme o barco avança entre manguezais, vento forte e águas que alternam tons de verde e azul, o ritmo urbano começa a desaparecer pouco a pouco. O sinal do celular falha, o barulho da cidade fica distante e a sensação é de que algo muda antes mesmo do desembarque. Ali, a sensação é que o tempo desacelera.

A ilha é frequentemente lembrada pelas piscinas naturais de Moreré, pelas águas cristalinas e pelas praias paradisíacas. O mar calmo e transparente cria cenários paradisíacos, especialmente quando a luz do fim da tarde transforma a ilha em uma sequência de tons dourados. Mas, para além da sua beleza e calmaria, Boipeba também pulsa cultura.

Cultura e tradição religiosa

Imagem ilustrativa da imagem Esse destino na Bahia faz parecer que o tempo desacelera
Foto: Rodolfo Guimarães

Se você for visitar Boipeba no mês de maio, vai encontrar a ilha vivendo uma celebração religiosa e cultural de maneira intensa.

Com raízes no cristianismo, a Festa do Divino comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria. Na ilha, ela surgiu em 1616, quando o Bispo de Salvador, Dom Constantino Barradas, criou a freguesia do Divino Espírito Santo, fazendo com que essa seja uma das festas religiosas mais antigas do Brasil.

São 10 dias de festa, cujo ápice são os dias 24 e 25 de maio, quando acontece a Missa Festiva na Igreja do Divino Espírito Santo e a Romaria de São Francisco, santo escolhido como padroeiro dos pescadores e marisqueiras. As imagens do Divino e da Virgem Maria são levadas em uma procissão marítima e, em seguida, retornam para a igreja para o encerramento das festividades.

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Um destino de experiências

Imagem ilustrativa da imagem Esse destino na Bahia faz parecer que o tempo desacelera
Foto: Rodolfo Guimarães

Para quem está planejando conhecer a ilha, algumas atividades ajudam a entender por que tantos visitantes descrevem o local como um dos cenários mais especiais do litoral baiano.

  • Piscinas naturais de Moreré: Entre os pontos mais conhecidos de Boipeba estão as piscinas naturais de Moreré, um dos cartões-postais da ilha. Durante a maré baixa, os recifes formam piscinas de águas rasas e transparentes, onde é possível observar pequenos peixes, corais e diferentes espécies marinhas. Quem visita a ilha rapidamente percebe que a maré determina boa parte das atividades, e essa relação também faz parte da experiência local.
  • Caminhar entre praias: Em Boipeba, a caminhada se transforma em atração. Entre as rotas mais conhecidas está o percurso ligando a Cueira, Moreré e Bainema. Ao longo do trajeto, a paisagem muda: extensos coqueirais; áreas praticamente desertas; trechos de vegetação nativa; pequenos cursos de água; recifes espalhados pela costa. Em alguns momentos, a sensação é de estar em uma praia isolada, distante de centros urbanos ou grandes movimentações turísticas. Enquanto praias famosas frequentemente apresentam barracas lotadas e intenso fluxo de turistas, alguns trechos de Boipeba oferecem quilômetros de areia onde o som predominante continua sendo o mar.
  • Pôr do sol na pousada ‘O Céu de Boipeba’: No fim da tarde, você pode assistir ao pôr do sol na pousada, que tem uma vista panorâmica de boa parte da ilha. Caso não esteja hospedado no local, o espaço do bar permite visitantes mediante o valor de R$ 50,00, revertido em consumação.

Não deixe de conhecer os manguezais

Embora as praias recebam a maior parte da atenção, uma parte importante da vida local acontece nos manguezais. Passeios de canoa ou caiaque permitem percorrer canais estreitos cercados por vegetação típica da região, revelando um ambiente completamente diferente do cenário encontrado à beira-mar.

Além da beleza natural, esses ecossistemas possuem papel fundamental para a biodiversidade local. Os manguezais funcionam como áreas de reprodução e abrigo para diversas espécies de peixes, crustáceos e aves.

Para muitos visitantes, essa costuma ser uma das experiências mais surpreendentes, justamente por mostrar uma face menos explorada da ilha.

O que fazer em Boipeba

Imagem ilustrativa da imagem Esse destino na Bahia faz parecer que o tempo desacelera
Foto: Rodolfo Guimarães

Passeio ‘Volta à Ilha’: realizado de barco, o roteiro geralmente percorre diferentes pontos costeiros, praias mais isoladas e áreas de manguezais. Além de ampliar a visão sobre a geografia local, o passeio oferece acesso a lugares que podem ser mais difíceis de alcançar por terra. Dependendo das condições do mar e do roteiro escolhido, o percurso permite observar paisagens bastante diferentes entre si, reforçando a diversidade natural da região.

Gastronomia: conhecer um destino também passa pela comida. Em Boipeba, a culinária local possui forte relação com a pesca artesanal e ingredientes regionais. Frutos do mar são o carro-chefe da culinária na ilha. Na praia da Cueira, por exemplo, temos o famoso restaurante Guido da Lagosta, que, além de proprietário do restaurante, é também uma figura histórica em Boipeba.

A ilha revela uma identidade profundamente ligada à comunidade, à tradição e à relação histórica dos moradores com o mar. A hospitalidade dos moradores também se transforma em parte importante da experiência. Talvez por isso tantas pessoas descrevam a experiência em Boipeba como algo emocional, porque a ilha não parece construída para impressionar visitantes; ela apenas existe no próprio ritmo, e quem chega precisa aprender a acompanhar esse tempo ‘diferente’.

Mesmo para quem permanece poucos dias, a ilha oferece não apenas paisagens paradisíacas, mas uma pausa real na velocidade da vida moderna, é um convite para desacelerar.

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Ilha de Boipeba

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