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GTG apresenta algoritmo para facilitar tratamento de câncer colorretal

A médica oncologista, Anelisa Coutinho, explica que iniciativa visa beneficiar médicos e pacientes

Rafaela Souza
Por Rafaela Souza
| Atualizada em
Oncologista pontua que o algoritmo 'incorpora as melhores tecnologias e são adequadas quando devem ser usadas no tratamento'
Oncologista pontua que o algoritmo 'incorpora as melhores tecnologias e são adequadas quando devem ser usadas no tratamento' - Foto: Arquivo Pessoal

Tendo em vista a atualização no protocolo para o enfrentamento do câncer colorretal, o Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG) promove a quarta edição do simpósio sobre o tema no Centro de Convenções do Hotel Tivoli, em Praia do Forte. O evento, que teve início na quinta-feira, 23, segue até o sábado, 25.

O destaque do evento é a apresentação de um algoritmo que visa facilitar e auxiliar nas escolhas médicas para o tratamento da doença. Segundo a médica oncologista e diretora do simpósio, Anelisa Coutinho, o principal objetivo é contribuir tanto para a preparação dos oncologistas quanto para a adequação à individualidade do paciente.

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"As nossas escolhas contemplam não só o estado de saúde do paciente, mas também contempla as questões anatômicas do tumor e avaliações dos marcadores moleculares. A gente checa esses marcadores para saber quais drogas vão ser utilizadas no tratamento que o paciente deve e pode receber. Diante dessa complexidade, o GTG se reuniu e avaliou as melhores evidências de publicações científicas com os dados de melhores resultados. É importante porque nem todo câncer colorretal é igual, o tumor pode ter várias características e cada paciente vai ter as suas individualidades", explica.

A oncologista, que também é a presidente eleita da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) para 2024, pontua que o algoritmo 'incorpora as melhores tecnologias e são adequadas quando devem ser usadas no tratamento'. Ainda segundo ela, além da apresentação, a publicação do material científico está em andamento após processo de submissão.

"A gente acha que vai ajudar as pessoas porque é uma forma muito rápida de visualizar onde se encaixa o paciente, mas cabe destacar que a decisão final é do médico. O que a gente tenta fazer é auxiliar, facilitar as escolhas com esse algoritmo. O grupo tem 12 anos de atividade, bastante reconhecido e interage com as grandes sociedades que reconhecem a preocupação e interesse com a divulgação da ciência e atualização com os especialistas. O nosso grande objetivo é que os médicos estejam uniformemente preparados para oferecer o melhor tratamento possível ao paciente oncológico", ressalta.

O evento conta com os principais especialistas brasileiros e do exterior, que trocam experiências e discutem os principais avanços e protocolos sobre o câncer colorretal, principalmente relacionados ao diagnóstico precoce e às terapias de última geração que fazem a diferença na jornada do paciente.

"São dois dias de imersão, onde a gente vai discutir casos clínicos, palestras com temas da atualidade. Temos palestrantes da Alemanha, dos Estados Unidos, do Chile, Peru. Os convidados são expoentes e pessoas engajadas com o tema ao redor do mundo", detalha.

Simpósio teve início na quinta-feira, 23, em Praia do Forte
Simpósio teve início na quinta-feira, 23, em Praia do Forte - Foto: Divulgação | Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG)

Diagnóstico

O câncer colorretal é a terceira causa de morte e o quarto mais incidente no Brasil e abrange os tumores que se iniciam no intestino grosso, composto por cólon, reto (final do intestino) e ânus. Também é conhecido como câncer de intestino, cólon e reto. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que são mais de 45 mil novos casos e cerca de 20 mil óbitos por ano no país.

Em 2022, o câncer colorretal acometeu mais de 21 mil homens e cerca de 23 mil mulheres no Brasil, somente atrás, em número de casos, do câncer de mama e de próstata. Até 2030, o Inca projeta um aumento de 10% no número de mortes prematuras relacionadas ao câncer de intestino acima dos 50 anos, geralmente a população mais acometida pelo tumor. Em contrapartida, nos últimos anos o número de casos na faixa etária mais jovem, com menos de 50 anos, vem aumentando.

Para a especialista, a doença tem algumas particularidades que tornam o tratamento desafiador e guiado por aspectos individuais do paciente. Entre elas, o local de ocorrência do tumor, ou seja, se ele ocorre do lado direito (cólon ascendente e transverso) ou do lado esquerdo (cólon descendente, sigmóide e reto), é um fator determinante na escolha do tratamento.

“A complexidade é quando a doença vira metastática, que é quando as células saem do lugar de origem e migram para outra parte do corpo. Atualmente, os tratamentos são muito eficientes e a gente consegue aumentar em várias vezes, em até mais de seis vezes, a sobrevida dos pacientes. E, ao longo desses últimos anos, vários novos tratamentos estão sendo incorporados. Então, a complexidade de o médico oncologista decidir qual tratamento será adequado ficou maior porque tem mais opções e uma das coisas é a questão das particularidades. O câncer colorretal tem suas particularidades. Há diferença se o tumor primário começou do lado direito ou esquerdo, não é só anatômico, mas do ponto de vista molecular”, aponta.

Nos últimos meses, um caso que acendeu o alerta para o câncer colorretal foi o diagnóstico da cantora Preta Gil, em janeiro deste ano. Aos 48 anos, a artista descobriu um adenocarcinoma na região final do intestino, após ser internada por conta de um desconforto. Em tratamento contra a doença, Preta tem compartilhado informações e como vem lidando com a doença nas redes sociais.

Preta ainda afirmou que está encarando o momento como um processo de cura, além de divulgar as informações sobre a doença a fim de ajudar outras pessoas. “Estou no meu processo de cura. A minha intenção é trocar informação para que todos nós fiquemos bem”, declarou em uma publicação.

Prevenção

Em meios aos avanços de tratamento, a oncologista ressalta a importância da detecção precoce através de exames, a exemplo da colonoscopia, que avalia o intestino grosso e a parte final do intestino delgado. De acordo com ela, a recomendação é que o exame deve ser realizado entre os 45 e 50 anos de idade, mesmo quando o paciente não tem sintomas.

“A sociedade como um todo e os médicos em geral tem que disseminar as medidas de prevenção e detecção precoce. Isso é extremamente importante para diminuir os casos e mortes. Em termos de diagnóstico precoce, a colonoscopia é um exame muito eficiente, que hoje é recomendado entre os 45 e 50 anos mesmo em quem não tem nenhum sintoma. Quanto mais cedo é diagnosticado o câncer maior é a chance de cura", frisa.

Além da do diagnóstico precoce, a especialista alerta para a adoção de medidas de prevenção. "É preciso estimular bons hábitos alimentares, como uma dieta rica em fibras, frutas, legumes, evitar bebida alcoólica e tabaco, fazer atividade física regularmente. Já temos estudos que mostram o caráter protetor da atividade física para diversas doenças, incluindo o câncer de intestino. Também é importante evitar alimentos prejudiciais, como enlatados, processados, gordura, açúcar, embutidos”, completa.

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Anelisa Coutinho Bahia Câncer colorretal câncer de intestino Praia do Forte Saúde Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

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