RIVALIDADE
Pelourinho x Caruaru? Bahia e Pernambuco usam mesma receita para lotar São João
A TARDE foi conferir de perto festa no São João de Caruaru


Com múltiplos palcos, manifestações populares, gastronomia e ativações de patrocinadores, festas juninas em grandes centros apostam na concentração de atrações para fortalecer a cultura, impulsionar o turismo e ampliar a experiência do público.
Quem visita o São João de Caruaru pela primeira vez costuma chegar atraído pelos grandes shows. Mas é ao circular pelos diferentes polos espalhados pela cidade que se compreende por que a festa pernambucana se tornou uma grande referência cultural do país. Mais do que reunir artistas de destaque nacional, o evento aposta em um modelo que concentra, em um mesmo território, diferentes expressões da cultura nordestina, transformando a experiência do público em uma imersão nas tradições juninas.
O modelo de festa focado no turismo de experiência — que concentra diversas manifestações culturais em polos específicos e conta com o aporte de grandes marcas privadas — consolidou o São João de Caruaru, no Agreste pernambucano, como um fenômeno econômico capaz de movimentar R$ 760 milhões e atrair quatro milhões de visitantes em 2026. É uma engrenagem que dialoga diretamente com o formato consolidado na capital baiana, onde o Centro Histórico e o Pelourinho desenham uma dinâmica semelhante.
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Atrações pulverizadas

Como acontece na capital baiana, por meio de ações do governos municipal e estadual, o Pelourinho e polos nos bairros apresentam o mesmo formato nos festejos juninos. Ao longo do mês de junho, largos, praças, ruas e equipamentos culturais do Centro Histórico recebem atrações musicais, apresentações de quadrilhas, grupos de samba junino, manifestações populares, atividades infantis e programação religiosa, criando um circuito capaz de reunir moradores e turistas em torno da celebração da cultura nordestina.
Tanto em Caruaru quanto em Salvador, a estratégia de pulverizar as atrações em vilas temáticas e palcos simultâneos protege a tradição ao mesmo tempo em que abre espaço para a modernidade.
Se na capital baiana o público caminha entre os terreiros e praças do Pelourinho encontrando desde o autêntico forró pé-de-serra até grandes nomes da música nordestina, em Caruaru, o público se divide entre o Pátio de Eventos Luiz Lua Gonzaga e a Estação Ferroviária.
No espaço pernambucano, o Polo do Repente, o Polo Camarão, o bairro Alto do Moura, onde está instalado o Polo das Quadrilhas, a Casa Rosa, na Feira de Caruaru, o Polo Azulão, palco alternativo que conta com shows e transmissão dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, e as apresentações itinerantes de bacamarteiros e bandas de pífano criam uma atmosfera de cidade cenográfica viva, muito parecida com o resgate identitário promovido nas ruas de Salvador.
O resultado é uma festa que ultrapassa o entretenimento. Artesanato, gastronomia, música, dança, patrimônio cultural e turismo convivem no mesmo espaço, criando oportunidades para empreendedores, artistas e patrocinadores.
Grandes marcas ocupam áreas de ativação e convivência, ajudando a viabilizar parte da estrutura do evento sem competir com o protagonismo da cultura popular.
Polos integrados

Entre essas iniciativas está a participação da Dove, que pela primeira vez estava no São João de Caruaru. Para Beatriz Seabra, gerente de marketing de Dove Hair, a inserção nesse ecossistema cultural é um passo estratégico e natural.
“Cada estado e cada cidade têm características próprias, e não adianta tentar falar de maneira genérica. Muitas cidades do Nordeste estão entre os maiores mercados consumidores de beleza do Brasil. O São João consegue movimentar a economia das cidades e conectar públicos muito diferentes. Para uma marca massiva como Dove, fazia sentido começar por um evento dessa proporção”, afirma a gestora.
Ao concentrar atrações em polos integrados, as festas conseguem ampliar a permanência dos visitantes, distribuir melhor o fluxo de público e estimular o consumo de produtos e serviços locais.
“Me impressionou a dimensão de Caruaru. O mais interessante é que não existe apenas um palco principal. Você passa por diferentes espaços, encontra música, artesanato, gastronomia e manifestações culturais o tempo todo. É uma experiência que faz a gente se sentir parte da festa, e não apenas espectador”, disse a turista de Salvador Mariana Costa, 34 anos.
Em Caruaru, a experiência segue a mesma lógica. Enquanto o palco principal recebe nomes conhecidos do grande público, outros polos valorizam expressões tradicionais como bandas de pífano, repentistas, bacamarteiros e quadrilhas juninas.
O resultado é uma programação capaz de dialogar com diferentes gerações e perfis de visitantes. Além da grade de shows — que este ano reúne nomes como Elba Ramalho, Solange Almeida, Mastruz com Leite e Limão com Mel —, o evento se adapta às demandas contemporâneas.
Em 2026, os polos ganharam até mesmo telões para a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo, integrando a paixão pelo futebol à identidade junina.
“Quem mora em Caruaru espera o ano inteiro pelo São João. A festa movimenta a economia, gera renda para muita gente e fortalece a nossa cultura. É bonito ver turistas chegando de vários lugares do Brasil para conhecer tradições que fazem parte da nossa história e da nossa identidade”, concluiu a artesã e moradora de Caruaru, Maria José Silva, 52 anos.
*Meire Oliveira viajou a Caruaru a convite da Dove


