SALVADOR
Moradora denuncia obra no Horto Florestal após danos à saúde e renda
Problema teria começado em junho de 2025, quando a denunciante passou a conviver com ruídos, poeira e mau cheiro intensos

Uma obra imobiliária na Avenida Santa Luzia, no bairro do Horto Florestal, em Salvador, está causando transtornos a moradores da região. Em relato que o portal A TARDE teve acesso, a produtora cultural, editora e ativista baiana, Bete Capinan, de 79 anos, que vive na Rua Buriti, afirma que a construção vizinha tem impactado negativamente a sua saúde e rotina.
O serviço foi licenciado pelo Departamento Municipal de Meio Ambiente em 15 de fevereiro de 2024, mas o problema teria começado em junho de 2025, após a venda de imóveis ao lado da residência e o início de intervenções no terreno. Desde então, a denunciante tem que conviver com ruídos, poeira e mau cheiro intensos.
Segundo o relato, as obras envolvem a retirada de cerca de 12 mil metros de terra para nivelamento do solo.
"Para realização dessa volumosa movimentação de terra, por ser uma encosta, estão sendo empregados diversos equipamentos (compressores, retroescavadeiras, geradores) todos eles movidos a óleo diesel, se os ruídos já eram insuportáveis, passamos a conviver com mau cheiro e fumaça, adentrando toda residência e ocasionando sérios problemas de saúde", disse Bete.
A produtora, que vive no local com filhos, netos, bisneta, gatos e plantas, garante que ambos estão sendo prejudicados com a construção.
"Minha bisneta de um ano tem secreção nasal e pulmonar constante. Alertamos ao engenheiro da construtora, sobre os contaminantes contidos na utilização do óleo diesel, enxofre e demais partículas, altamente prejudiciais à saúde, sendo mais agressivas, a idosos e crianças no início do seu ciclo de vida. No seu último contato ele desconheceu essa gravidade", denunciou.
A situação foi relatada em uma conversa com a construtora, que a reportagem teve acesso: "Tive de levar de urgência minha bisneta hoje ao pediatra por apresentar quadro de obstrução nasal e tosse. A pediatra escreveu que é necessário um controle ambiental com redução de poeira, material em suspensão no ar para otimizar o tratamento", disse Bete, em mensagem enviada aos reponsáveis pela obra.
No mês de janeiro, uma alergia causada pela obra a obrigou a alugar um apartamento no bairro da Barra, também na capital baiana. Além disso, familiares que costumam visitá-la também teriam enfrentado problemas de saúde relacionados às condições do local.
"Minha filha, que mora e trabalha em Portugal e sempre passa as férias comigo, foi obrigada a alugar um imóvel também na Barra por não ter condição de ficar em minha casa, após ser atacada por alergia", contou.
Demolição inadequada
Entre os alvarás concedidos pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) de Salvador para a MELG Empreendimentos Imobiliários, empresa responsável pelo construção, está uma demolição.
No entanto, Bete garante que a ação ocorreu sem medidas adequadas de proteção à sua residência. Segundo ela, a única sugestão apresentada pela responsável técnica da obra era inviável.
"Ela sugeriu envelopar com lona preta a parte da minha casa contígua à obra. Tentei resolver a questão de forma amigável com reclamações dirigidas à responsável pela obra por WhatsApp. Alertava para os problemas causados aos quartos e insistia, sobretudo, no prejuízo provocado à cozinha, parte mais exposta aos transtornos da obra. Passei todo o verão inclemente de Salvador com a casa integralmente fechada e impossibilitada de realizar limpeza pela intensidade da poeira", lamentou.
A reportagem do portal A TARDE entrou em contato com a construtora MELG Empreendimentos Imobiliários e a Sedur para obter esclarecimentos sobre a obra e a concessão do alvará; no entanto, até a publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para resposta.
Problemas impactam o trabalho da moradora
Além de problemas de saúde, Bete alega que a situação tem comprometido diretamente o seu trabalho, o que, automaticamente, interfere na renda mensal.
Ela, que trabalha com edições de livros, atua como pesquisadora da Fundação Casa de Jorge Amado, cria conteúdo para exposições realizadas em espaços como Casa do Rio Vermelho, Casa da Música e Casa Darcy Ribeiro, tem enfrentado dificuldades para seguir realizando as funções.
Em setembro de 2025, precisou utilizar um imóvel emprestado na Pituba para trabalhar. "Sair do meu espaço de trabalho implica na quebra da minha rotina e altos custos", relatou.
Abalada emocionalmente, a moradora relata prejuízos financeiros e profissionais, além de impactos na qualidade de vida. O caso levanta questionamentos sobre os limites de obras em áreas residenciais e a necessidade de medidas para minimizar danos a moradores do entorno.
Apoio de familiares e amigos
O poeta, letrista e dramaturgo baiano, José Carlos Capinan, demonstrou preocupação com Bete em relação à situação. Segundo ele, a obra vizinha se trata de agressão contra Bete, sobretudo devido ao barulho, poeira e forte mau cheiro.
"Infernizando sua vida e tratando-a de maneira agressiva, intimidando-a, apesar de se tratar de uma idosa, que ainda tem em sua residência seu escritório de trabalho… agora inviabilizado. Urge deter esse transtorno, responsabilizando a empresa que empreende, devendo a mesma interromper as operações. Ou dando uma solução urgente para reparar ou compensar os danos", lamentou.
A preocupação de Capinan também abrange outros familiares dele, que também residem no local.
"A poeira e a nuvem negra de fumaça que as máquinas produzem têm trazido vários problemas respiratórios a todos inclusive a minha querida bisneta com um ano de idade que também reside com a mãe e a bisavó", disse.
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