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Lavagem do Bonfim: Anielle Franco exalta resistência negra em Salvador

Celebração acontece na capital baiana nesta quinta-feira

Cássio Moreira e Brenda Lua Ferreira
Por Cássio Moreira e Brenda Lua Ferreira
| Atualizada em
Imagem ilustrativa da imagem Lavagem do Bonfim: Anielle Franco exalta resistência negra em Salvador
Foto: Cássio Moreira | AG. A TARDE

A cidade de Salvador acordou em festa e devoção nesta quinta-feira, 15, para uma das celebrações mais tradicionais do calendário baiano: a Lavagem do Bonfim. O cortejo de 8 km, que liga a Igreja da Conceição da Praia à Colina Sagrada, reuniu milhares de fiéis, turistas e autoridades. Entre as presenças de destaque, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, acompanhou o percurso, reforçando o papel da festividade como um símbolo de resistência e identidade para a população negra e para a cultura brasileira.

A celebração, que une o catolicismo e as religiões de matriz africana, é marcada pelo tradicional banho de água de cheiro nas escadarias da basílica. Para a ministra, o evento vai além da manifestação religiosa, configurando-se como um espaço político de afirmação. Anielle ressaltou que a presença do Ministério da Igualdade Racial no evento é uma forma de validar e fortalecer uma luta que atravessa gerações na Bahia e no Brasil.

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Em meio ao sincretismo que define a capital baiana, a ministra pontuou a importância da arte e da cultura como ferramentas de sobrevivência e poder. "A cultura é o ato de resistência para a população, por exemplo, e a gente está aqui hoje para reafirmar, não só essa festa, mas também toda a luta que vem por trás dela", afirmou Anielle Franco.

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Ela destacou que a arte local, mencionando a colaboração com figuras como Margareth Menezes (referida carinhosamente como Margarida), é onde a resiliência do povo se transforma e se fortalece. "É um lugar onde a gente resiste, mas também a gente tem essa resiliência cada vez mais transformada e fortalecida. Então não tinha como ser diferente estar aqui. Primeiro que meu coração está bem apaixonado, mesmo sendo carioca".

O conceito da ocupação de espaços de decisão e cultura por corpos negros foi um dos pontos altos de sua fala. Segundo a ministra, ver a multidão ocupando as ruas de Salvador com fé e arte comprova que a transformação social é possível e está em curso. "Tem muita coisa para a gente entregar aí", concluiu.

A segurança e o fluxo do evento foram monitorados pela Polícia Militar e órgãos municipais, garantindo que o tradicional "quem tem fé vai a pé" ocorresse sem incidentes graves. A festa continua durante todo o dia na Cidade Baixa, com as barracas típicas e manifestações culturais que consagram o Bonfim como o maior evento popular da Bahia após o Carnaval.

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Tags

cultura baiana Festa Popular Identidade negra lavagem do bonfim Resistência cultural sincretismo religioso

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