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SUSTENTABILIDADE

Bahia é farol da transição energética no Brasil

Líder nacional na produção de energias renováveis, estado é referência para outras regiões do país

Claudia Lessa
Por Claudia Lessa
Geração solar brasileira  já ultrapassa  a marca de 28 GW
Geração solar brasileira já ultrapassa a marca de 28 GW - Foto: Ulisses Dumas / Divulgação

Farol da transição energética no Brasil, a Bahia segue líder nacional na produção de energias renováveis, com incremento da capacidade instalada correspondendo a 32% e 20% de potência, respectivamente, nas fontes eólica e solar do país, conforme dados de geração acumulada em 2023, disponibilizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A matriz elétrica do Estado já é composta por 93% de fontes renováveis, tendo a energia eólica representando a maior parte. Atualmente, em operação, são 326 parques eólicos e 71 empreendimentos fotovoltaicos. O investimento das empresas do setor em solo baiano nos equipamentos em atividade é de R$ 36,5 bilhões em energia eólica e R$ 8,3 bilhões em solar.

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Para a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), além de trazer energia limpa e renovável para o país, os investimentos em energia eólica, no Brasil, têm um fator chamado “efeito multiplicador” na economia. “A cada um real investido nessa fonte, devolvemos 2,9 reais para a economia. Fizemos um estudo, nos últimos anos, que demonstra que a Região Nordeste cresceu cerca de 21% em termos de PIB (Produto Interno Bruto) e 20% em índice de desenvolvimento com a chegada dos parques eólicos”, compara a presidente executiva da entidade, Elbia Gannoum.

Os investimentos não param. No início de abril, foi inaugurado o Complexo Eólico Aroeira, do Grupo Enel Green Power, que tem capacidade anual para atender 849 mil residências.

De acordo com o governo estadual, são 81 aerogeradores em oito parques eólicos instalados em Umburanas, Morro do Chapéu e Ourolândia, com 348,30 megawatts de capacidade instalada. Por ano, o complexo deverá gerar 1.800 gigawatts, equivalente à energia necessária para abastecer as residências evitando a emissão de mais de 757 mil toneladas de gás carbônico na atmosfera.

Em meio ao crescimento do setor, surgem os desafios e alguns deles são a necessidade de expansão de linhas de transmissão para o escoamento de energia a ser produzida e o atendimento de novas cargas consumidoras, segundo o secretário estadual de Infraestrutura, Sérgio Brito.

“A Bahia teve resultados importantes nos dois últimos leilões, em junho de 2023 e março de 2024, feitos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atraindo mais de 5 mil km de linhas de transmissão e quatro novas subestações da Rede Básica, que são os grandes troncos de escoamento de energia para o Brasil, com investimento superior a R$ 12 bilhões”, destaca.

“Destino perfeito”

O atual cenário baiano na transição energética é também analisado pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida.

“As fontes renováveis estão em constante crescimento, desde 2012. Temos as questões naturais, como ventos constantes e unidirecionais e bons índices de irradiação, que tornam a Bahia o destino perfeito para a expansão do setor e de outros capazes de impactar não apenas na matriz energética a nível nacional, mas também em outros setores, como o do hidrogênio verde e seus derivados, podem ser aplicados, por exemplo, ao agronegócio e à indústria de modo geral”.

Ainda segundo o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), os incentivos fiscais e a infraestrutura adequada tornam o estado da Bahia um local atrativo para investimentos.

“O governador Jerônimo Rodrigues tem trabalhado muito e incentivado seu time a trabalhar arduamente para fazer do Estado um cenário global perfeito de uma transição energética justa e sustentável. A Bahia já é líder na produção eólica e, em breve, seremos líder da solar fotovoltaica”, pontua, destacando que a fonte renovável “possui grande aderência na universalização do acesso à energia elétrica”, promovendo inclusão social e desenvolvimento local”.

Potência instalada

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a geração própria solar brasileira acaba de ultrapassar a marca de 28 gigawatts de potência operacional instalada em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos, alcançando R$ 139 bilhões em investimentos no país.

Com isso, “mais de 3,5 milhões de unidades consumidoras já são atendidas pela tecnologia fotovoltaica em todo o país e já está presente em 5.545 municípios e em todos os estados brasileiros”.

Conforme o mapeamento da associação, o país possui mais de 2,4 milhões de sistemas fotovoltaicos instalados em telhados, fachadas e pequenos terrenos. Ao calcular os custos e benefícios da chamada geração distribuída, estudo da consultoria especializada Volt Robotics, encomendado pela Absolar, concluiu que a economia líquida na conta de luz dos brasileiros será de mais de R$ 84,9 bilhões até 2031.

Desde 2012, segundo a entidade, foram direcionados cerca de R$ 139 bilhões em novos investimentos, gerando mais de 840,3 mil empregos verdes acumulados no período em todas as regiões, contribuindo com uma arrecadação aos cofres públicos brasileiros de mais de R$ 41,7 bilhões.

Para o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk, o crescimento exponencial da geração própria de energia solar é sinal de popularização da tecnologia no território nacional. “Analistas de mercado apontam que, apenas em 2023, os painéis solares registraram queda de cerca de 50% no preço médio final, ampliando a atratividade e o acesso por consumidores brasileiros de diferentes perfis”, relata.

A Associação Baiana de Energia Solar (ABS) considera que a geração distribuída de energia solar é a solução atual para melhorar a sustentabilidade no consumo de energia elétrica e usufruir de economia significativa, tanto para residências quanto para empresas. O conselheiro da ABS, Giancarlo Smith, afirma que, conforme estudo de irradiação solar na superfície terrestre elaborado pelo Instituto internacional Solargis, a irradiação na Bahia, em março deste ano, ficou em torno de 10% maior do que a média dos dez últimos anos.

“Este fato é claramente percebido pela sensação de calor que viemos sentindo, exigindo um maior uso dos aparelhos de ar-condicionado. A geração distribuída de energia solar feita no telhado de cada casa ou empresa contribui para reduzir o impacto desse aumento na demanda de energia, tanto para as redes de transmissão e distribuição, quanto para o impacto na fatura de energia dos consumidores”, pontua Smith.

Confira o Caderno Municípios:

>>>A transição energética na transformação das cidades

>>>Energia limpa impacta economias regionais

>>>O LabSolar

>>>Incentivos fiscais facilitam a instalação de usinas renováveis

>>>Crescimento da energia limpa

>>>Pan American Energy conclui obras de complexo eólico

>>>Estado é um dos líderes NO ramo DE geração distribuída

>>>Morro do Chapéu e Várzea Nova ganham complexo eólico

>>>Bahia é farol da transição energética no Brasil

>>>Mulheres representam 58% dos registros de pesca

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Bahia energia eólica energia renovável energia solar Geração Distribuída transição energética

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