AEROPORTO DE SALVADOR
Manobra Kiss & Fly: Vinci marca reunião para pressionar vereadores
Concessionária quer se reunir com parlamentares na sexta-feira, 29


Os bastidores da Câmara Municipal de Salvador foram tomados por um clima de tensão.
A Vinci Airports, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Salvador, tenta costurar um acordo com o Legislativo, com intermediação da prefeitura, para barrar a votação do projeto de lei que proíbe a cobrança de taxas e a instalação de cancelas em áreas de embarque e desembarque da capital baiana, medida que atinge diretamente o sistema “Kiss & Fly”.
A movimentação da empresa provocou reação imediata nos corredores da Casa.
Vereadores rejeitam recuo
O presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB), e o vereador Daniel Alves (PSDB) unificaram projetos de lei para proibir a cobrança e a instalação de cancelas em áreas públicas destinadas ao embarque e desembarque de passageiros.
Questionado sobre a possibilidade de acordo, Daniel Alves confirmou que houve aproximação da Vinci Airports, mas negou qualquer entendimento para retirar o projeto da pauta.
“Da minha parte, não procede esse suposto acordo. Nem da parte do presidente Carlos Muniz, que inclusive já declarou publicamente que colocará o projeto em votação antes do recesso. O aeroporto, no entanto, tem feito algumas aproximações. Pediram novamente para realizar uma reunião com os vereadores”, afirmou.
O líder da oposição na Câmara, Randerson Leal (Podemos), e a vereadora Marta Rodrigues (PT) também disseram que não existe acordo firmado para barrar a proposta.
Segundo denúncias recebidas pelo portal A TARDE, o objetivo da concessionária seria manter o plano de implantação definitiva do sistema “Kiss & Fly”, que estabelece apenas 10 minutos de tolerância gratuita no meio-fio do terminal.
Após esse período, o motorista passa a pagar o valor equivalente à primeira hora do estacionamento convencional, atualmente entre R$ 18 e R$ 20.
O sistema ainda está em fase de testes, mas já provocou uma onda de críticas de motoristas por aplicativo, usuários e vereadores, que classificam a cobrança como “abusiva”.
Reunião para tentar acordo
Segundo informações obtidas pela reportagem, a Vinci Airports enviou um e-mail convidando vereadores para uma reunião a portas fechadas no aeroporto, marcada para sexta-feira, 29, às 14h.
A expectativa é de que a concessionária apresente uma proposta para ampliar o tempo de tolerância gratuita de 10 para 30 minutos, numa tentativa de reduzir a resistência ao sistema e evitar a aprovação do projeto.
Apesar da movimentação, ainda não há consenso entre os vereadores sobre participar do encontro.
O desejo do presidente Carlos Muniz, por sua vez, é de que a reunião ocorra na Câmara de Salvador, a portas fechadas, de acordo com informações obtidas por A TARDE.
Entenda o projeto
A proposta, que aguarda votação no plenário, prevê:
- Proibição total da cobrança de taxas para embarque e desembarque em terminais aéreos e rodoviários de Salvador;
- Veto à instalação de catracas ou cancelas nessas áreas; e
- Aplicação de multas, suspensão das atividades e até cassação do alvará em caso de descumprimento.