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DESCASO

Servidores da saúde completam 60 dias sem receber salário em Barreiras

Atraso atinge não apenas funcionários administrativos, mas também médicos das cirurgias eletivas

Rodrigo Tardio
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Otoniel Teixeira (União Brasil), prefeito de Barreiras
Otoniel Teixeira (União Brasil), prefeito de Barreiras - Foto: Divulgação

O sistema de saúde pública de Barreiras enfrenta uma de as crises mais graves. Enquanto profissionais da linha de frente, vinculados à UNIBRASIL, completam quase 60 dias sem receber salários, a gestão do prefeito Otoniel Teixeira (União Brasil) entra na mira dos órgãos de controle.

A denúncia sobre o colapso nos pagamentos foi levada ao Legislativo pela vereadora Carmélia da Mata (Progressistas). De acordo com a parlamentar, o atraso atinge não apenas os funcionários administrativos e de apoio, mas também os médicos das cirurgias eletivas.

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"Isso é desrespeito com os profissionais e ameaça o funcionamento dos serviços. Saúde exige seriedade e responsabilidade. Quem cuida da população merece receber em dia", disparou a vereadora. Relatos de servidores indicam que o clima é de desolação nas unidades de saúde, onde trabalhadores mantêm as atividades sob forte estresse financeiro.

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Cabide de empregos

Em meio ao atraso salarial, surgem críticas sobre a gestão de pessoal da prefeitura. Munícipes denunciam que a criação de cargos de "gerente de posto de saúde" estaria sendo usada para quitar favores políticos de campanha.

"Tem gerente que só aparece no posto para bater o ponto e some", afirmou uma moradora sob condição de anonimato, sugerindo que os recursos da saúde estariam sendo drenados por esses cargos.

Escândalo das diárias

Em dezembro do ano passado, o vereador Felipe de Melo Lacerda (PCdoB) formalizou uma queixa grave contra o prefeito. De acordo com o documento, Otoniel Teixeira teria assinado e ordenado pagamentos de diárias para si mesmo, o que viola o princípio da segregação de funções (Leis 14.133/2021 e 4.320/1964).

Os pontos mais críticos da investigação revelam:

  • pagamento de R$ 5.252,52 para uma agenda em Brasília, enquanto postagens em redes sociais mostram o prefeito presente em Barreiras no mesmo período.
  • um dos processos aponta o recebimento de R$ 1.313,13 acima do valor original permitido.
  • ausência de fotos, relatórios ou atas que comprovem a realização das agendas oficiais.

Infraestrutura precária

Em outubro de 2025, o Hospital Municipal Eurico Dutra, em Barreiras, tornou-se o centro de uma polêmica sobre a dignidade no atendimento público de saúde. Em denúncia apresentada, o vereador João Felipe (PCdoB) expôs condições precárias na unidade, relatando que pacientes homens e mulheres dividem as mesmas enfermarias sem qualquer privacidade, além de banheiros em condições insalubres.

De acordo com o parlamentar, a situação foi reflexo de uma falha direta na administração municipal.

Falta de transparência

O embate entre o Legislativo e o Executivo ganhou contornos de crise institucional. O vereador afirmou que a gestão do prefeito Otoniel Teixeira (União Brasil) teria ignorado pedidos de informações oficiais, especialmente sobre o contrato de fornecimento de fraldas descartáveis.

João Felipe relatou ainda à época, um episódio de hostilidade na Secretaria de Saúde: ao buscar documentos no setor de contratos, teria sido ameaçado de processo pela subsecretária da pasta.

À época, a Prefeitura de Barreiras minimizou as críticas, atribuindo os problemas à "longevidade de operação" do hospital, e afirmou que a rede hidráulica antiga exigia manutenções frequentes. Sobre a ausência de portas nos banheiros, o Executivo informou que uma unidade sofreu infiltração e precisou ser removida para substituição, mas assegurou que o problema já foi sanado com a instalação de um novo equipamento.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Barreiras informou que a Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras esclarece não proceder a informação de atraso salarial envolvendo profissionais vinculados à UNIBRASIL.

A pasta informa que os repasses referentes aos salários dos médicos estão regularizados até o mês de março, com os pagamentos futuros seguindo o planejamento de repasses mensais.

Ainda segundo a UNIBRASIL, apenas dois profissionais apresentam pendência referente ao mês de março, em razão da não emissão das respectivas notas fiscais.

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barreiras denúncias gestão municipal irregularidades saúde pública transparência

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