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BRASIL X EUA

Tarifa dos EUA revolta governo Lula, que cogita retaliação

Documento cita "indignação" do Brasil com decisão de Donald Trump

Cássio Moreira
Por Cássio Moreira
| Atualizada em
Presidente Lula e Geraldo Alckmin
Presidente Lula e Geraldo Alckmin - Foto: Ricardo Stuckert | PR

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na figura do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), enviou uma carta para a Casa Branca, nesta quarta-feira, 16, onde expressa "indignação" com a imposição da tarifa de 50% nos produtos brasileiros exportados para o país.

No documento, assinado em conjunto por Alckmin e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, o Palácio do Planalto cita os impactos negativo da medida adotada pelo presidente Donald Trump na economia das duas nações, e citou a sobretaxação anterior, que ocorreu no primeiro semestre deste ano, cobrando respostas dos Estados Unidos.

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"O Governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto. A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas", diz trecho do documento assinado por Alckmin.

"Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral", diz outro trecho da carta.

Alckmin, que é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, se reuniu com representantes de importantes setores da economia, na terça-feira, 15. O movimento busca uma saída para enfrentar o 'tarifaço', como tem sido chamado o imposto.

Tarifaço de Trump

O presidente Donald Trump anunciou, na última semana, a taxação de 50% nos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Em uma carta divulgada, americano criticou o judiciário brasileiro, afirmando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sido alvo de perseguição.

“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional”, diz Trump em trecho da carta.

Lei da Reciprocidade

Aprovada pelo Congresso Nacional recentemente, passando pela sanção presidencial na última segunda, 14, a Lei da Reciprocidade Comercial, que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais consideradas mais duras contr países ou blocos econômicos que criem dificuldades unilaterais.

Essas são ações que podem ser adotadas com base na lei:

Restrição às importações de bens e serviços: O Brasil poderia, por exemplo, impor tarifas ou cotas sobre produtos provenientes do país que aplicou a medida prejudicial.

Suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual: Isso significa que acordos anteriores ou proteções a patentes e marcas do país em questão poderiam ser suspensos no Brasil.

Suspensão de outras obrigações previstas em acordos comerciais: Qualquer outra cláusula de acordos comerciais existentes que o Brasil tenha com o país em questão poderia ser revista ou suspensa.

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estados unidos Geraldo Alckmin Lei da Reciprocidade Lula tarifaço

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