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EUA avaliam classificar facções brasileiras como grupos terroristas

Itamaraty busca diálogo após rumores de medida do governo americano

Isabela Cardoso
Por
| Atualizada em
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira - Foto: © Valter Campanato/ Agência Brasil

O cenário diplomático entre Brasil e Estados Unidos entrou em estado de alerta máximo. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, realizou uma ligação de emergência para o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na noite deste domingo, 8. O motivo é a iminente designação das facções PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.

A ligação ocorreu por volta das 21h (horário de Brasília) e vinha sendo solicitada pelo Itamaraty desde sábado, quando rumores sobre a decisão começaram a circular em Brasília.

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Até o momento, nem o Ministério das Relações Exteriores (MRE) brasileiro nem o Departamento de Estado dos EUA confirmaram oficialmente o conteúdo da conversa.

Brasil tenta barrar classificação de PCC e CV como terroristas

Fontes diplomáticas indicam que o governo brasileiro demonstrou desconforto com a possibilidade de as facções serem classificadas como organizações terroristas. Segundo essas fontes, o Brasil já se posicionou contra essa medida em ocasiões anteriores.

O governo Lula defende uma cooperação internacional contra o crime organizado que não inclua a classificação de PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas.

Nos bastidores, integrantes do governo também atribuem parte da pressão política à atuação de setores da direita brasileira ligados ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro.

Processo de designação pode levar semanas

De acordo com fontes diplomáticas, a documentação sobre as duas facções já teria sido concluída no Departamento de Estado dos EUA e passou por análise de outras agências do governo americano.

Agora, o material ainda precisa ser submetido ao Congresso dos Estados Unidos e publicado no registro oficial federal. Esse processo pode levar cerca de duas semanas até uma eventual confirmação.

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O procedimento segue modelo semelhante ao adotado recentemente contra grupos criminosos latino-americanos, como o Cartel de Jalisco, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela.

O que muda se PCC e CV forem considerados organizações terroristas

Caso o governo americano confirme a classificação, uma série de medidas legais e financeiras pode ser aplicada.

Entre os principais efeitos estão:

    • congelamento de ativos de integrantes das facções nos Estados Unidos;
    • bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano;
    • proibição de fornecimento de apoio material, como armas;
    • restrições migratórias para pessoas associadas aos grupos;
    • aumento de riscos legais para empresas que atuam em regiões com presença dessas organizações.

Empresas que mantêm negócios em áreas afetadas também podem ficar sujeitas a sanções do Tesouro americano, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC).

Debate envolve segurança regional e política internacional

A política de combate ao tráfico de drogas nas Américas é considerada prioridade pela administração Trump. O tema foi discutido recentemente em um encontro realizado em Miami com líderes conservadores da América Latina, chamado Shield of the Americas.

A classificação de cartéis e facções como organizações terroristas tem sido uma estratégia defendida por setores do governo americano para ampliar o alcance de sanções e ações contra grupos criminosos.

Em ocasiões anteriores, Trump chegou a mencionar a possibilidade de operações militares contra cartéis que atuam no território mexicano, embora especialistas debatam se a designação terrorista permitiria esse tipo de ação.

Governo brasileiro teme impacto na soberania

O governo brasileiro sustenta que PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas ao lucro ilegal, sem motivações políticas ou ideológicas, requisito geralmente associado à definição de terrorismo.

Por isso, Brasília avalia que a classificação pode abrir precedentes delicados na área de soberania nacional e segurança interna.

Apesar das divergências, Brasil e Estados Unidos discutem ampliar a cooperação bilateral contra o crime organizado, incluindo ações de inteligência para combater lavagem de dinheiro internacional.

Em dezembro de 2025, Lula chegou a telefonar para Donald Trump para sugerir uma iniciativa conjunta voltada ao rastreamento de recursos obtidos ilegalmente por organizações criminosas, especialmente aqueles que circulam no mercado imobiliário da Flórida.

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