Busca interna do iBahia
Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016

POLÍTICA

Do 17 de abril à polarização atual: como o impeachment de Dilma redesenhou o poder

Abertura do processo de afastamento completa 10 anos

Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016 - Foto Evaristo Sá | AFP

Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email
Cássio Moreira
Por
| Atualizada em

Siga o A TARDE no Google

Google icon

O dia 17 de abril faz parte da história recente da política brasileira. Nesta mesma data, no ano de 2016, a Câmara dos Deputados autorizou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), que havia sido reeleita em 2014. O episódio alterou os rumos do país, reorganizando o tabuleiro político.

Dilma foi a segunda presidente da história a ser alvo de um afastamento do mandato após a redemocratização; o primeiro foi Fernando Collor de Mello (PRN), em 1992. A petista foi eleita pela primeira vez em 2010, sendo reeleita em 2014.

Tudo sobre Política em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Antecedentes

Dilma enfrentou um turbilhão político após sua segunda vitória nas urnas, em 2014, contra o tucano Aécio Neves (PSDB). Seu segundo mandato foi marcado por uma crise política na relação com a Câmara dos Deputados.

O embate teve início quando o Palácio do Planalto tentou emplacar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Câmara dos Deputados, entrando em rota de colisão com o deputado federal Eduardo Cunha (MDB), indicação do chamado 'centrão' para o comando do Casa.

Com o apoio do bloco, Cunha foi eleito presidente da Câmara com 267 votos, em fevereiro de 2015. Já na presidência do legislativo, o deputado iniciou uma ofensiva por meio das chamadas 'pautas-bombas' contra o governo.

Leia Também:

Em dezembro do mesmo ano, o presidente da Câmara dos deputados acolheu o pedido de impeachment elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, que apontava possíveis crimes de responsabilidade por conta das 'pedaladas fiscais'.

No mesmo período, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) rompeu com Dilma, em uma carta na qual ele lamentou a "desconfiança" por parte do governo com suas posições.

"A gente deve considerar as manifestações de junho de 2013, a Lava Jato, a crise de popularidade do governo, o enfrentamento de uma oposição que partiu para criticar o governo nas ruas [...] Tivemos também uma crise econômica, e eu entendo que a gente viveu uma crise sem tamanho, talvez a maior que a gente vivenciou até aqui", analisou o cientista político Claudio André de Souza, em entrevista ao portal A TARDE, ao comentar sobre os fatores que colaboraram para o impeachment de Dilma.

A abertura na Câmara

No dia 17 de abril de 2016, um domingo, a Câmara votou a autorização da abertura do impeachment.

Ao todo, foram 367 votos a favor do prosseguimento do impedimento, sendo que eram necessários 342.

Como votou a Bahia?

A bancada baiana na Câmara dos Deputados, formada por 39 parlamentares, deu 22 votos contrários ao impeachment de Dilma. Outros 15 deram votos favoráveis, enquanto dois, Cacá Leão (PP) e Mário Negromonte Júnior (PP), não estiveram presentes.

Votaram contra o impeachment

  • Afonso Florence (PT);
  • Alice Portugal (PCdoB);
  • Antônio Brito (PSD);
  • Bacelar (PTN);
  • Bebeto Galvão (PSB);
  • Luiz Caetano (PT);
  • Daniel Almeida (PCdoB);
  • Davidson Magalhães (PCdoB);
  • Félix Mendonça Júnior (PDT);
  • Fernando Torres (PSD);
  • Jonga Bacelar (PR);
  • Jorge Solla (PT);
  • José Carlos Araújo (PR);
  • José Nunes (PSD);
  • José Rocha (PR);
  • Moema Gramacho (PT);
  • Paulo Magalhães (PSD);
  • Roberto Britto (PP);
  • Ronaldo Carletto (PP);
  • Sérgio Brito (PSD);
  • Valmir Assunção (PT);
  • Waldenor Pereira (PT).

Votaram a favor

  • Antônio Imbassahy (PSDB);
  • Arthur Maia (PPS);
  • Benito Gama (PTB);
  • Claudio Cajado (DEM);
  • Elmar Nascimento (DEM);
  • Erivelton Santana (PEN);
  • Irmão Lázaro (PSC);
  • João Gualberto (PSDB);
  • José Carlos Aleluia (DEM);
  • Jutahy Júnior (PSDB);
  • Lúcio Vieira Lima (PMDB);
  • Márcio Marinho (PRB);
  • Paulo Azi (DEM);
  • Tia Eron (PRB);
  • Uldurico Júnior (PV).

O voto de Bolsonaro

Hoje preso por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na época deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro pelo extinto PSC, deu um dos votos mais polêmicos da sessão.

Ao votar pela autorização do processo de impeachment, Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015, conhecido por ter praticado torturas durante a ditadura militar.

Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim
Jair Bolsonaro durante o impeachment de Dilma

Bolsonaro, que ganhou maior notoriedade por sua postura, seria o próximo presidente eleito do Brasil, após vencer o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT), liderando a ascensão e consolidação da chamada extrema-direita no país.

A reorganização política é explicada pelo historiador Murilo Mello, que falou sobre o tema em entrevista ao portal A TARDE.

"Os momentos em que ela (direita) ascende ao poder quando tem descrédito em relação aos políticos profissionais, pessoas que já estão muito tempo na política, quando a economia brasileira patina, quando tem esse descrédito civil em relação aos políticos, geralmente acontece isso", explicou.

Bolsonaro ao declarar voto pelo impeachment de Dilma
Bolsonaro ao declarar voto pelo impeachment de Dilma | Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil

Ainda de acordo com o historiador, a descrença com a política tradicional colaborou para o crescimento de Bolsonaro, modificando o tabuleiro político que até então parecia consolidado pós-redemocratização, assim como os movimentos de rua e a presença de uma figura que se apresentava como 'outsider'.

Dilma Rousseff (PT), ex-presidente da República
Dilma Rousseff (PT), ex-presidente da República | Foto: Evaristo Sá | AFP

"Tudo isso vai culminar com o impeachment de Dilma, devido aos escândalos políticos, a descrença dos políticos naquele período do início do segundo mandato de Dilma e o final do primeiro mandato. Então essa descrença com o político profissional vai fazer com que o grupo de Bolsonaro ali se fortaleça. É isso que vai acontecer", afirmou.

Passos seguintes

Após a autorização do impeachment, Dilma permaneceu por quase um mês na presidência, sendo afastada do cargo em maio do mesmo ano, após o Senado aprovar o relatório da comissão montada para discutir o impeachment.

A sessão final ocorreu em agosto, quando o Senado aprovou por 61 votos favoráveis a destituição de Dilma Rousseff do cargo, entregando a presidência de maneira definitiva por Michel Temer.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Câmara dos Deputados dilma rousseff

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016
Play

Cientista político analisa as lições da montagem das chapas majoritárias na Bahia

Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016
Play

Nova regra da nota fiscal: pescador artesanal da Bahia será afetado?

Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016
Play

Escala 6x1: Hugo Motta reage após Lula enviar projeto ao Congresso

Dilma Rousseff foi afastada em maio de 2016
Play

Fim da escala 6x1: Paulo Azi vota a favor, mas faz recomendações

x