JORNADA DE TRABALHO
Deputados baianos explicam apoio a adiamento da escala 6x1 para 2036
Nove dos 39 deputados federais da Bahia assinaram emenda polêmica


A repercussão negativa da emenda que adia para 2036 o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho levou deputados baianos que assinaram a proposta a se manifestarem.
Ao todo, nove dos 39 deputados federais da Bahia integram o grupo de 171 parlamentares da oposição e do Centrão que apoiam o adiamento da medida por dez anos.
Em nota enviada ao portal A TARDE, o deputado federal Capitão Alden (PL) afirmou que assinou a emenda porque considera necessário garantir que as mudanças ocorram de forma gradual e planejada para evitar impactos econômicos.
“Sou favorável ao debate sobre melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Quem não quer trabalhar menos e viver melhor? O problema é fazer uma mudança dessa magnitude sem estudo econômico, sem planejamento e sem dizer quem vai pagar a conta. Trabalhador precisa de qualidade de vida, mas também precisa de emprego”, disse.

Alden argumentou ainda que a emenda não impede a discussão sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, um dos modelos defendidos pelos trabalhadores.
Já o deputado Diego Coronel (Republicanos) usou as redes sociais para esclarecer que a proposta ainda tramita na comissão especial da Câmara dos Deputados e que não houve votação em plenário.
“A matéria está em tramitação na comissão especial. Na sequência, irá para o plenário da Casa, onde irei votar a favor da escala 5x2”, afirmou.

Diego reforçou ainda que segue favorável ao fim da escala 6x1. “Sou favorável à escala 5x2 e ao fim da escala 6x1. Vamos votar um texto que contemple a classe trabalhista.”
A deputada federal Rogéria Santos (Republicanos) também divulgou nota de esclarecimento informando que solicitou oficialmente a retirada da assinatura de apoio à emenda.
Segundo a parlamentar, a decisão foi tomada após uma “análise mais aprofundada” do mérito da proposta.

O deputado Arthur Maia (União Brasil) também voltou atrás e declarou apoio ao fim da escala 6x1, além de defender a jornada 5x2, classificando a mudança como uma “questão de justiça para o trabalhador brasileiro”.
“Quero reafirmar meu apoio irrestrito ao fim da escala 6x1. Na hora da votação, os trabalhadores brasileiros podem ter certeza do meu voto pela implantação da jornada 5x2”, afirmou o deputado.

Já a deputada Roberta Roma (PL) protocolou a retirada da assinatura da emenda que adia o fim da escala 6x1.
A parlamentar reafirmou posicionamento favorável aos trabalhadores e avaliou que a mudança na jornada precisa ocorrer com responsabilidade, mas sem transformar a transição em um adiamento excessivo.
“Sempre defendi que os trabalhadores merecem mais tempo com suas famílias e melhor qualidade de vida. Uma transição pode ser necessária para garantir segurança na implementação, mas 10 anos é um prazo longo demais”, disse a bolsonarista.

Até o momento, os outros quatro deputados federais baianos que assinaram a emenda não se pronunciaram: José Rocha (União Brasil), João Carlos Bacelar (PL), Paulo Azi (União Brasil) e Claudio Cajado (PP).
Tramitação
A emenda em questão foi apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) e está sob análise do relator da comissão especial da Câmara, Leo Prates (Republicanos), que decidirá se incorpora as sugestões ao relatório final.
Caso isso ocorra, as mudanças propostas passarão a integrar oficialmente o texto das PECs que tratam do fim da escala 6x1.
Atualmente, a Câmara analisa duas propostas sobre o tema. A principal é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução da jornada semanal para 36 horas.
Ao texto foi anexada a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe a implementação da semana de quatro dias de trabalho.