Turistas circulam pelo Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Ao fundo, a fachada da Fundação Casa de Jorge Amado - Foto Uendel Galter/Ag. A TARDE
CRIME
"Quero delegado branco": Turista é presa no Pelourinho por injúria racial
Além de ofender e cuspir em comerciante que trabalhava em festa, a mulher de 50 anos manteve postura discriminatória diante dos agentes na Decrin

Por Luan Julião
Uma cena de racismo explícito chocou frequentadores do Pelourinho, no Coração do Centro Histórico de Salvador, na noite desta quarta-feira, 21. Uma turista natural do Rio Grande do Sul, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa em flagrante sob suspeita de injúria racial contra uma comerciante local.
Ataque no Pelourinho
De acordo com o relatório da Polícia Civil, a vítima, uma comerciante identificada apenas como Hanna, estava trabalhando em um bar durante uma festa no Centro Histórico quando foi alvo das ofensas. Além dos xingamentos de cunho racial, a turista teria cuspido na vítima enquanto ela exercia suas funções.
A Polícia Militar foi acionada e conduziu a suspeita até a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).
Desprezo na delegacia: "Atendimento por branco"
O que já era uma situação grave se tornou ainda mais alarmante dentro da unidade policial. Segundo nota oficial da corporação, Gisele não recuou mesmo diante das autoridades.
"A investigada continuou adotando uma postura discriminatória, chegando a exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca", informou a Polícia Civil.
A conduta reforçou a necessidade da manutenção da prisão. Oitivas foram realizadas com testemunhas e com a vítima ainda durante a madrugada.

Situação Jurídica
Gisele Madrid Spencer Cesar permanece custodiada e está à disposição do Poder Judiciário. O caso segue sob investigação rigorosa da Decrin, unidade da Bahia referência no apuramento de crimes de intolerância e racismo.
A pena para o crime de injúria racial foi equiparada ao crime de racismo em 2023, tornando-se imprescritível e inafiançável, com reclusão de dois a cinco anos.
Perguntas Frequentes (FAQ) sobre o caso de racismo no Pelourinho
- Quem foi presa por racismo no Pelourinho? A turista gaúcha Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi presa em flagrante na noite de quarta-feira, 21, em Salvador, suspeita de cometer injúria racial.
- O que aconteceu com a comerciante no Pelourinho? Segundo a Polícia Civil, a vítima, identificada como Hanna, foi alvo de ofensas racistas e agressão física (cusparada) enquanto trabalhava em um bar durante um evento no Centro Histórico.
- Qual foi a conduta da suspeita na delegacia (Decrin)? Já na unidade especializada, a investigada manteve a postura discriminatória e chegou a exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca, conforme consta em nota oficial da Polícia Civil.
- Qual a pena para o crime cometido pela turista? Com a atualização da Lei 14.532/2023, o crime de injúria racial foi equiparado ao de racismo. Ele agora é imprescritível, inafiançável e prevê pena de reclusão de dois a cinco anos.
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