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Investigação de 10 meses revela esquema de roubos em ponto turístico de Salvador

Suspeitos monitoravam as vítimas em pontos estratégicos antes de cometer os crimes

Luan Julião, Victória Isabel e Bruno Dias | Portal Massa!
Por Luan Julião, Victória Isabel e Bruno Dias | Portal Massa!
| Atualizada em
Grupo monitorava vítimas antes dos roubos e definia previamente rotas de fuga
Grupo monitorava vítimas antes dos roubos e definia previamente rotas de fuga - Foto: Pedro Moraes/GOVBA

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nas primeiras horas desta quinta-feira, 14, a Operação Catena, que resultou na prisão de sete investigados por envolvimento em uma organização criminosa especializada em roubos patrimoniais na região da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador.

Segundo a corporação, o grupo criminoso atuava principalmente no roubo de correntes de ouro, relógios esportivos e celulares, tendo como principais alvos turistas e pessoas que praticavam atividades físicas na orla da capital baiana.

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As prisões ocorreram nos bairros de Nazaré, Campinas de Pirajá, Pelourinho, Tororó, Politeama de Baixo e São Tomé de Paripe. Um outro mandado também foi cumprido dentro do sistema prisional.

Durante a operação, os policiais apreenderam mais de R$ 23 mil em espécie, joias, balanças de precisão, reagentes químicos utilizados para teste de ouro, pedras de avaliação, agendas com anotações sobre a comercialização das peças, além de celulares e notebooks que serão periciados.

As investigações são conduzidas pela 14ª Delegacia Territorial da Barra e apontam que a quadrilha possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções entre executores dos roubos, responsáveis pelo monitoramento das vítimas e integrantes encarregados da receptação e revenda do material roubado.

Sete suspeitos foram presos durante a Operação Catena
Sete suspeitos foram presos durante a Operação Catena - Foto: Lucas Cerqueira / Ascom-PCBA

As informações foram detalhadas pela delegada Mariana Ouais, responsável pelas investigações.

"Foi possível identificar papéis escalonados e específicos dentro da organização criminosa. Podemos separar três grandes núcleos. O primeiro é formado pelos indivíduos que realizavam o arrebatamento ou a subtração das correntes e de outros objetos que estivessem com as vítimas na ocasião, como celulares e relógios esportivos."

De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início após um roubo registrado em outubro de 2025, na Barra. A partir desse caso, os investigadores identificaram outros crimes semelhantes e conseguiram mapear o funcionamento da organização criminosa.

Organização criminosa tinha divisão de tarefas

Segundo a delegada Mariana Ouais, a organização possuía núcleos específicos e funções bem definidas entre os integrantes.

“Foi possível identificar papéis escalonados e específicos dentro da organização criminosa. Podemos separar três grandes núcleos. O primeiro é formado pelos indivíduos que realizavam o arrebatamento ou a subtração das correntes e de outros objetos que estivessem com as vítimas na ocasião, como celulares e relógios esportivos.”

“Também foi identificado um segundo grupo, não menos importante, responsável por identificar a vítima, apontá-la, acompanhá-la e analisar o melhor momento e local para o arrebatamento ou a subtração.”

“O terceiro grupo é o dos receptadores. Esse núcleo se mostrou bastante equipado. Na operação de hoje, foram apreendidos materiais utilizados tanto para aferir a qualidade e a quantidade do ouro roubado quanto para a elaboração e confecção de novas joias a partir do ouro fundido.”

Imagem ilustrativa da imagem Investigação de 10 meses revela esquema de roubos em ponto turístico de Salvador
Foto: Lucas Cerqueira / Ascom-PCBA

Ainda conforme a investigação, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens e redes sociais para negociar as joias roubadas. A polícia identificou uma intensa circulação dos investigados na região central de Salvador, onde existe forte comércio formal e informal de ouro e joias.

“Foi possível perceber uma grande circulação desses indivíduos na região central da cidade, onde há comércio formal e informal de joias. Além disso, existem pessoas que realizam esse comércio de forma autônoma, por meio de redes sociais e grupos especializados na comercialização de joias.”

Mais de R$ 23 mil, joias e equipamentos foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam mais de R$ 23 mil em espécie, joias, balanças de precisão, reagentes químicos utilizados para teste de ouro, pedras de avaliação, agendas com anotações sobre comercialização das peças, além de celulares e notebooks.

“Além disso, foi encontrada uma vasta quantidade de correntes que, acredita-se, ainda seriam fundidas ou revendidas, bem como dinheiro em espécie. Até o presente momento, mais de R$ 23 mil foram apreendidos, além de outros objetos que ainda passarão por perícia e análise.”

Segundo os investigadores, a rede de receptação é considerada uma das partes mais complexas da investigação.

“Como a operação foi realizada hoje e houve a apreensão de uma grande quantidade de celulares e notebooks, todo esse material ainda será analisado para identificar exatamente como essa comercialização era feita. A parte da execução dos roubos é mais fácil de identificar, já que há imagens dos indivíduos praticando os arrebatamentos. Já a parte da comercialização exige uma análise mais aprofundada.”

Quem são os presos

Entre os presos apontados como executores dos roubos estão:

  • Iuri Beraldo Oliveira, conhecido como “P.A” ou “Sheik”, de 32 anos, preso em Nazaré. Segundo a polícia, ele é suspeito de praticar o roubo que deu origem à investigação e já havia sido preso anteriormente pelo mesmo crime;
  • Kauan Silva Machado, conhecido como “Resto”, de 23 anos, preso em Campinas de Pirajá. O suspeito já havia sido preso em outubro de 2025.

Já entre os investigados por receptação estão:

  • Jessé Silva Matheus, conhecido como “JM”, de 27 anos, preso no Pelourinho;
  • Douglas Andrade de Araujo, o “Dodô”, de 29 anos, preso no Tororó. Segundo a polícia, ele atuava na logística da organização, realizando transporte de armas e integrantes do grupo;
  • Isaías França Monteiro, conhecido como “Totti” ou “Nino Toty”, de 32 anos, preso na Politeama de Baixo;
  • Davi Meireles dos Santos, de 42 anos, preso em São Tomé de Paripe;
  • Geisney Pereira dos Santos, conhecido como “Sheik”, que já estava custodiado no sistema prisional e teve o mandado cumprido dentro da unidade.

A polícia também informou que outros suspeitos seguem sendo procurados:

  • Márcio Santos Cardoso de Souza, conhecido como “Rato”;
  • Murilo Marcelo do Nascimento Chaves, o “Liro”;
  • Diogo Augusto Silva Costa, conhecido como “DG”, apontado como integrante do núcleo informativo e responsável por atuar como olheiro.

Investigação continua

Segundo a Polícia Civil, nenhuma prisão isolada foi realizada durante os meses de investigação para evitar prejuízos ao andamento das apurações e garantir o mapeamento completo da organização criminosa.

“Essa operação nasceu de um roubo em específico, mas, ao longo desses 10 meses, diversas ocorrências semelhantes foram registradas. Durante o acompanhamento dos suspeitos, também foi possível identificar outros roubos praticados por eles. No entanto, por uma questão estratégica, não era interessante realizar prisões fora da operação e da investigação da quadrilha.”

As investigações também apontaram que um dos integrantes da organização já estava custodiado no sistema prisional, mas seguia articulando ações criminosas mesmo de dentro da cadeia.

“Há um indivíduo que já se encontra custodiado no sistema prisional e que continuava articulando as ações criminosas. Entre os participantes e autores diretos, há pelo menos 10 identificados, mas nada impede que o número seja maior, já que existe toda uma cadeia envolvida, incluindo pessoas que utilizam grupos de WhatsApp para comercializar os produtos roubados.”

Segundo a delegada Mariana Ouais, todos os envolvidos no esquema criminoso, incluindo pessoas responsáveis pela comercialização das joias roubadas, devem responder pelas investigações.

“Todos aqueles que fomentam essa prática criminosa fazem parte da organização criminosa e responderão na medida de sua culpabilidade. Até agora, sete pessoas foram presas, entre executores, apontadores e receptadores. As equipes continuam nas ruas para cumprir os demais mandados de prisão.”

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