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RACISMO REVERSO?

"Eu que fui injuriada", diz turista após ser solta pela Justiça

Gisele não poderá visitar o Pelourinho por um ano

Leilane Teixeira

Por Leilane Teixeira

23/01/2026 - 21:33 h
Imagem ilustrativa da imagem "Eu que fui injuriada", diz turista após ser solta pela Justiça
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A turista do Rio Grande do Sul, Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, solta pela Justiça após falar ofensas racistas e cuspir em uma vendedora ambulante negra, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, falou sobre a decisão.

Em depoimento durante entrevista à Record Bahia, ela evitou dar mais detalhes, mas justificou: "Eu que fui injuriada".

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Gisele foi presa na terça-feira, 21, por injúria racial e passou pela audiência de custódia nesta sexta-feira, 23. Durante a audiência, a defesa da mulher pediu o relaxamento da prisão, alegando ausência de materialidade da injúria racial e falta de demonstração de flagrância.

Na decisão, o juiz Maurício Albagli Oliveira homologou a prisão em flagrante, mas concedeu a soltura mediante o cumprimento de medidas cautelares alternativas.

Poibida de visitar o Pelourinho

Entre as medidas, está a "Proibição de acesso ou frequência à Praça das Artes, situada no Pelourinho, nesta Cidade". Com isso, segundo a Justiça, ela não poderá frequentar o Centro Histórico de Salvador, por, no mínimo, um ano.

Entre as outras medidas, estão:

  • Comparecimento a todos os atos do processo, desde que intimada, devendo manter seu endereço atualizado nos autos do processo;
  • Comparecimento bimestral em Juízo, por um ano, a partir do desta sexta-feira, para informar e justificar suas atividades;
  • Proibição de se ausentar da Comarca de Porto Alegre, por período superior a dez dias, sem autorização judicial;
  • Proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas.

Ministério Público e Polícia Civil se posicionam

Um ponto que chama atenção na decisão é o posicionamento das autoridades durante a audiência de custódia. Segundo o magistrado, “tanto a autoridade policial quanto o Ministério Público não postularam a decretação da custódia cautelar da detida, tendo o órgão ministerial se posicionado pela adoção, no caso, de providências substitutivas da prisão.”.

Comunicado do MPBA:

"O Ministério Público do Estado da Bahia manifestou-se favoravelmente à concessão de liberdade provisória a turista presa por injúria racial, em razão de a investigada não possuir antecedentes criminais e por não ter sido o delito cometido com violencia ou grave ameaça.

O parecer defende a substituição da prisão por medidas cautelares, como comparecimento em Juízo para justificar as atividades. restrição de acesso a determinados locais, proibição de saída do município de residência sem autorização judicial, contato com vítimas e testemunhas com fixação de distanciamento mínimo, recolhimento domiciliar noturno e participação em cursos de conscientização e programas de reeducação sobre igualdade racial e combate ao racismo.

Leia Também:

Prisão em flagrante no Pelourinho

Gisele foi presa após uma cena de injúria racial registrada na noite da última quarta-feira, 21, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. De acordo com a Polícia Civil, a vítima, uma comerciante local, trabalhava em um bar durante uma festa quando foi alvo de ofensas de cunho racial. Ainda conforme o registro, a turista teria cuspido na comerciante enquanto ela exercia suas funções.

A Polícia Militar foi acionada e conduziu a suspeita à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). Segundo a corporação, o comportamento discriminatório continuou mesmo dentro da unidade policial. “A investigada continuou adotando uma postura discriminatória, chegando a exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca”, informou a Polícia Civil.

O caso seguiu com a realização de oitivas da vítima e de testemunhas ainda durante a madrugada. A investigação continua em andamento.

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Tags:

Bahia justiça Polícia racismo Salvador

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