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EDITORIAL

São João

Confira o Editorial do Jornal A TARDE

Editorial
Por Editorial
Imagem ilustrativa da imagem São João
Foto: Uendel Galter/ Ag. A TARDE

Festa de São João com Lua Cheia, noite de abundância recordista na colheita de milho, mesa farta e a música do forró dando à luz subgêneros diversos sem renegar a ancestralidade do xote, do baião, do maxixe e do coco.

Este é o cenário de fartura nos municípios baianos, mais uma vez superando os horrores de uma super seca, em virada no placar atribuída aos esforços emergenciais do governo do estado unido à população do campo e da cidade.

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No entanto, curtir apenas a “hedoné”, como no mundo arcaico se referia o “prazer”, é desperdiçar a oportunidade de conhecer os motivos de culto ao santo responsável por batizar Jesus Cristo, com água, sal e o sinal da cruz.

Maria, mãe de Jesus, era prima de Isabel, a mãe de João, nascido seis meses antes do “filho de Deus”, do qual, portanto era legítimo primo, embora com mais talento para retórica, nem por isso disputando a liderança dos apóstolos.

Ao contrário, um dos indícios de ter a festa joanina passado por metamorfose crescente de animação é o reconhecimento da importância de João, ao aparecer junto a um carneirinho, em sua imagem mais conhecida.

Trata-se de referência ao “cordeiro de Deus”, ao tirar os pecados do mundo, mas o adorável santo teve a cabeça decapitada, ao denunciar uma pecadora, por trair seu marido para casar-se com o cunhado, o governante Herodes.

Embora assassinado de forma brutal em 29 d.C., hoje quase 2 mil anos depois, permanece viva a memória de São João, a cada dança, canjica e licor, uma festa brasileira incomparavelmente mais bela e farta entre todas as outras.

Tida como celebração impossível de controle pela Igreja, durante séculos de hegemonia, a pândega foi, enfim, assimilada pelos católicos, mas hoje já há seguidores de seitas rejeitando a malemolência de dançar agarradinho.

Polêmicas à parte, muito além do “são joão do carneirinho”, tão bem representado por Luiz Gonzaga, há de se louvar o espetáculo dos grupos de dança (as quadrilhas), a reinvenção nordestina dos salões de baile franceses.

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Tags

cultura nordestina festa de são joão forró História de São João Música Regional Brasileira tradições juninas

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