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Ecos do tarifaço

Confira o editorial do jornal A TARDE desta quarta-feira, 29

Redação
Por Redação
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Enfim, aconteceu o civilizado encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, representando o ponto de partida para negociações relacionadas às tarifas impostas aos produtos nacionais pelos EUA.

Embora seja um primeiro passo para uma viagem sem data de chegada ao destino incerto, o chefe de estado brasileiro reafirmou seu otimismo para fechar acordos vindouros visando encerrar este capítulo com final feliz.

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Para o Brasil, o cenário auspicioso reflete sensação de vitória devido aos avanços significativos, com o estabelecimento de etapas e prazos para debater empecilhos tarifários, decorridos quase três meses do anúncio. A equipe econômica estadunidense está instruída a começar as tratativas nas próximas semanas, tendo uma reunião preliminar contado com três representantes de alto escalão de cada país.

A força-tarefa de Brasília reivindica a suspensão provisória das restrições, enquanto a diplomacia recomenda manter o ritmo desencadeado com o tête-à-tête dos mandatários de duas das maiores democracias do planeta.

Inicialmente difícil de desfazer, o nó górdio amarrando nações amigas teve origem, não se deve esquecer, na influência negativa de um deputado folguista e seu parceiro radicado na terra alheia. O mais impressionante, como lição do estadista de alta proa, foi a posição impossível de vergar do presidente do Brasil, em nenhum momento deixando de afirmar a soberania nacional rudemente atacada.

Não se pode dizer com certeza, mas vale investigar se teve esta força de caráter alguma parte na mudança de comportamento do polêmico Trump: do crítico intransigente de feições carrancudas ao tipo subitamente meigo.

Levando em conta o fato de o grande líder ter entre suas atribuições a de contribuir para a educação não-formal de seu povo, resta admitir ter Lula assumido cátedra de “civismo” graças a seu exemplo de prática virtuosa.

Independentemente do resultado das conversas sobre tarifaço, fica a lição de não se negociar os valores primordiais da república e defendê-la dos mesquinhos golpistas.

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