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‘LÁGRIMAS NO MAM’

Expansão e experimentalismo marcam série de Arnaldo Antunes

Série foi gravada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) e contou com a parceria do pianista Vitor Araújo

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales
Arnaldo Antunes e Vitor Araújo
Arnaldo Antunes e Vitor Araújo - Foto: Bob Wolfenson | Divulgação

A série ‘Lágrimas no MAM’, que estreou em 11 de setembro e conta com cinco episódios, encerra o projeto de Arnaldo Antunes e Vitor Araújo que teve início em 2021 com o lançamento do disco ‘Lágrimas no Mar’. Depois disso, a dupla percorreu o Brasil, a Europa e os Estados Unidos em turnê entre os anos de 2022, 2023 e 2024 e também apresentou ao mundo a versão ao vivo do álbum em abril deste ano.

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O cantor e compositor paulistano e o pianista pernambucano mergulham ainda mais no projeto com a série, que mostra, além de outras coisas, o show intimista na Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), com versões de músicas que marcaram a carreira de Arnaldo, como ‘Socorro’, ‘O Pulso’, ‘Longe’ e uma apresentação de ‘O Real Resiste’. Além disso, mais de 50 músicas integram o repertório do programa.

Em entrevista ao Portal A TARDE, a dupla deu detalhes da construção do projeto. Vitor disse que gosta de pensar que o primeiro de todos os trabalhos que foi o disco ‘Lágrimas do Mar’ é como se fosse um átomo do qual eles conseguiram “sair desdobrando e explodindo para várias direções”.

“No disco tem várias coisas que estão contidas em potência, mas que não estão lá completamente e que o show explode. Coisas que são exploradas mesmo no show. O show já um degrau a mais em relação ao disco. Aí do show, tem várias coisas que também estão lá em potência, como a inclusão de poemas do Arnaldo e experimentalismos no piano, e na série é como se todas essas coisas — que estão no disco e no show — também viessem em um mergulho mais profundo”, revelou.

Ele destacou que a série vem no final desse projeto com a expansão dos horizontes que existem no disco. “Uma expansão para todas as direções possíveis. Ali está contido tudo que a gente encontrou de interseção dos nossos universos — meu e de Arnaldo —, mas também de tudo que a gente encontrou um no outro e se empolgava”, continuou.

[...] Do microcosmo que está ali no disco tem esse macrouniverso da nossa parceria como dois artistas. A série tem bastante densidade, informação e muitas manifestações artísticas diferentes que a gente conseguiu fazer em cada um dos espaços do museu. Foi a melhor maneira possível de chegar ao final desse projeto.

Vitor Araújo - pianista

Os encontros no MAM aconteceram em dezembro de 2022, quando os artistas foram convidados pelo curador Daniel Rangel a fazer uma ocupação de 15 dias no museu. Na série, o público é apresentado a outras manifestações artísticas vividas no local para além da apresentação do duo. Também mostra performances de poemas e artes visuais (instalações, caligrafias, colagens e impressões em serigrafia) feitas pelo cantor.

“Foi um projeto que foi se expandindo. A nossa convivência foi mostrando novas possibilidades de linguagem, de conexão das nossas linguagens de várias formas e isso se revela de um jeito mais amplo mesmo na série, que aprofundou essa parceria e a gente desdobrou ela para outras manifestações”, disse Arnaldo Antunes.

Como o projeto foi pensado

Arnaldo Antunes e Vitor Araújo iniciaram o projeto em 2021
Arnaldo Antunes e Vitor Araújo iniciaram o projeto em 2021 - Foto: Bob Wolfenson | Divulgação

Segundo Arnaldo, inicialmente, a ideia era fazer um registro audiovisual do show e seria um documentário, mas após a visita aos espaços do MAM tudo mudou. “Quando a gente foi pra gravar novas ideias foram surgindo. A gente criou muita coisa no processo. Isso foi inevitável”, enfatizou o cantor.

Teve vários momentos especiais. Além disso, o lugar é muito inspirado. É um museu muito bonito.

Arnaldo Antunes - cantor

Bastante coisa foi filmada por muito tempo, de acordo com Vitor. “Eu imagino que tenha sido um desafio muito grande para o Rafael Gomes como diretor e também para o editor, o Vinicius Prado, em conseguir abarcar tudo o que a gente fez e, ao mesmo tempo, dar coesão, criar uma linha que faça sentido para quem vai assistir. A série é dividida em cinco episódios e o quinto é o show completo que fizemos na Capela do MAM. Em nenhum momento durante os quatro primeiros episódios a gente vê uma música completa do show, são sempre partes das músicas”, contou o pianista.

Vitor completou: “Tudo isso está bem contemplado na série. O que foi decidido se ia entrar ou não ficou muito dentro do que era possível colocar dentro dos quatro episódios”.

A série ‘Lágrimas no MAM’ é dirigida por Rafael Gomes, com produção de Rosa Celeste, Fabulosa Figura e Substância Filmes; e roteiro assinado por Arnaldo Antunes, Daniel Rangel, Rafael Gomes e Vinicius Prado Martins.

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Arnaldo Antunes Lágrimas no MAM Lágrimas no Mar MAM Museu de Arte Moderna da Bahia série Vítor Araújo

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