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PRESERVAÇÃO

Da construção à decoração, sustentabilidade é a maior tendência

Materiais reciclados e a redução de resíduos estão em alta no mercado imobiliário

Joana Oliveira
Por Joana Oliveira
A sede do escritório de  Antonio Caramelo foi o primeiro prédio a receber o Selo Verde Ouro da Prefeitura de Salvador
A sede do escritório de Antonio Caramelo foi o primeiro prédio a receber o Selo Verde Ouro da Prefeitura de Salvador - Foto: Caramelo Arquitetos / Divulgação

Com ondas de calor, enchentes e outros eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, está claro que sustentabilidade é uma questão do agora, não mais do futuro. Não à toa, um levantamento feito pela revista especializada AD PRO (Architetural Digest for Design Professionals), que ouviu incorporadoras, organizadoras e designs de interiores, o conceito sustentável é a maior tendência atual para o mercado imobiliário e deve perdurar nos próximos anos. Da escolha de materiais até o descarte do resíduo das obras, arquitetos e construtores têm optado por soluções que diminuam os impactos sobre o meio ambiente, sem deixar de lado o conforto e a estética dos imóveis.

O arquiteto Antonio Caramelo, que atua na área há cinco décadas, sempre esteve atento às inovações tecnológicas e aprimoramento de produtos e processos. A sede do seu escritório, construída no bairro soteropolitano de Ondina, em 2009, é considerada um dos primeiros projetos totalmente sustentáveis do país, e foi o primeiro prédio a receber o Selo Verde Ouro da prefeitura da cidade. “É um edifício de três pavimentos e dois mezaninos, feito em estrutura metálica de aço reciclado. Fizemos paredes duplas, com isolamento térmico e acústico graças ao enchimento de lã de PET [fibras de poliéster proveniente da reciclagem de garrafas]”, conta.

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Quinze anos depois, esse material à base de PET é um dos mais utilizados pelos escritórios de arquitetura Brasil afora, principalmente pelo potencial de reduzir a carga térmica dos imóveis. No caso do escritório de Caramelo, por exemplo, o uso de ar condicionado foi reduzido pela metade em relação ao que estava previsto no projeto. “Também usamos vidros triplos Cool Lite, uma tecnologia que absorve menos calor e controla a entrada de luz. A iluminação interna é feita por clarabóias”, acrescenta o arquiteto.

Outra inovação do prédio foi a captação de água da chuva, com capacidade de armazenamento de 10 mil litros, e o sistema de reuso do recurso: toda água usada é reaproveitada para a irrigação de jardins, limpeza e sanitários. E, se apostar numa construção mais sustentável antes parecia algo limitado a projetos de grande orçamento, hoje isso mudou. “Uma lâmpada de LED que já chegou a custar R$ 800 nos anos 2000, hoje é comprada por R$ 70, aproximadamente”, lembra Caramelo.

Ele diz que o setor está em transição da “manufatura construtiva” para a “industrialização” desse mercado. Um exemplo disso é o domínio da construção a seco, limpa, que, em vez de argamassa e blocos de tijolo, utiliza paredes de gesso, placas anti impacto, resistentes à água e ao fogo. “Algumas empresas já desenvolvem placas com todas essas características, limitando ao mínimo o desperdício de material. Antigamente, perdíamos cerca de 26% do material que entrava numa obra. Hoje, isso caiu para 12% ou 10%”, diz.

A arquiteta Karen Oliveira, sócia do escritório Arkie+, focado em imóveis sustentáveis, também se preocupa com o lixo gerado em cada projeto e tenta minimizar esse impacto ambiental por meio do reaproveitamento. “Muita gente pega o apartamento entregue pela construtora e quer mudar algumas coisas, trocar a bacia sanitária, por exemplo, é o mais comum. Eu tiro e doo para instituições que irão reaproveitá-la. Outras pessoas gostam de trocar o chão de taco. Também é possível doar a madeira ou transformá-la em outra coisa, como um painel”, conta.

Materiais ecológicos

Oliveira diz que a principal mudança que tem reparado no mercado em relação à sustentabilidade é a substituição de materiais. A madeira, antes tão utilizada em construções de todas as classes sociais no Brasil, tornou-se um produto nobre e de difícil acesso. Por isso, o foco voltou-se para a madeira ecológica e o MDF, produzido a partir dos resíduos do recurso natural, que tem cada vez mais variedade de acabamentos. “Essas são opções que mantêm o aspecto de aconchego no ambiente, sendo mais baratas.”

Ela também destaca o uso de outros produtos obtidos através do reaproveitamento, como o tijolo ecológico, o concreto reciclado e o rodapé de poliestireno (feito a partir do plástico reciclado). “O piso vinílico também tem sido muito usado nos projetos mais atuais e é uma excelente alternativa para reduzir a geração de resíduos”, acrescenta. No design de interiores, Oliveira recomenda privilegiar a iluminação ambiente e escolher materiais mais naturais, como tecidos de fibras vegetais, móveis e decoração feitos com madeira de reaproveitamento e plástico reciclado. Tudo para montar um espaço que acolha quem vive nele sem agredir o meio ambiente ao redor.

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Tags

aquecimento global construção sustentável eventos climáticos extremos impacto ambiental materiais ecológicos sustentabilidade

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