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Encourados de Pedrão lutam pela tradição e reconhecimento baiano

No domingo, 30, abertura oficial da Fenagro, o grupo desfilou no Parque de Exposições para lutar pela volta no 2 de julho

Carla Melo
Por
Encourados de Pedrão
Encourados de Pedrão - Foto: Uendel Galter/ Ag A TARDE

Gigantes personagens do sertão baiano, envoltos de peças de couro, gibão, guarda-peito, chapéu e perneira. Na cintura, espingardas, espadas e facas usadas para desbravar a mata extensa e mostrar a imponente força do vaqueiro: Essa é faceta plural do nordestino, estampada em personagens do escritor João Guimarães Rosa, que fortalecem a cultura nordestina

Essa também é a armadura que veste os Encourados de Pedrão, formado por 58 vaqueiros, que lutam para manter não somente a sua importância cultural, mas também a sua relevância para a história da Bahia, com participação na luta pela Independência do Estado.

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Em 1948, os encourados passaram a desfilar no 2 de julho para mostrar a sua essencialidade histórica e política para a Bahia. Essa tradição perdurou por décadas e hoje é símbolo de resistência cultural nordestina. Os vaqueiros desfilaram com seus cavalos até 2014 no 2 de julho, como símbolo de reconhecimento pela vitória no 2 de julho.

“A importância dos Encourados de Pedrão está desde 1822, há pouco mais de 200 anos, e representar um grupo dessa dimensão é muito importante para a Bahia. A gente representa a cultura nordestina como grupo de homens que foi lutar com os artefatos que tinham naquela época. E dessa forma, politicamente, a gente está aqui por conta do patriotismo da data”, disse Anderson Maia, presidente dos Encourados de Pedrão.

A partir de 2010, tudo mudou quando entidades protetoras de animais passaram a criticar a presença dos cavalos em festas na capital. A participação dos Encourados de Pedrão na festa do Dois de Julho então sofreu um abalo, até que foi suspensa depois de um processo contra o maltrato aos animais.

No domingo, 30, abertura oficial da Fenagro, o grupo, vestido com suas roupas de couro e portando berrantes em suas mãos, desfilou no Parque de Exposições para além de prestigiar o evento, lutar para que esse desfile volte a ser realizado no evento político e histórico.

Durante a cerimônia de abertura oficial da Fenagro, o governador do Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues, anunciou a retomada do desfile dos Encourados de Pedrão no dia 2 de julho com o uso da cavalaria.

“Queremos mostrar para as pessoas, que nossa cultura precisa ser mais valorizada. Da mesma forma que a Baiana de Acarajé, da mesma forma que o vaqueiro, nós queremos esse reconhecimento. O vaqueiro é a primeira profissão que existiu no mundo. O vaqueiro é quem começou todo o processo de história e veio ser reconhecido agora em 2013 como profissão. Nós só queremos nosso desfile que caracteriza a nossa história, que é o desfile do 2 de Julho”, completou Anderson.

Gigantes da independência da Bahia

Em julho de 1822, a corte portuguesa autorizou a criação de uma cavalaria com homens trajados de couro para, juntos com outros grupos, lutarem pela independência e manterem a ordem da província da Bahia.

Foi então criado um grupo com 39 pedronense, reunidos pelo jovem Manoel Martins Valverde, que marcharam até Cachoeira e seguiram para Salvador, onde participaram ativamente e ativamente das Batlhas que culminaram no 2 de julho de 1823, saindo vitoriosos. Voltaram para Pedrão, recebendo o reconhecimento e a perpétua gratidão do povo Pedronense, e hoje lutam para que sejam reconhecidos como Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia.

Vestimentas de couro e utensílios do sertão marcam os Encourados de Pedrão
Vestimentas de couro e utensílios do sertão marcam os Encourados de Pedrão - Foto: Uendel Galter/ Ag A TARDE
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Tags

cultura nordestina Encourados de Pedrão Festa do Dois de Julho Independência da Bahia Patrimônio Imaterial. Vaqueiros

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