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VERÃO 2026

Vai treinar na orla? Veja os sinais que indicam perigo real

Médicos alertam: a combinação de calor excessivo e falta de preparo muscular em Salvador pode esconder doenças silenciosas e lesões irreversíveis

Valdomiro Neto

Por Valdomiro Neto

05/01/2026 - 7:19 h | Atualizada em 05/01/2026 - 7:56

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Orla de Salvador
Orla de Salvador -

O verão chegou em Salvador, e com ele as orlas e as quadras poliesportivas se tornam o cenário perfeito para aqueles que querem recuperar sua forma física para aproveitar os dias de sol na Bahia.

Porém, a prática do esporte de maneira despreparada pode causar impactos negativos na saúde do “atleta de verão”. Por isso, a reportagem do Portal A TARDE convidou os especialistas Marcos Lopes, ortopedista do Hospital da Bahia, e Rodolfo Dourado, coordenador da UTI cardiológica do Hospital da Bahia, para explicar como deve ser feita a preparação para essa temporada de verão.

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Orla de Salvador
Orla de Salvador | Foto: Ascom | Jefferson Peixoto

Lesões do entusiasmo

O calor e o cenário costeiro da capital baiana são convites irresistíveis ao exercício. Contudo, o Dr. Marcos Lopes alerta para as chamadas “lesões de entusiasmo”, fenômeno comum entre praticantes repentinos de atividades físicas.

“A lesão de entusiasmo é, basicamente, o excesso de carga em pouco tempo em um corpo sem lastro muscular e sem condicionamento para absorver o impacto, seja no asfalto ou na areia”, explica o ortopedista.

As ocorrências mais comuns incluem:

  • Tendinopatias: relacionadas ao aumento rápido de carga, saltos e mudanças bruscas de direção.
  • Lesões ligamentares: entorses de tornozelo e joelho em arrancadas e giros, frequentes em esportes de areia como o futevôlei.
  • Lesões por estresse ósseo: afetam canelas, metatarsos e tíbia devido ao aumento súbito de volume e frequência.

Lopes ressalta que o asfalto, sem a técnica adequada, eleva o risco de dores no joelho, quadril e coluna. Já na areia, a exigência sobre os músculos estabilizadores e a panturrilha (tríceps sural) é maior, com estudos apontando risco elevado de tendinopatia de Aquiles em comparação ao asfalto.

Riscos para o coração

Para o Dr. Rodolfo Dourado, o perigo é acentuado para aqueles que abandonam o sedentarismo de forma abrupta sob o sol forte: “O risco não é desprezível, especialmente quando combinamos três fatores: sedentarismo, esforço físico intenso e calor excessivo”, alerta o cardiologista.

Ele explica que, no calor, o corpo desvia parte do fluxo sanguíneo para a pele para regular a temperatura, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular. Em pessoas com doenças silenciosas — como hipertensão não diagnosticada ou doenças coronárias iniciais — esse estresse pode desencadear infartos e arritmias.

Surfista na orla de Salvador
Surfista na orla de Salvador | Foto: Ascom | Jefferson Peixoto

Calçado e aquecimento

A escolha do equipamento ajuda a modular os riscos. Segundo o Dr. Marcos Lopes, um tênis com boa absorção de impacto ajuda a distribuir melhor as forças, reduzindo a sobrecarga.

Já o aquecimento é vital: “A prática aumenta a temperatura muscular e prepara tendões e ligamentos para a carga rápida, reduzindo o risco de lesões musculares”, afirma.

Checklist de saúde: exames necessários

Para quem pretende iniciar uma rotina regular, especialmente acima dos 35-40 anos, os especialistas recomendam uma avaliação inicial básica:

  • Consulta médica: para histórico familiar e clínico.
  • Eletrocardiograma (ECG) e Ecocardiograma: para avaliar o ritmo e a estrutura do coração.
  • Teste ergométrico: para observar a resposta cardíaca ao esforço.
  • Exames laboratoriais: glicemia, colesterol e função renal.

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Hidratação estratégica

Em Salvador, apenas água pode não ser suficiente. Com o suor, perdem-se eletrólitos (sódio e potássio) essenciais para o coração e músculos. “O erro comum é beber muita água sem repor o sal, o que pode causar desequilíbrios perigosos”, pontua o Dr. Rodolfo. Em atividades acima de 60 minutos, recomenda-se o uso de bebidas isotônicas.

Dor de esforço ou lesão ligamentar?

A regra para diferenciar é a persistência:

  • Adaptação: Dor leve e difusa que melhora com 2 ou 3 dias de descanso.
  • Lesão: Se a dor limita a função, gera inchaço, instabilidade (“falseio”), ou se houve um estalo audível no momento da atividade, é necessário buscar avaliação profissional.

Sinais de alerta: quando o coração corre perigo?

Alguns sintomas são frequentemente negligenciados por parecerem "normais" durante o cansaço do treino, mas o Dr. Rodolfo Dourado alerta que eles indicam sobrecarga ou arritmia:

  • Tontura ou sensação de desmaio;
  • Náuseas ou mal-estar inexplicável;
  • Falta de ar desproporcional ao esforço realizado;
  • Palidez ou suor frio;
  • Dor ou aperto no peito, ombro, costas ou mandíbula;
  • Palpitação ou batimentos irregulares.

A orientação é clara: ao sentir qualquer um desses sinais, interrompa o exercício imediatamente e procure ajuda médica, especialmente se os sintomas não cessarem com o repouso.

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Tags:

atividade física hidratação Lesões esportivas Preparação Física Saúde Cardiovascular verão

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