
Por João Grassi
Com muitas emoções no início, meio e fim, a temporada de 2025 chegou ao final para o Vitória. O principal objetivo do clube — a permanência na Série A do Brasileirão —, foi atingido, mas o ano envolveu uma série de turbulências.
Depois de um começo cercado de expectativas, o Leão da Barra foi do inferno ao céu de janeiro a dezembro. A temporada foi marcada por momentos difíceis, alguns de alívio, além de uma participação ativa da torcida.
O Portal A TARDE traz uma retrospectiva sobre o 2025 do Vitória. Com detalhes, relembre abaixo como aconteceu o ano rubro-negro.
Início promissor e invencibilidade
Após um fim de 2024 coroado com a classificação para a Copa Sul-Americana, o Vitória decidiu apostar na continuidade do então técnico Thiago Carpini, que participou ativamente do planejamento de 2025.
Com contratações que geraram expectativa, principalmente o meia Wellington Rato, o Leão emendou invencibilidade de 22 partidas iniciada na temporada anterior, o que trouxe a impressão de que 2025 poderia ser ainda melhor que 2024.
Além de Rato, outros jogadores de destaque foram contratados, como o zagueiro Lucas Halter e os volantes Baralhas e Ronald. Contudo, assim como Alerrandro que já havia saído no fim do ano passado, Wagner Leonardo e Lucas Esteves saíram do clube.
Outros atletas importantes contratados ainda no primeiro semestre, já após o encerramento dos estaduais, foram os atacantes Erick e Renato Kayzer, os dois artilheiros do time baiano na Série A.

Primeira frustração
A primeira decepção do Vitória em 2025 ocorreu justamente quando a sequência invicta foi encerrada. O Leão da Barra foi eliminado para o Náutico, clube que disputou a Série C, apenas na segunda fase da Copa do Brasil, ainda em pleno Barradão. Fora do principal mata-mata nacional de maneira precoce, o Vitória fazia, naquele momento, seu pior jogo na temporada. A confiança no técnico Thiago Carpini, contudo, ainda era resistente devido a um início forte de temporada.

Vice no Baianão
Líder da primeira fase, o Vitória defendia o título do Campeonato Baiano com direito a decidir em casa contra o rival Bahia. No entanto, uma derrota por 2 a 0 com baixo nível de competitividade no confronto de ida tornou a decisão no Barradão um desafio complicado.
Apesar da dificuldade diante de um rival com maior investimento, o Leão foi valente e conseguiu mandar em boa parte do jogo da volta. No entanto, a grande desvantagem no agregado e uma série de brigas generalizadas dificultaram a tarefa. 1 a 1 no placar e um amargo vice-campeonato diante da torcida.

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Eliminação na Copa Sul-Americana
Uma das grandes apostas da diretoria para 2025 era a Copa Sul-Americana, a qual o presidente Fábio Mota projetava chegar na final, conforme dito em entrevista à rádio A TARDE. O Vitória novamente decepcionou e caiu logo na primeira fase em um roteiro pra lá de dolorido.
Além de não ter vencido nenhum dos três jogos no Barradão, o Leão coroou a má campanha com uma despedida daquelas. Para se classificar aos playoffs, bastava apenas empatar com o Universidad Católica fora de casa, que já não brigava por nada na tabela.
No entanto, mesmo jogando com um homem a mais em grande parte do duelo, o Rubro-Negro se 'autoeliminou’ com um gol contra de Gabriel Baralhas em jogada envolvendo o goleiro Lucas Arcanjo. O time equatoriano terminou a partida sem finalizações no alvo.

Chegada de Gustavo Vieira
A queda na Copa Sul-Americana causou grande insatisfação dentro da diretoria do Vitória, que não demorou a agir. O então executivo de futebol Manoel Tanajura Neto, que havia sido promovido, retornou ao cargo de gerente de futebol. Para seu lugar veio Gustavo Vieira, profissional que ficou marcado por declarar que o Leão “é sexy” em referência ao mercado.
Entre as contratações na gestão de Vieira, destacam-se principalmente o lateral-esquerdo Ramon, o goleiro Thiago Couto e o meia-atacante espanhol Aitor Cantalapiedra, reforços que terminaram o Brasileirão como titulares e foram importantes.

Copa do Nordeste e fim da linha para Carpini
A pausa para a Copa do Mundo de Clubes parecia um alento para o Vitória, devido ao tempo que o já contestado Thiago Carpini teria para uma tentativa de arrumar a casa. O retorno aos jogos, no entanto, veio com uma das piores atuações do ano e uma eliminação precoce na Copa do Nordeste.
Derrotado para o Confiança em pleno Barradão, o Vitória mergulhou de vez na crise. Alvo de protestos da torcida, Carpini dessa vez foi quem não resistiu a sequência de maus resultados e acabou demitido. Foram quase 14 meses de passagem no clube.

Fábio Carille e a briga contra o rebaixamento
Para substituir Carpini, a diretoria rubro-negra recorreu ao experiente Fábio Carille. O técnico campeão brasileiro pelo Corinthians também não demorou a desembarcar em Salvador e já ficou à disposição para o compromisso seguinte do time.
Apesar de uma atuação competitiva em comparação com as partidas anteriores, a estreia foi com derrota para o Internacional no Beira-Rio. A campanha não era boa e o Leão naquele momento entrava na zona de rebaixamento.

8 a 0 no Maracanã e queda de Carille
Com um sistema defensivo que não apresentava solidez, o Vitória de Carille ficou marcado por abrir vantagem em jogos no Barradão e deixar escapar resultados importantes no fim. Foram três empates doloridos por 2 a 2, contra Sport, Palmeiras e Juventude.
O pior ainda estaria por vir. Desfalcado, o Vitória foi até o Maracanã desacreditado para enfrentar o poderoso Flamengo, que se sagraria campeão da Série A ao fim da competição. Não era um jogo de grandes expectativas, mas o Leão perdeu por 8 a 0 e quebrou uma série de recordes negativos.
Logo após o apito final, o presidente Fábio Mota veio a público dizer que estava “envergonhado”. A demissão de Carille não demorou a vir, anunciada na madrugada depois da goleada histórica.

Solução da casa
Com a saída de Carille, o Vitória optou por apostar em uma solução caseira. Ídolo como jogador e técnico do Sub-20, Rodrigo Chagas ganhou a chance de comandar a equipe profissional após quatro anos.
Apresentado com moral, Chagas teve uma passagem relâmpago que durou apenas três rodadas. Embora não tenha sido demitido, deixou o comando do time e se tornou parte da comissão permanente.

Chegada de Jair Ventura: reação e salvação
Vivendo situação crítica no Brasileirão, o Vitória tentava sua última cartada em busca de salvar uma temporada em que nada funcionava. Conhecido por campanhas de recuperação, Jair Ventura foi contratado e desde que chegou se mostrou confiante na permanência.
Com um trabalho impecável, Jair fez o Leão subir consideravelmente de aproveitamento e venceu sete dos 14 jogos em que esteve à beira do gramado, além de dois empates. Vale destacar que oito desses adversários terminaram na primeira metade da tabela.
Mesmo chegando na última rodada do Brasileirão dependendo do tropeço de pelo menos um concorrente, o Vitória conseguiu se livrar do rebaixamento e deu um alívio para sua torcida. Jair Ventura, inclusive, renovou seu contrato e fica no clube para 2026.

Eleições
Menos da uma semana após o fim do Campeonato Brasileiro, o Vitória finalizou o ano com a eleição dos Conselhos Gestor, Deliberativo e Fiscal. A Chapa Leão Colossal, do presidente Fábio Mota, venceu todas as disputas com votação expressiva.
Além da reeleição de Mota, Nilton Almeida e Raimundo Viana também seguem em seus cargos e a chapa conta com 119 conselheiros. A Aliança Vitória SAF, do candidato Marcone Amaral, acabou derrotada nas urnas e ocupará 31 cadeiras no conselho.

O melhor ‘jogador’ rubro-negro
Em um ano de tantos insucessos, a torcida do Vitória teve papel fundamental na fuga contra o rebaixamento. Os rubro-negros lotaram o Barradão em diversas oportunidades, compareceram nos treinos abertos e se reuniram em mobilizações no Aeroporto, conhecidas como ‘AeroNego’.
O apoio foi tão significativo que até rendeu elogios de adversários, como o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol, e de Davide Ancelotti, treinador do Botafogo. A torcida do Vitória, foi, sem dúvidas o 12º e melhor jogador do time na temporada, sendo essencial para a permanência.

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