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Setor têxtil cai, e mantém perspectiva deficitária para 2025

As expectativas para 2025 ensejam para a produção industrial um crescimento tímido de 1,2%

Carla Melo
Por Carla Melo
A estimativa é menos da metade do crescimento registrado em 2024
A estimativa é menos da metade do crescimento registrado em 2024 - Foto: Divulgação

Em 2024, o saldo da balança comercial do setor têxtil e confecções registrou uma queda de US$ 5,7 bilhões. A balança, que traz valores das importações e das exportações de mercadorias, aponta um aumento altamente significativo das importações frente às exportações - o que gera um impacto negativo no saldo do setor.

Os dados foram divulgados em coletiva de apresentação do balanço da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), nesta terça-feira, 14, para a imprensa. Foram apresentados os resultados do ano anterior e as expectativas de crescimento e de investimento para 2025.

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As expectativas para 2025 ensejam para a produção industrial um crescimento tímido de 1,2% (sendo a área têxtil de 1,4% e o vestuário, 1,0%). A estimativa é menos da metade do crescimento registrado em 2024. A queda, segundo o superintendente da ABIT, Fernando Valente Pimentel, se deve, principalmente, ao cenário internacional, mediante a agenda protecionista de Donald Trump.

“Trump vai causar uma turbulência no comércio interno, segundo apontam estudos norte-americanos. As mudanças na política protecionista, poderá causar uma desvalorização do dólar, que pode nos enriquecer na importação e na exportação, mas nos empobrece na produção”, disse ele.

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O ano anterior fixou um cenário exportador de US$ 908 milhões frente às importações, que foram de US$ 6,6 bilhões. “A balança comercial foi negativa. Além de ser um crescimento significativo, ainda é o primeiro desde 2005. Carregamos 20 anos deficitários. Perdemos capacidade exportadora. Deveríamos estar batendo a casa dos US$ 5 a 6 bilhões, se não fosse esse déficit”, disse o diretor.

Produção

Quando comparada com 2023, que também apresentou queda representativa, a produção têxtil contou com uma alta de 4,0%, o que segundo o superintendente da ABIT, isso ajudou na consolidação da cadeia produtiva do setor. O destaque vai para o vestiário, que é a principal categoria de consumo brasileiro e teve uma alta de 3,8% em relação à produção.

“Em 2024, o cenário da produção foi positivo e fechamos no azul após um 2023 negativo. Mas é preciso considerar que o fator preponderante para o resultado é a engrenagem do cenário deficitário de 2023. O vestuário é principal no setor diante de tantos segmentos”, disse ele.

As categorias de roupas, calçados e acessórios são as que mais desejam aumentar o consumo em 2025, com 455%, seguido de viagens internacionais e internet, com 41% e 35%, respectivamente.

Perspectiva 2025

As importações têm expectativa de crescimento de 5% (têxtil em 5,1% e vestuário, 3,3%); exportações em 6,4% (têxtil em 6,4% e vestuário em 5,8%) e empregos formais com crescimento de 6.150 de vagas (sendo a têxtil em 2.850 vagas e a vestuário em 3.300).

A ABIT também prevê o cumprimeito de uma agenda comercial no Brasil e no mundo para manter os acordos globais - sendo a importação brasileira responsável por 9% de produtos têxteis e confeccionados cobertos por acordos comerciais e 66% das exportações brasileiras de produtos têxteis e confeccionados coberto pelos acordos.

Há um objetivo também de fortalecimento do acordo Mercosul e da União Europeia - apesar de estar consolidada como uma potência de produção do setor. A relação bilateral Brasil - UE é tida como a 2º maior parceiro comercial do Brasil, e em 2023 faturou US$ 92 bilhões com o comércio.

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