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Escândalo da cripto: entenda o envolvimento do presidente Milei

Polêmica resultou em uma "investigação urgente" e um pedido de impeachment na Argentina

Redação
Por Redação
Presidente da Argentina, Javier Milei
Presidente da Argentina, Javier Milei - Foto: AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, está envolvido em um dos maiores escândalos de criptomoedas dos últimos anos. A polêmica resultou em uma "investigação urgente" aberta pelo governo e um pedido de impeachment pela oposição.

Tudo começou quando Milei promoveu, no seu perfil oficial do Twitter, o investimento em uma cripto chamada $LIBRA, que seria a base para um projeto de financiamento de pequenas empresas.

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Na postagem, o presidente argentino explicou que a criptomoeda era "um projeto privado" para "incentivar o crescimento da economia argentina, financiando pequenas empresas e empreendimentos argentinos".

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Conforme detalhou a AFP, logo após a divulgação, a cotação da moeda atingiu um pico de US$ 4.978 (cerca de R$ 28.512). E em seguida, especialistas começaram a alertar de que a criptomoeda poderia ser uma "furada" para os investidores, pois a maioria das cotas estava nas mãos de poucas pessoas.

Com a forte alta da moeda, Milei começou a vender os ativos para obter os lucros, em uma ação que é conhecida no mercado financeiro como "puxada de tapete", em que os desenvolvedores de uma criptomoeda atraem investimentos legítimos, aumentam o valor do ativo e depois se desfazem de sua participação.

Milei, voltou atrás, apagou sua publicação e afirmou que "não estava ciente dos detalhes do projeto" e que "depois de tomar conhecimento, decidiu não continuar difundindo".

Estragos

Segundo apurações do Infomoney, baseadas na plataforma Lookonchain, a $LIBRA – criptomoeda promovida pelo presidente da Argentina, “roubou” US$ 107 milhões do projeto após um suposto “rug pull” – um tipo de golpe financeiro. O montante é 4% superior a todas as perdas registradas em 2024 por esse tipo de esquema, de acordo com um relatório recente da empresa de segurança blockchain SlowMist.

Na prática rug pull, uma criptomoeda nova é lançada, com investimentos pesados no marketing para atrair investidores, normalmente com apoio de pessoas relevantes. Depois que o projeto ganha valor e o preço do ativo digital dispara, os criadores vendem suas participações, embolsam os lucros e desaparecem, deixando os investidores com ativos sem valor.

Repercussão

Após a publicação da divulgação da $LIBRA, ela chegou a atingir US$ 4,5 bilhões em valor de mercado e horas depois o presidente apagou o post, alegando que não estava por dentro dos detalhes do projeto.

No entanto, apenas de tentar sair ileso da situação, o estrago já estava feito e o valor da criptomoeda despencou 92%, de acordo com dados da plataforma DexScreener. Já a empresa de análise Bubblemaps identificou que 83% do fornecimento do token estava concentrado em poucas carteiras, sinalizando que os criadores controlavam a maior parte da oferta.

A cripto foi criada pelo empresário Hayden Davis que em entrevista ao investigador de mercado cripto conhecido como Coffeezilla, confirmou que a equipe manipulou o lançamento da criptomoeda. Revelando que havia pessoas com informações privilegiadas e que US$ 100 milhões foram mantidos em carteiras do próprio projeto para controlar a liquidez e lidar com os snipers – bots que compram tokens automaticamente no lançamento para revendê-los rapidamente.

Davis também disse que as perdas foram maiores com a de Milei de apagar o post promovendo o projeto.

O caso da $LIBRA criou um grande impasse na Argentina e a oposição chegou a cogitar um pedido de impeachment contra Milei. “Esse escândalo, que nos envergonha em escala internacional, exige que apresentemos um pedido de impeachment contra o presidente”, declarou o deputado Leandro Santoro, membro da coalizão opositora.

Conforme advogados consultados pela agência Associated Press (AP), Milei pode ter cometido crimes como associação ilícita e fraude.

Além disso, o próprio governo abriu uma investigação sobre o lançamento da criptomoeda

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