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Teatro em Salvador convida plateia a investigar assassinato em cena

Espetáculo interativo que mistura comédia e investigação chega a capital baiana

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso

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Peça de teatro interativa chega à Salvador
Peça de teatro interativa chega à Salvador - Foto: Luca Comin | Divulgação

Comédia, melodrama e jogo de investigação se entrelaçam no mais novo espetáculo do Grupo TECA Teatro. A ideia nasceu de um desejo antigo da dramaturga Luciana Comin de criar uma obra interativa voltada para o público jovem.

Mistério no Teatro Molière acontece nos dias 2 e 3 de maio – sábado às 19h e domingo às 18h – no próprio Teatro Molière (Aliança Francesa), e será uma experiência em que o público poderá interrogar personagens, buscar pistas pelo teatro e debater as respostas para o mistério: afinal, quem matou Guilhermo Ramirez?

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Nessa peça-jogo, que tem direção e dramaturgia de Luciana Comin e Camilo Fróes, a plateia é convidada a participar da investigação do assassinato de Ramirez. Ela começa assistindo Os Manfredies – um melodrama escrachado, que logo sai dos trilhos quando um personagem não aparece em cena, já que o ator está caído e ensanguentado em outra parte do teatro.

“Nesses momentos, o público pode assumir o papel de detetive e interrogar os personagens suspeitos, procurar pistas pelo espaço e juntar peças do quebra-cabeça que levará à revelação do culpado”, detalha Comin.

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Mas há uma história por trás do jogo: a trupe de teatro acaba de perder um de seus membros. “E essa história é acompanhada através das cenas que são intercaladas pelos momentos de participação mais ativa do público. O tom é leve, alguns personagens são cômicos, mas o jogo da investigação é o condutor do espetáculo”, continua Luciana.

E com as portas fechadas para impedir que o culpado escape, as pessoas se juntam a um detetive particular (Daniel Calibam) e um médico legista (Pedro Teles) com o objetivo de tentar solucionar o crime.

Experiência imersiva

Direcionado ao público adolescente e jovem, o espetáculo lida com narrativas que lembrem jogos virtuais e histórias de mistério. “A iniciativa do grupo tem a ver com o desejo de se aproximar do público jovem e oferecer uma experiência que pode também ser a porta de entrada para outras experiências teatrais”, relata Luciana.

“É fato que são pouquíssimas as produções voltadas para esse público. O adolescente, especialmente, está numa faixa etária desprestigiada pela cena teatral e o resultado disso é o esvaziamento das plateias, pois poucos vão adquirir hábito de ir ao teatro depois de adultos”, arremata a dramaturga.

Com oito atores em cena – Julia Lira, Gésner Braga, Iara Colina, Camilo Fróes, Xuxa Hamilton, Klaus Hastenreiter, Pedro Teles e Daniel Calibam –, a montagem é uma imersão cômica, exagerada e farsesca que se passa nos bastidores de um grupo de teatro.

“Então é impossível não usar a nós mesmos como referência. E há ainda uma participação especial e misteriosa de Marcus Dioli. Esse espetáculo é uma grande brincadeira. Somos nós rindo das nossas próprias dificuldades”, avisa Fróes.

“A companhia teatral fictícia que criamos passa por dificuldades bem similares às nossas. O mistério é importante, mas mesmo que o público não descubra o assassino, além de engraçado o jogo é também desafiante”, complementa o ator/diretor Camilo.

Força do improviso

Para Gésner Braga, que interpreta Régis Mancini, um ator que se sente injustiçado, subestimado e claramente talentoso demais para aquela companhia de teatro, o público vai assistir a uma peça em que tudo vira um grande jogo.

“Meu personagem é um dos suspeitos do assassinato. Ele é o único profissional sério naquele lugar, mas infelizmente cercado de gente problemática: diretor autoritário, atrizes surtadas, protagonista picareta e por aí vai. O povo desocupado acha que eu matei o sujeito, como se eu fosse capaz de sujar minhas mãos com sangue por causa de um cachê atrasado”, ironiza Gésner.

“Opa, perdão por estar falando na primeira pessoa, mas é que eu trabalho com a verdade visceral como método. Então, essas confusões mentais costumam surgir. Sabe como é, né? Imersão profunda. Mas, enfim, Régis Mancini está sendo acusado injustamente apenas porque tenta sobreviver à incompetência geral”, brinca o ator.

E assim como Mancini, Stéfane também faz parte da companhia teatral. Vivida por Iara Colina, ela é uma atriz que ama o palco, mas se sente ameaçada pela nova geração de atrizes. “Stéfane é colega de companhia de teatro de Guilhermo, que foi assassinado durante a peça. Ela tem um passado com ele e motivos para não gostar de Guilermo. Sinto que não devo falar muito mais para não acabar dando pistas”.

Iara afirma ainda que está muito entusiasmada com o espetáculo porque adora fazer metateatro.

“Vou interpretar uma atriz e isso é muito divertido e desafiante ao mesmo tempo. O público vai ver um grupo de atores jogando em cena e vai jogar com a gente. Vai ser um teatro com muito improviso e isso é um exercício maravilhoso da arte teatral. Nós vamos interagir até descobrir quem é o assassino de Guilhermo, que é a grande estrela da companhia de teatro retratada na peça”, finaliza Colina.

Mistério no Teatro Molière

  • Datas: 02 de maio (19h) e 03 de maio (18h)
  • Local: Teatro Molière - Aliança Francesa, ladeira da barra, 401
  • Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
  • Vendas: Sympla ou na bilheteria no dia do espetáculo

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