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VAI TER O PÁSSARO?

Kannário dá forte declaração sobre o Carnaval de Salvador e revela seu futuro na festa

Cantor contou sobre seu histórico na festa, problemas ao longo dos anos e relação com o público

Gabriel Moura e Matheus Calmon
Por Gabriel Moura e Matheus Calmon
| Atualizada em
Igor Kannário criticou a criação de uma imagem pejorativa
Igor Kannário criticou a criação de uma imagem pejorativa - Foto: Inacio Teixeira

Igor Kannário segue firme com a decisão de não mais se apresentar no Carnaval de Salvador. A iniciativa, tomada no início do ano, é o reflexo de uma série de imbróglios e episódios denunciados - tanto em suas apresentações quanto em outros momentos - que desgastaram o artista.

"Sustentei durante 10 anos, mas eu cansei e não vou mais tocar no Carnaval do ano que vem. Não vou mais tocar em Salvador, porque eu cansei de estar me humilhando pra tocar no Carnaval de Salvador", disse o cantor, à época.

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Cinco meses depois, Kannário avalia, em conversa com o Portal A TARDE, que seu público carrega um rótulo que resulta em dificuldades na realização das apresentações e critica a criação de uma imagem pejorativa.

"Não é porque 'nós é' da favela que ninguém tem que criar porr* nenhuma, não. Cabelo duro tem valor, a pele preta tem valor. Tem um bocado de branco de olho azul que não vale uma banda de real, um monte de filhos da put*, hipócrita", detona o artista, que defende que o povo da favela merece respeito.

"Respeito é bom todo mundo gosta. Para me respeitar eu tenho que mandar tomar no cu, se foder. E eu tenho que respeitar até gente que me olha torto, que desigualdade", desabafa.

Algumas pessoas têm a mania de jogar os favelados pretos e periféricos à margem da sociedade, mas 'nós não nasceu' para viver às margens

Igor Kannário - Cantor e compositor

Ele reflete que, apesar de ter dinheiro e morando em condomínio de luxo, será sempre favelado. "Favelado não é um biotipo, favelado é essência, é carisma, é múltiplo, é a vontade real de vencer, de crescer. A gente paga o mesmo imposto, a gente frequenta a mesma faculdade, a gente anda com os mesmos carros importados, mesmo assim a gente não anda humilhando ninguém. A gente não pisa em ninguém".

O artista pontua que a sociedade deveria repensar seus conceitos e usar sua experiência e mudança de vida como arma de transformação.

Confira show com Kannário e Zé Vaqueiro juntos:

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"Sabe quanto jovem a gente já tirou das drogas quando parei de cheirar cocaína? Vários. Sabe quantas vidas já salvei me tornando Igor Kannário o ‘Príncipe do Gueto’? Vários. Você sabe quantas pessoas a gente transforma por ser fã desse bagulho aí? Vários, milhares de pessoas que a gente nem tem noção", diz ele, que segue.

"O ego grita muito mais alto do que o amor ao próximo, por isso que Judas existiu. Vai ter que me ver brilhando. Se o olho doer, bota lupa. Eu acho que Deus faz tudo certo. Sempre tem que ter alguém para poder lhe impulsionar, para fazer o que ele quer".

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carnaval folia momesca Igor Kannário música Pagode Salvador

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