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CONFERÊNCIA

Cultura brasileira LGBTQIA+ é tema de grupo de discussão em Brasília

Reunião foi uma das atividades autogestionadas da 4ª Conferência Nacional de Cultura

Matheus Calmon*
Por Matheus Calmon*
| Atualizada em
Imagem ilustrativa da imagem Cultura brasileira LGBTQIA+ é tema de grupo de discussão em Brasília
Foto: Matheus Calmon

Fazedores e fazedoras da cultura LGBTQIA+ no Brasil se reuniram nesta terça-feira, 5, em uma sala do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, para abordar questões relacionadas às dificuldades que a classe enfrenta para fazer cultura.

Com o tema "Fervo também é luta - Lançamento das proposições LGBTQIA+", o grupo reuniu propostas e sugestões de artistas na atividade que integra a 4ª Conferência Nacional de Cultura.

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A reunião contou com delegados, ouvintes e demais representantes da sociedade civil. Quem também estava na sala foi a ativista Symmy Larrat, secretária nacional dos Direitos da População LGBTQIA+, que integra o Ministério dos Direitos Humanos.

Em conversa com o Portal A TARDE, Symmy explicou que a reunião foi auto-organizada e teve o intuito de discutir formas de garantir as pautas LGBTs.

"Nós, Secretaria Nacional, viemos aqui dialogar, junto com várias secretarias do Ministério da Cultura, porque para nós é importante que toda a gama de diversidade seja visibilizada, para que esse fazer cultural que é tão diverso chegue na ponta como orientação tão diversa quanto".

Ela explicou ainda que as resoluções definidas, após aprovação, serão encaminhadas ao governo federal, para que sejam observadas e sejam analisadas a efetividade.

"Agora, o nosso compromisso aqui hoje foi para que esse debate inicial também seja oficializado enquanto entrega para a gente, para que a gente possa se debruçar enquanto direitos humanos do conjunto do que foi debatido, para a gente transformar isso nas políticas públicas que a gente já exerceu".

Durante a reunião, o artista visual, pesquisador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandro Ka, afirmou que a discussão acerca da cultura LGBTQIA+, é uma constante briga por um espaço dentro do entendimento do que são políticas públicas de cultura.

"Os fazeres, os entendimentos, os modos de se enxergar no mundo de pessoas LGBTQIA+, elas transversalizam várias linguagens artísticas, assim como elas também produzem arte, produzem ações. Existe uma produção cultural ligada a esse segmento que é produtora de sentido para essas pessoas, para nós, sujeitos LGBTQIA+".

Durante sua intervenção na reunião ele abordou a arte drag no Brasil, que se expressa de diversas formas. Durante sua intervenção, ele usou como exemplo o bar Âncora do Marujo, situado no Dois de Julho, em Salvador.

"A arte drag no nosso Brasil se expressa de forma muito diferente, contemplando características locais, regionalidades, como é o caso em Salvador, do Âncora do Marujo, um espaço que evidencia, dá um palco há vários anos para a arte transformista, mas super conectada às questões do sagrado, da religiosidade", disse Sandro ao A TARDE.

"O Brasil recodifica e transforma várias linguagens artísticas. Nesse caso, a gente volta a pensar na potência da cultura LGBT como um transformador de vidas e como uma forma de enfrentar também as violências LGBTfóbicas que a gente vive cotidianamente".

Representante da delegação baiana na reunião, Roberlan Araújo, coordenadora municipal de Cultura em Ituberá, também participou da reunião e frisou, ao Portal A TARDE, sentir fazer história ao poder contribuir com a construção das políticas futuras para o país.

"Somos o Nordeste que salvou o Brasil de tempos obscuros e é muito importante. As impressões do encontro é que nós estamos muito alinhadas, enquanto movimento LGBTQI+, alinhados, alinhades, com a necessidade de políticas públicas eficazes, urgentes, no sistema de gestão pública no que diz respeito à presença de pessoas trans e travestis ocupando esses lugares.

Roberlan frisa que a pauta principal é a defesa dos direitos humanos, o que não cabe exclusivamente ao público LGBTQIA+, mas a toda a população.

"O movimento LGBTQAI+ está aqui para dizer que nós temos conquistado direitos. Esses direitos já são nossos e nós não iremos recuar de maneira alguma contra os direitos que já estão garantidos a nós. Continuaremos lutando".

*Repórter viajou à convite do Ministério da Cultura

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arte drag brasília Conferencia Nacional de Cultura Cultura direitos humanos Diversidade grupo de discussão Inclusão LGBTQIA+ políticas públicas

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