LITERATURA
Autor baiano lança livro sobre as diferentes faces do Brasil; conheça
Marco Brito Mioni reúne contos que atravessam séculos para refletir o país

Por Beatriz Santos

Entre crises, improvisos e contradições, a pergunta “o Brasil não é para amadores?” volta e meia surge no cotidiano. É a partir dessa provocação que o autor Marco Brito Mioni constrói Os amadores do Brasil, obra que lança um olhar crítico e bem-humorado sobre a vida no país, reunindo histórias que atravessam o tempo e o espaço.
Dividido em três partes e composto por 23 contos, o livro percorre diferentes períodos históricos e regiões do Brasil.
As narrativas vão de um mito fundador sobre o surgimento da Bahia, no conto “Deus é brasileiro”, até um futuro distante, em que o país se torna a maior potência mundial no ano de 2200 d.C., em “A Quarta Guerra Mundial”. O percurso evidencia que a singularidade brasileira está justamente em sua multiplicidade.
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Combinando crítica, ironia, romance e tragédia, a obra apresenta personagens comuns que revelam as marcas da herança colonial, das desigualdades sociais e do famoso “jeitinho” de sobreviver.
O autor aposta em um olhar afetivo para celebrar a pluralidade cultural expressa nos costumes, sotaques, relações e sonhos de um futuro melhor.
As histórias ganham leveza ao tratar de situações absurdas e contraditórias da formação nacional. Em “Estados Unidos do Brazil”, uma paraense falsifica a certidão de nascimento da neta para garantir uma pensão.
Já “Isso vai acabar em Pizza” acompanha a busca de um gaúcho pelo reconhecimento da nacionalidade italiana, enquanto “Uma esmola, por favor” apresenta a relação improvável entre um caminhoneiro e pedintes em Campo Grande. Em “O Brasil em uma imagem”, o Cristo Redentor é usado como ponto de partida para questionar símbolos nacionais.
Segundo o autor, a motivação do projeto está diretamente ligada à necessidade de autoidentificação do povo brasileiro.
“Meu projeto nasceu da vontade de fazer nosso povo se ver no espelho e passar a se amar até na dor, daí o trocadilho com o título de quem ama até nas dores. O livro é um convite para rir e para refletir sobre quem é nosso povo, quem somos, como vivemos e como superamos este carimbo de que 'o Brasil não é para amadores"", explica o autor.
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