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Artistas internacionais celebram 10 anos de residência em Salvador

Programa do Goethe-Institut reúne criadores de vários países na capital

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Programa do Goethe Institut que recebe artistas e especialistas de vários países para morar em Salvador
Programa do Goethe Institut que recebe artistas e especialistas de vários países para morar em Salvador - Foto: Divulgação

Agora em março, a Residência Vila Sul completa uma década de pesquisas realizadas em Salvador. Um programa internacional do Goethe Institut que recebe artistas e especialistas de vários lugares para morar em Salvador por dois meses e pensar o mundo a partir do ‘Sul Global’.

Com o tema ‘Tecidos de Narrativas’, a residência artística está recebendo o primeiro grupo de artistas internacionais de 2026, previstos para ficarem aqui até 23 de maio. Eles vêm da Índia (Ankit Ravani), Peru (Maria José Murilo), Brasil/Argentina (Dudu Quintanilha) e Canadá (Alexandre Craig).

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A proposta, desta vez, é explorar o tecido, tanto como suporte material de histórias – presente em diversas culturas por meio de bordados, símbolos e técnicas de estamparia – quanto como metáfora para o próprio ato de compor narrativas. O projeto também quer refletir sobre o entrelaçamento destas histórias ao longo do tempo.

Para Friederike Möschel, diretora do Goethe Institut Salvador-Bahia, o tema nos convida a pensar sobre como histórias são construídas, compartilhadas e transformadas, sobretudo através de um ambiente onde essas narrativas podem se encontrar e se reconfigurar a partir de múltiplas perspectivas.

Espiritualidade e arte

Artista visual radicado em Berlim, cuja produção contém trabalhos com vídeo, performance, fotografia e texto, o paulista Dudu Quintanilha, 38, explora a subjetividade contemporânea, memória e espiritualidade, investigando as relações entre arte, ritual e convivência.

“Minha participação na Vila Sul irá ‘acontecendo’ e irei me entrelaçando com a cidade, seu ritmo, as pessoas, sua história e paisagem. Chego com o desejo de investigar e refletir sobre diferentes interseções entre espiritualidade e artes. Especificamente, me interessa observar e aprender com a arquitetura barroca da cidade, a filosofia do candomblé e seu legado”, define Quintanilha.

“Minha prática artística se concentra no vídeo e na performance para vídeo e, durante minha estadia, vou realizar algumas sessões de filmagem que vão desde scores performáticos a observação de arquiteturas barrocas”, complementa o artista.

Ele torce para que as relações iniciadas durante a residência sejam recíprocas. “Nesse sentido, espero que os encontros, as ideias e as conversas sejam inspiradoras. De certa forma, espero que meu trabalho possa acessar uma sensibilidade compartilhada e abrir – ou continuar – conversas não apenas sobre arte, mas também sobre como estamos vivendo”.

Já a peruana Maria José Murilo, 37, que cultiva especial interesse em se envolver com culturas e tradições têxteis locais, enraizadas em cosmologias indígenas e africanas, é uma artista que utiliza a tecelagem como prática de reexistência e afirmação de saberes indígenas andinos. Sua pesquisa compreende o tecido como sistema vivo de memória, identidade e transmissão de conhecimento.

“Pretendo investigar como esses horizontes culturais, embora em tensão, coexistem, se cruzam e resistem, dialogando conosco a partir do presente”. Segundo ela, Salvador pode esperar uma prática fundamentada na troca, na escuta e na colaboração.

“Durante esta residência, tenho interesse em me envolver com o tecido social e material local, gerando gestos de encontro e diálogo recíproco por meio do têxtil. Concebo a tecelagem como um meio-mãe, uma linguagem fundamental que, ao longo do tempo, conectou pessoas, histórias e formas de saber e existir entre comunidades, a natureza e o cosmos”, finaliza a artesã.

Celebração de aniversário

Este primeiro grupo de 2026 compreende ainda o indiano Ankit Ravani, artista visual e marionetista, cujo trabalho investiga relações entre o humano e o inanimado, criando narrativas visuais fragmentadas a partir de desenhos, objetos e performance.

E o canadense Alexandre Craig, artista multidisciplinar que explora as tensões entre o absurdo cotidiano e a busca por felicidade, combinando música, narrativa visual e observação do mundo.

E como parte das celebrações pelos 10 anos, a Vila Sul preparou uma série de iniciativas para 2026. Uma delas é o lançamento do podcast Under the Mango Tree – talks from Vila Sul, apresentado pelo ator e dramaturgo baiano Aldri Anunciação.

A série, em inglês, trará conversas com artistas residentes e convidados, com episódios mensais até o fim do ano. O primeiro – com a artista e pesquisadora Karina Griffith e com a fotógrafa e documentarista Nyancho NwaNri – será lançado em abril.

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