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Mercado da Construção Civil na Bahia: futuro promissor ou apagão de mão de obra?

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Tiago Bahia Amaral Alves*
Por Tiago Bahia Amaral Alves*
Imagem ilustrativa da imagem Mercado da Construção Civil na Bahia: futuro promissor ou apagão de mão de obra?
Foto: Divulgação

Vivemos hoje o maior apagão de mão de obra da nossa história? Tornou-se um demérito iniciar a vida profissional na construção civil? O que antes era motivo de orgulho passou a ser visto como vergonha? Ou surgiram opções mais atrativas — e talvez mais fáceis? As respostas não são simples. O tema é complexo e exige reflexão profunda.

Ao longo dos últimos anos, o setor da construção civil tem enfrentado grande dificuldade para captar e formar novos profissionais. Os jovens já não demonstram interesse por essa atividade. A geração que ainda sustenta esse mercado está envelhecendo, cansada e, muitas vezes, sem o vigor físico e mental necessários. A profissão é árdua, exige esforço intenso e a pressão crescente por metas e resultados tem afetado também o psicológico dos trabalhadores. Diante disso, é inevitável questionar: como será a construção civil em 2050?

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Nas redes sociais, multiplicam-se vídeos bem-humorados em que o pedreiro é tratado como rei para concluir uma obra. A brincadeira reflete uma realidade concreta: a mão de obra se tornou escassa e valorizada.

Trabalhar na construção exige acordar cedo, enfrentar trânsito, transporte público lotado, insegurança no trajeto e intenso desgaste físico e mental. Ao mesmo tempo, existem benefícios sociais para quem não está formalmente empregado. Soma-se a isso a explosão dos pequenos serviços e reformas, que ampliaram o famoso “bico”. Em muitas cidades, a diária chega a R$ 150 para ajudantes e R$ 250 para pedreiros. Um profissional autônomo que recebe R$ 600 em auxílio social e realiza 15 diárias no mês pode alcançar renda em torno de R$ 4.350. Se estivesse registrado, receberia algo próximo de R$ 2.500 líquidos, além de benefícios.

O Brasil convive com elevados encargos sociais que tornam cada contratação um risco significativo para as empresas. O passivo cresce imediatamente. Fica a pergunta: se pagássemos menos impostos, seria possível melhorar salários e atrair os jovens?

O desafio é comum. A demanda por obras residenciais, varejo, mercados e lojas segue alta. Mas quem irá executar essas obras com mão de obra cada vez mais rara? A qualificação agrava ainda mais o cenário. Construir exige técnica, engenharia, qualidade e processos bem definidos. Se já é difícil contratar ajudantes, como atrair novos profissionais?

Tecnologias construtivas surgem como alternativa, mas ainda avançam timidamente na Bahia. Há amplo espaço para evolução. É fundamental unir empresas de engenharia em busca de soluções inovadoras.

Mesmo diante desse cenário, alcançamos nosso melhor ano, superando R$ 80 milhões em faturamento e atuando em nove estados. Acreditamos na Bahia e no Brasil — um país rico em oportunidades que, apesar de tantos entraves, ainda nos permite acreditar em tempos melhores.

*Sócio diretor da Lumiere Engenharia Ltda

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construção civil Desafios do Setor inovação em engenharia mão de obra Mercado de Trabalho valorização profissional

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