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CONJUNTURA POLÍTICA

A estratégia da Bahia na COP28

Confira a análise feita pelo colunista Cláudio André

*Cláudio André de Souza
Por *Cláudio André de Souza
Estado lançou o 1º Atlas do Hidrogênio Verde (H2V) do mund
Estado lançou o 1º Atlas do Hidrogênio Verde (H2V) do mund - Foto: Divulgação

O protagonismo do Brasil ficou evidente na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), que tem como propósito garantir ações e compromissos efetivos dos países no combate às mudanças climáticas. O principal objetivo deste fórum é aprovar medidas que referendem as metas do Balanço Global do Acordo de Paris (Global Stocktake – GST), monitorando as metas globais de longo prazo. A COP28 pretende acelerar o debate tecnológico sobre fontes de energia limpas, garantir recursos financeiros para subsidiar ações climáticas dos países mais ricos para os mais pobres.

Neste aspecto, o Brasil lidera os holofotes da COP28, já que chega ao evento com uma queda de 40% no desmatamento da Amazônia desde janeiro deste ano, além do que as matrizes energéticas renováveis do país já beiram os 50% do total de energia gerada, o que insere o país em um contexto geopolítico amplamente favorável para a atração de recursos estrangeiros para a preservação ambiental, algo que já surte efeito. O Reino Unido anunciou sábado (2) que vai doar R$ 215 milhões ao Fundo Amazônia. O governo britânico também firmou contrato com o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que permitirá o repasse para o Fundo Amazônia das 80 milhões de libras (cerca de R$ 500 milhões), que já havia sido anunciado em maio deste ano. Quem não lembra do boicote do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2019 ao Fundo Amazônia? Naquele ano, o ex-presidente recusou doações de R$ 3 bilhões da Noruega e da Alemanha.

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E a Bahia na COP28? A inserção do estado na Conferência representa um protagonismo na estratégia de defesa de matrizes energéticas limpas com o lançamento do 1º Atlas do Hidrogênio Verde (H2V) do mundo em parceria com o SENAI/CIMATEC. O estudo mapeia as potencialidades das cadeias produtivas livres do carbono e com grande capacidade de atender o mercado interno e externo, o que pode colocar a Bahia a longo prazo em um novo ciclo de crescimento econômico de dimensão nacional.

De forma habilidosa, o governo baiano foi um dos articuladores do memorando entre o Banco Mundial e o BNDES que assegurará até 2030 recursos para o desenvolvimento de projetos experimentais de Hidrogênio Verde com linha de crédito de até R$ 5 bilhões. A inserção da Bahia na “revolução verde” envolve um cenário global em prol da descarbonização industrial, sendo que o nosso protagonismo em torno da economia verde pode assegurar um novo ciclo de desenvolvimento para a próxima década.

Antes disso, a Bahia precisa acenar para a resolução dos impactos ambientais do presente, o que requer políticas públicas integradas de monitoramento a curto prazo, algo que requer conferências, fóruns e a participação da sociedade civil.

*Cláudio André de Souza é Professor Adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UFRB). E-mail: claudioandre@unilab.edu.br.

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Acordo de Paris Cláudio André COP28 hidrogênio verde mudanças climáticas

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