Carrascal em lance contra o PSG na final do Intercontinental - Foto Gilvan de Souza/Flamengo
FUTEBOL
Flamengo expõe limites ofensivos e acende alerta por reforços
Análise sobre o pós-final contra o PSG, o mercado brasileiro e o dilema Neymar na Seleção

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A final do torneio intercontinental contra o PSG serviu como um diagnóstico claro para o Flamengo. Para alcançar o patamar dos grandes clubes do futebol mundial, como deseja a diretoria, será indispensável reforçar o time do meio para frente. Sempre que ultrapassava o meio-campo, a equipe perdia a bola com facilidade, pressionada por um sistema defensivo europeu intenso e tecnicamente superior.
Além disso, Pedro, como tem sido recorrente, não estava em sua melhor condição física, o que limitou ainda mais as opções ofensivas.
Talento suficiente para a América do Sul
Fora Arrascaeta e Jorginho, jogadores que poderiam disputar espaço na Seleção Brasileira, o restante do meio-campo ofensivo rubro-negro tem qualidade, mas dentro de um contexto nacional e sul-americano. Contra adversários de elite, essa diferença se torna evidente.
O cenário é oposto no sistema defensivo. Alex Sandro e Danilo têm nível de seleção. Léo Ortiz e Léo Pereira se aproximam do padrão dos principais zagueiros brasileiros. Varela, se fosse brasileiro, provavelmente seria convocado, ainda mais pela carência na posição. Rossi confirma-se como um goleiro de alto nível.
Mercado inflacionado e disputas diretas
Por isso, o Flamengo insiste na contratação de Kaio Jorge, reforço que faria enorme falta ao Cruzeiro, especialmente após a saída de Gabigol. Se quiser competir com Flamengo e Palmeiras por títulos, o Cruzeiro precisa manter Kaio Jorge e buscar outros nomes de peso. Gerson seria um deles.
O futebol brasileiro vive um período intenso de entradas e saídas de jogadores. O Flamengo tenta contratar o meio-campista Marco Antônio, do São Paulo, um perfil raro no país: técnico, móvel e capaz de atuar de uma intermediária à outra.
O Palmeiras acertou ao trazer Marlon Freitas, do Botafogo, e pode ganhar ainda mais com a volta de Paulinho, se ele recuperar o nível que apresentou no Atlético-MG. Já o Botafogo se desfigurou após os títulos do Brasileirão e da Libertadores.
Contratações pelo passado custam caro
Alguns clubes seguem cometendo erros recorrentes ao investir fortunas em jogadores pelo que renderam em outras épocas, e não pelo desempenho atual. O Atlético-MG, ao pagar valores elevados por Dudu e Roni, exemplifica esse risco. Investir melhor nas categorias de base segue sendo o caminho mais sustentável.
Neymar: talento, função e intensidade
A renovação de Neymar com o Santos reacende o debate sobre seu futuro na seleção. Se ele voltar a atuar em alto nível, com regularidade, e tiver boas atuações nos amistosos de março contra França e Croácia, a chance de disputar a Copa do Mundo é real.
A dúvida, porém, vai além da condição física. Se retornar à seleção, Neymar deve atuar como meia central, função hoje exercida por Matheus Cunha. Para isso, precisará marcar, se movimentar e percorrer grandes espaços — exatamente o que Cunha faz na seleção e no Manchester United.

O futebol mudou
Nos melhores momentos da carreira, Neymar partia da esquerda para o centro para decidir. Após o PSG, passou a atuar mais centralizado, em espaço reduzido, recuando para receber a bola parado. Esse modelo trava as transições rápidas e facilita a marcação adversária.
O futebol evoluiu. Hoje, talento sem intensidade não basta.
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