Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > COLUNA DO TOSTÃO

FUTEBOL

Equilíbrio, pressão e ideias que moldam o Brasileirão

Tostão analisa as oscilações do campeonato, os caminhos táticos das equipes e a necessidade de evoluir dentro e fora de campo

Rafael Tiago
Por
Carrascal, do Flamengo, e Arboleda, do São Paulo, em jogo do Brasileirão
Carrascal, do Flamengo, e Arboleda, do São Paulo, em jogo do Brasileirão - Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O Brasileirão confirma, rodada após rodada, que as incertezas e variações nas atuações são naturais em um torneio com diferenças técnicas pequenas entre muitas equipes. Logo na primeira rodada, os três melhores colocados do ano passado não venceram: Palmeiras empatou, enquanto Cruzeiro e Flamengo perderam.

Funções, não apenas posições

Como Paquetá costuma atuar em zona próxima à de Arrascaeta, Filipe Luís pode utilizá-lo partindo do lado para o centro, como o uruguaio, ou escalá-lo mais centralizado, próximo de Jorginho. O futebol moderno exige jogadores capazes de circular entre setores, marcar e construir.

Tudo sobre Coluna do Tostão em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

O dilema do Palmeiras

No empate contra o Atlético-MG, o Palmeiras manteve seu padrão eficiente: cruzamentos e lançamentos longos. A estratégia rende resultados, mas Abel Ferreira poderia alternar com maior domínio da bola e troca de passes para envolver o adversário. Para isso, conta com meio-campistas qualificados como Marlon e Andreas Pereira.

Como a marcação por pressão dificulta a circulação curta no meio, os lançamentos longos se tornaram recurso frequente no mundo inteiro — desde que não sejam a única ideia. Foi assim que saiu o gol de Vitor Roque.

O retrocesso do Cruzeiro

Na goleada sofrida para o Botafogo (4x0), o Cruzeiro repetiu um problema: marcação por setor sem pressionar quem está com a bola. Com Leonardo Jardim, a equipe era mais intensa, pressionava alto e recuperava a posse com rapidez. Sem isso, o time perde competitividade.

São Paulo e o papel de Marco Antônio

Após a vitória sobre o Flamengo, o São Paulo tem um caminho claro: usar Marco Antônio de uma intermediária à outra. Ele tem mobilidade, técnica e leitura para marcar, construir e avançar. Limitá-lo a um papel apenas ofensivo reduz sua influência no jogo.

Evoluir dentro e fora de campo

O futebol brasileiro pode crescer com a profissionalização dos árbitros, melhoria dos gramados e intercâmbio de treinadores e jogadores estrangeiros. Mas é essencial diminuir o tumulto constante em campo, muitas vezes incentivado também pelos treinadores. A crônica esportiva precisa evoluir junto.

O futebol além da tática

Escritores, poetas e jornalistas de outras áreas enriqueceriam a crônica esportiva ao falar de futebol sem vícios e clichês. O jogo não é apenas estratégia — é teatro, emoção e narrativa.

Armando Nogueira contava que assistia aos jogos ao lado de Nelson Rodrigues. Ao final, Nelson perguntava: “Quem foi o craque?”. Depois, escrevia textos repletos de exageros poéticos e metáforas inesquecíveis. O futebol também vive disso: imaginação, drama e arte.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

abel ferreira análise tática Brasileirão crônica esportiva futebol brasileiro

Relacionadas

Mais lidas