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ECONOMIA

O PIB cresce 0,4%, mesmo com juros altos. E agora?

Mesmo com Selic elevada e queda nos invetimentos, economia mantém resiliência e deve fechar 2025 com expansão mínima de 2,5%

Armando Avena
Por Armando Avena
Irrigação de uva
Irrigação de uva - Foto: Fernanda Muniz Bez Briolo - Embrapa / Divulgação

O PIB do Brasil cresceu 0,4% no 2º trimestre de 2025, desacelerando em relação ao trimestre anterior. Era de se esperar, afinal, nenhuma economia resiste a uma taxa de juros de 15% ao ano.

Mas, ainda assim, o PIB cresceu 2,2% em relação ao mesmo período de 2024, uma base elevada de cálculo. Aliás, é impressionante a resiliência da economia brasileira que, mesmo diante de uma taxa de juros escorchante, um garrote no crédito que reduz o consumo e o investimento, segue crescendo. Com isso, já está contratado para este ano um crescimento de pelo menos 2,5%. Mas o efeito da taxa Selic nas alturas já começa a aparecer, empossando o crédito e aumentando a inadimplência.

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O segmento da agropecuária, que havia sido destaque nos primeiros três meses do ano, caiu 0,1% no segundo trimestre, enquanto o setor de serviços, que representa cerca de 70% do PIB, cresceu 0,6% e o setor industrial teve variação positiva de 0,5%. A indústria de transformação foi a mais afetada e caiu -0,5%, e a construção civil com redução de -0,2%. Quem evitou a queda generalizada no setor industrial foi o crescimento de 5,4% na atividade extrativa.

Por outro lado, o consumo das famílias teve incremento de 0,5%, enquanto o consumo do governo recuou 0,6%. O mais grave, porém, é que os investimentos, que vinham crescendo há seis trimestres consecutivos, registraram queda de 2,2%.

A desaceleração é resultado do acelerado ciclo de alta da Selic, que já teve seus efeitos na inflação, hoje em torno de 0,25%, há três meses consecutivos. Mas, se o Banco Central espera que a economia entre em recessão para só então reduzir os juros, vai ter de enfrentar de novo a pujança do empresariado e da economia brasileira.

O segundo trimestre apresentou um arrefecimento na economia, mas nada indica que haverá recessão; pelo contrário, a desaceleração no segundo trimestre foi influenciada pela queda na margem do agro, mas o setor vai ter safra recorde e mantém um cenário de forte expansão anual. Por outro lado, nada indica que o setor de serviços vá reduzir fortemente sua atividade, principalmente porque, no segundo semestre, o comércio e o turismo tendem a deslanchar. E o tarifaço de Trump só afeta o universo micro, sem efeito na macroeconomia. No frigir dos ovos, manter os juros altos vai afetar mais fortemente a indústria e aumentar o nível de inadimplência da economia, mas o crescimento, de no mínimo 2,5% e no máximo 3%, já está contratado pelo carry over (a heran ça estatística) e pelo apelo ao consumo que se verifica no último trimestre do ano.

Não há elementos para afirmar que o ciclo de crescimento do PIB em torno de 3%, verificado nos dois últimos anos, saiu de cena, até porque, comparando com os 12 últimos meses, o PIB cresceu 3,4%. Isso só ocorreria com uma forte recessão nos dois últimos trimestres do ano, o que não parece provável, especialmente porque, frente à desaceleração inflacionária, mais cedo ou mais tarde o Banco Central terá de iniciar o ciclo de redução da taxa Selic.

Ciclo de crescimento

Desde 2021, após a pandemia, a economia brasileira desandou a crescer, pouco ligando para a polarização política no País. Com o resultado deste trimestre, o PIB brasileiro cresceu pelo 16º trimestre consecutivo e atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996. O setor de serviços e o consumo das famílias também atingiram patamares recordes. O último indicador negativo da atividade econômica no Brasil na comparação com o trimestre imediatamente anterior foi no segundo trimestre de 2021 (-0,6%). A taxa de crescimento anual média no período foi 3,5%. E a taxa acumulada de crescimento do PIB entre 2021/2025 será em torno de 18%. Os políticos passam, mas a economia fica.

A licitação da BR-324

A licitação da BR 324/116mar, antiga ViaBahia, agora chamada de Rota 2 de Julho, não pode ter erros, afinal é a base rodoviária de toda a economia baiana. E as propostas que saíram da audiência pública e vão para o edital de licitação são importantes. A concessionária vencedora terá de elaborar um “plano de 100 dias”, para identificar e resolver rapidamente os pontos críticos da rodovia, incluindo consertos no pavimento, sinalização e limpeza. Foram incluídas novas intervenções, como passarelas, e a otimização de investimentos voltados à ampliação da capacidade. E o cronograma de execução do contrato prevê três frentes de trabalho simultâneas para antecipar obras relevantes.

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banco central brasil economia Investimentos Juros pib Selic

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