Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ACB EM FOCO

ACB EM FOCO

Agronegócio na Bahia: uma janela de oportunidades

Confira a coluna ACB em foco

Washington Pimentel
Por Washington Pimentel
Imagem ilustrativa da imagem Agronegócio na Bahia: uma janela de oportunidades

O agronegócio baiano se consolidou como uma das engrenagens mais relevantes da economia estadual. Responsável por aproximadamente 30% do PIB da Bahia, ele não apenas impulsiona a produção e as exportações, como promove transformações concretas na vida das pessoas. A expansão das fronteira agrícola no Estado, o avanço das cadeias de soja, algodão, milho e fruticultura irrigada e a consolidação de polos agroindustriais ampliaram a oferta de emprego, elevaram a renda em regiões antes isoladas e viabilizaram infraestrutura que, em muitos casos, só existe por causa do agro — estradas, energia, conectividade, armazéns, logística e serviços especializados.

Não se trata apenas de produzir mais. Trata-se de produzir melhor e gerar efeitos sociais permanentes. O investimento privado tem viabilizado escolas técnicas, qualificação profissional, inovação tecnológica, manutenção de estradas vicinais e circulação de pessoas, insumos e mercadorias. O agronegócio tornou-se vetor de interiorização do desenvolvimento, aproximando comunidades de oportunidades e reduzindo desigualdades regionais. Hoje, a Bahia se posiciona como referência em um agronegócio tecnificado, competitivo e sustentável, com enorme potencial de expansão.

Tudo sobre ACB em Foco em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Entretanto, a competitividade construída dentro da porteira encontra barreiras estruturais fora dela. Rodovias deterioradas, ausência de ferrovias operantes e baixa eficiência portuária elevam, segundo pesquisas conduzidas por entidades de classe que representam o setor, em até 31% o custo logístico, reduzindo margens e comprometendo o acesso a mercados nacionais e internacionais. A falta de capacidade de armazenagem dificulta o planejamento da produção; problemas no fornecimento de energia elétrica limitam a instalação de agroindústrias; e a insuficiente conectividade digital impede o avanço de tecnologias de precisão e sistemas de gestão em tempo real — todos elementos essenciais à modernização do setor.

A esses gargalos somam-se desafios ainda mais complexos: a insegurança jurídica fundiária e ambiental. O estado vive um momento sensível, marcado por disputas territoriais, invasões de propriedades, titulações contestadas, alterações normativas constantes e processos de licenciamento imprevisíveis. Esse ambiente fragiliza o investimento, encarece o capital e compromete decisões estratégicas de longo prazo. Some-se a isso o avanço da criminalidade no interior, que impacta diretamente propriedades rurais, cooperativas, transportadores e, em última instância, a confiança necessária à atividade econômica.

O futuro do agronegócio baiano — e, por extensão, do desenvolvimento do próprio estado — depende de um tripé incontornável: segurança jurídica, infraestrutura robusta e estabilidade regulatória. Sem esses pilares, o potencial extraordinário da agropecuária e da mineração, capazes de ancorar uma nova indústria de base na Bahia, permanecerá subaproveitado.

Falo aqui como um entusiasta do setor e comprometido com a compreensão dessa complexidade: a Bahia não precisa reinventar sua vocação, ela precisa garantir condições para exercê-la plenamente. Transformar nossa vantagem competitiva em prosperidade sustentável exige Estado eficiente, respeito às regras, coerência regulatória e visão estratégica.

Esse é o desafio. E também a oportunidade histórica diante de nós.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

agronegócio Bahia competitividade desenvolvimento sustentável infraestrutura Segurança Jurídica

Relacionadas

Mais lidas