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POLÊMICA HISTÓRICA

O filme que aborda o Caso Dreyfus, citado pelo advogado de Bolsonaro no STF

Citação aconteceu durante o julgamento de Bolsonaro

Edvaldo Sales
Por
Cena do filme 'Oficial e o Espião', dirigido por Roman Polanski
Cena do filme 'Oficial e o Espião', dirigido por Roman Polanski - Foto: Divulgação

O advogado Paulo Bueno citou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro o Caso Dreyfus, que aconteceu na França e é considerado um dos maiores escândalos do erro judiciário. A citação aconteceu durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 3. A polêmica é tão famosa que já foi adaptada para o cinema.

“Não permitamos, em hipótese alguma, criarmos neste processo uma versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus, curiosamente também capitão de artilharia, acusado de crime contra a pátria, condenado com base em um rascunho de documento apócrifo, teve seu exercício de defesa constrangido em determinada altura e inegavelmente um dos casos que representa a cicatriz na história jurídica do ocidente”, disse Bueno.

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Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente, também citou o caso, em defesa do pai. “Jair Bolsonaro é o novo Caso Dreyfus, um dos maiores escândalos de erro judiciário do mundo. A história vai colocar os perseguidores em seu devido lugar”, escreveu o senador nas redes sociais.

O filme que aborda o Caso Dreyfus

'O Oficial e o Espião', dirigido por Roman Polanski, narra o caso Dreyfus, um erro judicial ocorrido na França do século XIX, que resultou em um escândalo político de grandes proporções. A arbitrariedade levou dez anos para ser corrigida e levantou acusações de antissemitismo e conivência contra figuras do alto escalão militar.

“Boas histórias rendem grandes filmes e o caso Dreyfus é uma história excepcional. A história de um homem injustamente acusado é fascinante, mas também é muito atual, dado o aumento do antissemitismo”, declarou o diretor em 2020, ano de lançamento do longa.

Ao final do século XIX, o Capitão Alfred Dreyfus (1859-1935) era um dos poucos judeus a integrar o exército francês, até ser acusado pelos companheiros de compactuar com a Alemanha por meio de espionagem. Julgado a portas fechadas, Dreyfus foi injustamente condenado por traição e sentenciado à prisão perpétua na ilha do Diabo.

Anos depois, surgiram evidências de que o verdadeiro espião era outro oficial, Ferdinand Walsin-Esterhazy. Em 1906, o processo foi anulado. Deyfrus, então, foi inocentado e reintegrado ao Exército.

No filme, a história é contada sob o ponto de vista do coronel Picquart, militar que revelou a armação. “Toda a ação, com diversos personagens e reviravoltas, acontece em Paris, enquanto o nosso personagem principal estaria preso. Era melhor contar a história do ponto de vista do coronel Picquart, um dos principais personagens”, explicou o cineasta sobre a escolha.

Para tornar a história acessível àqueles que a desconhecem, a narrativa foi construída na forma de uma investigação policial conduzida por Picquart, que não aceita a condenação e dá início a uma apuração independente do caso.

“O público compartilha cada etapa da investigação com Picquart. E todos os eventos principais são autênticos, assim como muitas das palavras ditas, porque são retiradas dos registros contemporâneos”, finalizou Polanski.

Assista ao trailer de 'O Oficial e o Espião':

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caso Dreyfus Jair Bolsonaro julgamento STF Superior Tribunal Federal

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