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‘Ainda Estou Aqui’ tem chances no Oscar? Especialistas respondem

Filme de Walter Salles segue em cartaz nos cinemas brasileiros

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales
‘Ainda Estou Aqui’ é baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe
‘Ainda Estou Aqui’ é baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe - Foto: Divulgação

A expectativa dos brasileiros em torno de possíveis indicações de ‘Ainda Estou Aqui’, de Walter Salles (‘Central do Brasil), no Oscar 2025 é grande. O filme, que levou mais de duas milhões de pessoas aos cinemas brasileiros, viu a sua popularidade crescer de maneira vertiginosa desde o seu lançamento.

Junto com isso, aumentou também a torcida do público para que a obra esteja entre os indicados – e vencedores — da premiação, em algumas categorias como Melhor Atriz, para Fernanda Torres (‘Tapas & Beijos’), Melhor Diretor, para Walter, Melhor Filme Internacional, entre outras.

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O Cineinsite A TARDE ouviu especialistas para entender como pode ser o desempenho do filme na premiação. Para o crítico de cinema e jornalista Rafael Carvalho, ‘Ainda Estou Aqui’ tem chances reais de indicação. “Especialmente na categoria de filme estrangeiro. Eu acho que o longa tem força em outras categorias, com Fernanda Torres para a atriz, apostaria também em Roteiro Adaptado e até Melhor Direção para o Walter Salles, embora essas duas últimas sejam um pouquinho mais complicadas”, disse.

O especialista acredita que a maior chance é na categoria de melhor filme internacional, “mas hoje, por exemplo, não apostaria porque a gente tem uma pedra no sapato que é o ‘Emília Pérez’, um filme que para a Hollywood já é estrangeiro, é dirigido pelo Jacques Audiard, que é um cineasta francês e se passa no México”.

“De certa forma, ele já tem essa cota do filme estrangeiro. E provavelmente vai ser indicado em muitas categorias. Ele vem muito forte esse ano, não só nas categorias principais, mas nas técnicas também. E é um filme que tem angariado muitas paixões em Hollywood. É hoje o grande concorrente do Brasil”, pontuou.

Seria maravilhoso ver ‘Ainda Estou Aqui’ vencer, vou torcer, claro, mas vencer eu acho mais difícil.

Rafael Carvalho - Jornalista e crítico de cinema

E Fernanda Torres?

Fernanda Torres em ‘Ainda Estou Aqui’
Fernanda Torres em ‘Ainda Estou Aqui’ - Foto: Divulgação

Uma das principais apostas para uma possível indicação é a atriz Fernanda Torres, que no filme interpreta Eunice Paiva e foi indicada na categoria Melhor Atriz em Filme Dramático no Globo de Ouro.

Segundo Rafael, ela é uma grande esperança, mas pontua: “fazendo uma análise mais fria, eu acho difícil ela ser indicada [ao Oscar]. E digo isso não só porque já tem ‘Emília Pérez’, que também tem uma atriz, a Karla Sofía Gascón, que está muito cotada para ser indicada e, de certa forma, seria a indicação estrangeira do ano. Duas atrizes estrangeiras indicadas talvez seja muito para a academia”.

E também porque a categoria de atriz esse ano, especialmente, está muito forte. Tem muitas possibilidades de indicações para muita gente. Tem pelo menos umas oito ou nove atrizes que estão muito cotadas e que podem estar entre as cinco indicadas. Eu gostaria de estar errado e de ver a Fernanda Torres vencendo, seria maravilhoso, mas hoje eu não apostaria nisso não.

Rafael Carvalho - Jornalista e crítico de cinema

O cineasta baiano, Lula Oliveira ('A Matriarca'), destacou, também em entrevista ao Portal, que o protagonismo da personagem feminina leva a potência exponencial da atriz Fernanda Torres. Para ele, “todo filme em competição já é vencedor” e uma vitória de ‘Ainda Estou Aqui’ no Oscar representaria uma “conquista histórica”.

Já Rafael ressaltou que se o filme vencer em alguma categoria no Oscar pode representar um “reforço para a boa fase que o cinema brasileiro vem tendo nos últimos anos, principalmente nos festivais internacionais”.

“Mas eu sinceramente não acho que mudaria muita coisa no cenário, na nossa produção. Eu acredito que a gente, independente do prêmio e da indicação, tem um cinema muito bom, interessante, muitas pessoas fazendo coisas muito boas, diferentes, diversas. A nossa produção é robusta, com todos os problemas de financiamento, de distribuição e de acesso aos filmes, são sempre essas questões que vão rondar o cinema brasileiro, já ronda há bastante tempo, mas é muito bonito ver esse interesse que o nosso audiovisual tem despertado lá fora”, pontuou.

Ele completou: “E acho que essa campanha do ‘Ainda Estou Aqui’ só reforça essa capacidade que o cinema brasileiro tem de se comunicar com os públicos de outros países. Era uma coisa que o cinema brasileiro tem feito nos últimos anos. Agora, também é importante a gente falar de como a campanha do ‘Ainda Estou Aqui’ tem sido feita com muito cuidado, atenção e seguindo, mesmo assim, os caminhos árduos do Oscar.

Vai reacender a paixão pelo cinema nacional?

Questionado se ‘Ainda Estou Aqui’ tem o poder de reviver a paixão do público pelo cinema nacional, Lula afirmou não acreditar que isso aconteça apenas com um filme, mesmo que seja premiado no Oscar. Ele ressaltou que é necessário uma política de acesso ao cinema nacional como um todo.

Rafael Carvalho complementou: “A gente precisa se perguntar primeiro: quando foi que existiu essa paixão? Quando foi que o cinema brasileiro teve esse lugar na cultura nacional de uma forma geral mesmo? Porque mesmo se a gente pegar a bilheteria maravilhosa do ‘Ainda Estou Aqui’, que até agora levou mais de 2 milhões de espectadores, esse número representa uma parcela ínfima da população brasileira como um todo. Esse número, que é incrível para uma produção brasileira, é muito pouco em termos gerais”.

“Mas eu acho que tem um fator que é a visibilidade, o filme ganhou a curiosidade das pessoas. Tudo que tem acontecido gerou uma curiosidade pelo filme e isso leva a outros filmes brasileiros. Acho isso super válido. Não sei o quanto isso é longevo, no sentido de fazer com que as pessoas busquem outros filmes, porque eu acho que esse público que consome o cinema brasileiro, ele já consumia antes”, finalizou o crítico de cinema.

‘Ainda Estou Aqui’ é baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva. O filme é ambientado no Brasil de 1971, e acompanha uma mãe de cinco filhos que é obrigada a se reinventar como ativista quando seu marido é levado pela Polícia Militar e desaparece sob sua custódia durante a ditadura militar.

‘Ainda Estou Aqui’, que tem Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro no elenco, segue em cartaz nos cinemas.

Assista ao trailer:

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