CARNAVAL
Justiça derruba decisão que garantia a Daniela Mercury abrir desfiles na Barra
Ordem dos blocos no circuito permanece conforme resolução do Comcar

O Tribunal de Justiça da Bahia restabeleceu a ordem oficial dos desfiles no Circuito Barra-Ondina para o Carnaval 2026 e suspendeu a decisão que havia garantido ao Bloco Crocodilo a primeira posição na programação. O Olodum será o primeiro bloco a desfilar no circuito Dodô neste domingo, 15, em Salvador.
A controvérsia começou após a Justiça da Bahia conceder liminar em mandado de segurança movido pela empresa responsável pelo bloco, liderado pela cantora Daniela Mercury. A decisão determinava que o Crocodilo voltasse a abrir os desfiles no domingo, 15, e na segunda-feira, 16, a partir das 15h30, retomando o que foi reconhecido como sua posição histórica no circuito.
Na ocasião, o Judiciário considerou o critério de antiguidade previsto no regulamento do Carnaval, destacando que o bloco foi pioneiro no Circuito Barra-Ondina ao inaugurar o trajeto em 1996. O magistrado também mencionou o princípio da segurança jurídica, ressaltando que o Crocodilo desfila de forma ininterrupta desde a criação do circuito. A decisão obrigava o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e a Saltur a restabelecer imediatamente a ordem histórica, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Leia Também:
No entanto, neste sábado, 14, o Tribunal concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado por blocos tradicionais de Salvador e derrubou a liminar. Com isso, fica mantida a programação definida pelo Decreto Municipal nº 41.415/2026 e pela Resolução nº 01/2026 do Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar).
Ao analisar o recurso, o desembargador entendeu que não há comprovação inequívoca de direito automático à primeira posição no desfile e ressaltou que a ordem é definida anualmente com base em critérios técnicos e administrativos, e não exclusivamente por antiguidade histórica. A decisão também considerou que mudanças às vésperas do evento poderiam causar impactos na logística, nos contratos firmados, na segurança pública e na organização geral da festa.
Rebaixado na fila ao longo de 30 anos
Em nota, a assessoria de Daniela Mercury, apresentou um levantamento baseado em registros oficiais da ordem de desfiles do Circuito Dodô (Barra-Ondina), entre 1996 e 2026, aponta um rebaixamento progressivo do Bloco Crocodilo ao longo das últimas três décadas. As planilhas de domingo e segunda-feira, organizadas pela Saltur com base nos Diários Oficiais do Município, indicam que o bloco foi sendo deslocado para posições cada vez mais distantes da abertura do desfile.
Em 1996, ano de inauguração do circuito, o Crocodilo desfilou no domingo na 5ª posição — segundo relato da própria Daniela Mercury, após decidir descer para a Barra e escolher aquele horário. Nos anos seguintes, passou a oscilar entre 6º e 7º lugares no fim da década de 1990, fixou-se em 8º nos anos 2000 e, a partir de 2011, aparece com frequência em 9º e 10º, sem retornar ao patamar inicial. Às segundas-feiras, o deslocamento foi mais rápido: a partir de 2002, o bloco passa a figurar nas posições finais, chegando repetidamente ao 11º lugar.
Mesmo com a extinção de blocos que tradicionalmente desfilavam antes — como Broder, Fecundança, Adrenalina e Me Leva — o Crocodilo não foi reposicionado para a dianteira.
Rebaixado na fila ao longo de 30 anos
Em nota, a assessoria de Daniela Mercury, apresentou um levantamento baseado em registros oficiais da ordem de desfiles do Circuito Dodô (Barra-Ondina), entre 1996 e 2026, aponta um rebaixamento progressivo do Bloco Crocodilo ao longo das últimas três décadas. As planilhas de domingo e segunda-feira, organizadas pela Saltur com base nos Diários Oficiais do Município, indicam que o bloco foi sendo deslocado para posições cada vez mais distantes da abertura do desfile.
Em 1996, ano de inauguração do circuito, o Crocodilo desfilou no domingo na 5ª posição — segundo relato da própria Daniela Mercury, após decidir descer para a Barra e escolher aquele horário. Nos anos seguintes, passou a oscilar entre 6º e 7º lugares no fim da década de 1990, fixou-se em 8º nos anos 2000 e, a partir de 2011, aparece com frequência em 9º e 10º, sem retornar ao patamar inicial. Às segundas-feiras, o deslocamento foi mais rápido: a partir de 2002, o bloco passa a figurar nas posições finais, chegando repetidamente ao 11º lugar.
Mesmo com a extinção de blocos que tradicionalmente desfilavam antes — como Broder, Fecundança, Adrenalina e Me Leva — o Crocodilo não foi reposicionado para a dianteira.
Espaço redistribuído e reação do bloco
Enquanto o Crocodilo recuava na fila, outros blocos avançaram. Em 2009, o Camaleão já aparece à frente na ordem dos desfiles. Nos anos seguintes, Me Abraça, Trio Armandinho e Largadinho também passam a ocupar posições anteriores. O espaço deixado pelos blocos extintos, segundo o levantamento, foi redistribuído entre outras agremiações.
Diante desse histórico, a direção do Bloco Crocodilo informou que irá recorrer da decisão judicial proferida neste sábado, 14. A empresária Malu Verçosa Mercury afirma que o reposicionamento não ocorreu de forma pontual, mas de maneira contínua ao longo dos anos, contrariando, na avaliação do bloco, o critério de antiguidade previsto no regulamento.
Segundo ela, após o primeiro desfile em 1996, blocos como Me Leva, Brother, Fecundança e Adrenalina passaram a se encaixar antes do Crocodilo por determinação da gestão municipal da época. Com o passar dos anos, essas agremiações deixaram de existir, mas o bloco não retornou ao primeiro lugar.
Malu também afirmou que, antes de acionar a Justiça, o bloco enviou ofício ao Comcar e à Saltur e tentou contato telefônico, sem retorno. Para a empresária, o recurso busca o reconhecimento de um direito histórico e chama atenção para o que classifica como apagamento da entidade, além de provocar reflexão sobre desigualdades estruturais no Carnaval de Salvador.
A diretoria aguarda agora a análise do mérito do recurso pelo Tribunal.
Prefeitura vai cumprir decisão e destaca dimensão histórica da festa
O presidente da Saltur, Isaac Edginton, afirmou que a Prefeitura de Salvador cumprirá o que for determinado pela Justiça sobre a ordem dos desfiles no Circuito Dodô (Barra-Ondina). Segundo ele, a gestão já havia começado a adaptar a programação para atender à primeira liminar e seguirá qualquer nova definição judicial.
“A gente da prefeitura vai cumprir o que a Justiça determinar, como já estávamos adaptando a programação para cumprir a primeira decisão. Houve agravo por parte da associação dos blocos e do Comcar, já existe uma segunda decisão, e nós vamos cumprir aquilo que for determinado”, declarou.
Edginton também afirmou que, pelo histórico da programação, não há registro de que Daniela Mercury ocupasse oficialmente a primeira posição de forma automática. Ele destacou que a ordem é definida anualmente em conjunto com os blocos e o Conselho do Carnaval, seguindo normas estabelecidas previamente.
O presidente da Saltur também lamentou a polêmica às vésperas da festa, mas destacou o desempenho geral da operação do Carnaval. “A gente adoraria que não tivesse esse tipo de problema, que não tivesse toda essa polêmica, isso não é legal no Carnaval, mas aconteceu. Por outro lado, estamos tendo um Carnaval extraordinário. Eu acho que, de fato, por tudo que vimos até agora, esse é o maior Carnaval da história”, concluiu.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




