PREPARAÇÃO PARA A FOLIA
Folia segura: como deixar seu corpo pronto para o Carnaval
Especialista dá dicas para ajudar na resistência física

Por Edvaldo Sales

Blocos que duram horas, quilômetros caminhados, muita dança, calor e pouco tempo de descanso transformam o Carnaval, na prática, em uma verdadeira maratona física. Mesmo assim, muita gente encara a festa sem preparo.
Apesar do aumento da visibilidade do fitness no dia a dia, a prática regular de atividade física ainda não é um hábito consolidado no Brasil. Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil, de 2025, apenas cerca de 5% da população frequenta academias ou centros de atividades físicas.
Esse contraste ajuda a explicar por que, ao fim da folia, são comuns relatos de dores musculares, fadiga intensa e até lesões que poderiam ser evitadas com preparo prévio.
Segundo Anderson Téu, educador físico e personal trainer, o principal erro é acreditar que o corpo “aguenta tudo” sem preparo. “Exige resistência cardiovascular, força muscular e capacidade de recuperação. Mesmo uma preparação simples já reduz o desgaste e o risco de lesões, além de permitir aproveitar mais dias de festa”, explica.
A seguir, o profissional listou algumas orientações práticas para curtir o Carnaval com mais segurança.
Invista em condicionamento prévio
“Não é preciso virar atleta para aguentar a folia, mas preparar o corpo com antecedência faz muita diferença. O ideal é começar duas a três semanas antes, com estímulos leves de força e mobilidade, duas ou três vezes por semana”, orienta Téu.
De acordo com o educador físico, exercícios simples já cumprem bem esse papel. “Agachamentos, elevação de panturrilhas, exercícios para glúteos e fortalecimento do core ajudam a dar mais estabilidade ao corpo. Esse fortalecimento protege estruturas articulares como joelhos e tornozelos, que são muito exigidas quando ficamos horas em pé, caminhando ou dançando”.
Cardio é seu maior aliado
“Blocos e festas exigem resistência contínua, não picos rápidos de energia. Por isso, o preparo cardiorrespiratório é fundamental”, explica o profissional.
Ele recomenda atividades acessíveis e feitas com regularidade. “Caminhada acelerada, bicicleta, escada ou elíptico, praticados por cerca de 30 a 40 minutos, três ou quatro vezes por semana, já ajudam o organismo a se adaptar ao esforço prolongado. Quem desenvolve esse preparo sente menos fadiga, se recupera mais rápido entre um dia e outro e reduz episódios de tontura e mal-estar”, relata.
Mobilidade antes e depois da programação
“A ativação muscular não é detalhe, é prevenção”, reforça Téu. “Antes de sair, a mobilidade prepara músculos e articulações para o esforço repetitivo. Depois, ajuda na recuperação e reduz a rigidez e as dores no dia seguinte”.
Algumas regiões merecem atenção especial, segundo ele. “Panturrilhas, posterior de coxa, quadril e lombar devem ser prioridade. Ignorar essa etapa aumenta o risco de inflamações e desconfortos persistentes”, orienta.
Escolha o calçado certo
“O calçado não deve ser escolhido apenas pela estética ou pelo conforto imediato”, alerta o educador físico. “Ele precisa oferecer estabilidade, leve amortecimento e segurança para longos períodos de uso”.
Téu explica que o impacto acumulado no decorrer do dia sobrecarrega joelhos, tornozelos e coluna, especialmente em pisos rígidos como o asfalto. “Um calçado inadequado pode transformar diversão em desgaste físico”, alerta.
Por fim, o profissional recomenda o uso de tênis fechado em blocos e festas de rua, por oferecer mais proteção contra pisões, impactos e torções, enquanto calçados abertos, como chinelos, aumentam o risco de machucados em ambientes lotados.
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