MERCADO
Aluguel de imóvel para Carnaval em Salvador chega a R$ 150 mil
Mesmo na véspera da folia, ainda existem opções de locação e até possibilidade de negociar preços

Por Mariana Bamberg

A menos de um mês para o Carnaval de Salvador, as ruas dos circuitos e do seu entorno revelam não apenas o movimento típico de montagem das estruturas da festa, mas também uma profusão de placas e anúncios de aluguel por temporada em apartamentos. Mesmo com a proximidade da folia, ainda há opções para quem não garantiu hospedagem, inclusive com possibilidade de margem para negociação de preços, que neste ano variam de R$ 6 mil a R$ 150 mil.
A média de preços em 2026 é de R$ 20 mil para sete dias em apartamentos localizados dentro do circuito Barra-Ondina. Os valores, no entanto, variam de acordo com a localização, o tamanho do imóvel e o período contratado. Proprietário de quatro apartamentos - um na Barra, dois em Ondina e um em Armação -, Roberto Cunha fechou a locação do primeiro imóvel para o Carnaval dez meses antes da festa, o que garantiu, nas condições de pagamento, a possibilidade de parcelamento em dez vezes para o inquilino. As buscas são tão antecipadas que ele já tem negociações para o Carnaval de 2027. Ainda assim, Roberto garante que há opções para quem não fechou negócio.
“Por exemplo, no Ondina Apart Hotel, onde tenho um desses apartamentos, muito buscado por conta da proximidade de camarotes, ainda existem opções. Cerca de 5% do que foi disponibilizado, mais ou menos”, estima.
É verdade que as opções disponíveis diminuem com a proximidade da festa, mas Roberto aponta um lado positivo para quem deixou para a última hora. “Nesse momento também começa o desespero. Os proprietários ficam com medo de deixar o apartamento vazio no Carnaval e, então, podem diminuir um pouco o valor, negociando com mais facilidade. O problema é que nem todo mundo consegue desembolsar R$ 20 mil em pouco tempo”, avalia.
Apartamentos mais antigos, especialmente em prédios de escada e sem elevador, costumam levar mais tempo para serem alugados e, por isso, ainda podem aparecer como alternativa mesmo a poucas semanas do Carnaval. Segundo Roberto Cunha, depois da localização, que segue como principal exigência de quem busca imóveis por temporada durante a festa, o estado de conservação do apartamento e a estrutura do prédio aparecem como os fatores mais relevantes para os inquilinos.
Em relação aos preços, Ondina é, em média, cerca de R$ 2 mil mais cara do que a Barra. O proprietário explica que a diferença está no perfil do público: quem escolhe Ondina quer ficar mais próximo dos camarotes, geralmente de alto padrão, enquanto a Barra atrai foliões interessados na saída dos blocos.
Além da localização e do estado do imóvel, outros itens passaram, nos últimos anos, a ser determinantes na escolha dos foliões. De acordo com o corretor Pedro Ortega, a presença de ar-condicionado, antes vista quase como um diferencial de luxo, hoje se tornou item essencial nos apartamentos alugados para o Carnaval, seja no circuito Barra-Ondina ou no Campo Grande, onde os valores, segundo ele, costumam ser entre 30% e 50% mais baratos.
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Mas não são apenas Barra, Ondina e Campo Grande que entram nas buscas dos foliões. O corretor cita ainda Canela, Graça e Corredor da Vitória como localidades que também fazem parte das negociações para o período carnavalesco. Por conta da distância dos circuitos, esses imóveis tendem a ter preços mais acessíveis, embora isso também dependa do tamanho e da estrutura oferecida.
“É possível encontrar um quarto e sala em um prédio de escadas, em uma rua mais afastada, por R$ 6 mil nos sete dias, mas também apartamentos com vista privilegiada, em estilo camarote, para o circuito, por valores que podem ultrapassar R$ 50 mil”, detalha o corretor. Segundo ele, os preços aumentam de um ano para o outro. Um imóvel anunciado por R$ 6 mil neste Carnaval, por exemplo, pode ter sido ofertado por cerca de R$ 4 mil em 2025.
Servidor público, George Oliveira mora no bairro do IAPI, mas está em negociação para alugar um apartamento no Campo Grande para passar o Carnaval com a família. O grupo, formado por cerca de 12 pessoas, reúne moradores de Salvador e parentes que vêm do interior, de Amélia Rodrigues. Este é o terceiro ano consecutivo que eles optam pelo aluguel por temporada na capital durante a folia.
A busca da família de George começou ainda em novembro, mas as negociações só avançaram a cerca de um mês da festa. Inicialmente, a ideia era alugar um apartamento com três quartos, plano que precisou ser revisto diante dos preços praticados no mercado, que giram em torno de R$ 15 mil na região. A alternativa encontrada foi um imóvel menor, com custo estimado entre R$ 7 mil e R$ 9 mil pelos sete dias de festa.
“A essa altura, em outros anos, nós já estaríamos terminando de pagar o valor total. Desta vez, encontramos poucas opções em plataformas como a OLX, a maioria era para a Barra”, relata.
Busca presencial
George conta que prefere buscar o imóvel de forma presencial, indo até a região do Campo Grande. Ele circula pelo bairro, conversa com porteiros e moradores, pega contatos, tenta visitar os apartamentos e depois, com negócio fechado, formaliza tudo por contrato. Assim, o grupo se certifica de que, como desejado, a localização é no início do circuito e há janela voltada para festa, além de verificar possíveis restrições do condomínio. “Alguns condomínios têm, por exemplo, quantidade máxima de visitantes permitida. Então já procuramos saber tudo isso”, conta.

A cautela adotada por George também é uma forma de evitar golpes. E não é para menos. O corretor especialista em aluguel por temporada e consultor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-BA) Luciano Braz não tem dúvidas de que datas festivas como o Carnaval costumam atrair ainda mais golpistas que se aproveitam da alta demanda e pressa do folião para encontrar uma hospedagem.
A principal orientação, segundo o consultor, é buscar sempre o apoio de um corretor credenciado e mapear a média de preços praticada no mercado. “É preciso se atentar aos valores, fazer uma pesquisa de mercado e evitar anúncios milagrosos, com preços muito abaixo do que é cobrado na região. Neste ano, já encontramos anúncios de até R$ 159 mil”, afirma.
Para quem opta por plataformas online, a dica é analisar o cadastro do anunciante, verificar se há avaliações de outros usuários, histórico de locações e se as fotos correspondem ao imóvel. “Tente visitar o apartamento. Se não puder, peça a um amigo da cidade para fazer a visita ou então faça uma videochamada com o anunciante para tirar dúvidas sobre o imóvel”, aconselha.
Por fim, assim como George, o consultor destaca a importância do contrato. É ele que vai estabelecer a quantidade máxima de pessoas no imóvel, definir direitos e deveres de inquilino e proprietário e oficializar a forma de pagamento, que, segundo Luciano Braz, por segurança, não deve ser feita na íntegra.
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