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135 ANOS DA ABOLIÇÃO

Lei Áurea: o 13 de maio é mesmo uma data a ser comemorada?

Políticos, ativistas e celebridades negras preferem celebrar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra

João Guerra
Por João Guerra
| Atualizada em
Em abril, o governo  revogou 'Ordem do Mérito Princesa Isabel' e criou o Prêmio Luiz Gama, em homenagem ao advogado abolicionista baiano
Em abril, o governo revogou 'Ordem do Mérito Princesa Isabel' e criou o Prêmio Luiz Gama, em homenagem ao advogado abolicionista baiano - Foto: Reprodução

Como a música “14 de maio” composta por Lazzo Matumbi e Jorge Portugal tenta alertar, o dia 13 de maio, quando se registra o dia da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888, não é uma data a ser comemorada.

“No dia 14 de maio, eu saí por aí / Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir / Levando a senzala na alma, subi a favela / Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci”, diz os primeiros versos da canção, lembrando que, mesmo com a instituição da lei pela regente há 135 anos, a população negra, após 300 anos da escravidão no país enquanto política de Estado entre os séculos XVI e XIX, não mudou a condição de marginalização da população negra.

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É por isso que as manifestações de políticos e celebridades no dia 13 de maio nem sequer são feitas ou, quando ocorrem, são tímidas. Para quem tem ligação com o movimento negro, a lembrança da data sempre ressalta que os efeitos da escravidão ainda não ficaram no passado.

Nomes como a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o ministro de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Silvio Almeida, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, não comemoraram o dia.

A página do Ministério da Igualdade Racial lembrou, em sua página no Instagram, que a abolição da escravatura do Brasil foi fruto da luta do movimento negro e não uma bondade concedida por um membro da família real brasileira.

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Uma publicação compartilhada por Ministério da Igualdade Racial 🇧🇷 (@ministerioigualdaderacial)

Já a da Sepromi, na Bahia, lembrou que o movimento negro de “apropriou da data” e a transformou no Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo.

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Uma publicação compartilhada por Sepromi Bahia (@sepromibahia)

Nesse sentido, desde a década de 1970, quando foi instituída o Dia da Consciência Negra no país, o dia 20 de novembro, que marca a execução de Zumbi dos Palmares, se tornou o verdadeiro marco de celebração do povo negro.

Um dos motivos pelos quais os movimentos negros contestam o papel protagonista da monarquia na libertação dos escravizados é o fato de que a Lei Áurea não resultou em políticas públicas que promovessem a inclusão socioeconômica dos afrodescendentes que foram escravizados. Essas pessoas não receberam direitos à terra ou documentos, e frequentemente trabalharam sem remuneração adequada.

Recentemente, no início do mês de abril, o governo federal revogou a 'Ordem do Mérito Princesa Isabel', assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em dezembro do ano passado, e criou o Prêmio Luiz Gama, uma homenagem ao advogado soteropolitano e um dos principais defensores da abolição da escravidão no país, que desempenhou um papel fundamental na libertação de pelo menos 500 cativos.

Confira posts de políticos e celebridades sobre a data:

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Uma publicação compartilhada por Sílvio Humberto (@silviohumberto_)

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Tags

13 de maio Lei Áurea luiz gama princesa isabel

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