COMBATE AO CRIME
Câmara rejeita mudanças do Senado e aprova PL Antifacção
Texto de autoria do Ministério da Justiça foi endurecido pelo relator

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira, 24, o texto final do Projeto de Lei Antifacção. Em votação simbólica, os parlamentares decidiram rejeitar as alterações feitas pelo Senado e retomar o parecer original do relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP).
Com a aprovação, a proposta segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O projeto endurece o combate ao crime organizado no país e prevê penas que podem chegar a 40 anos de prisão.
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Embate sobre o rigor
A versão aprovada resgata conceitos que haviam sido suprimidos pelos senadores, como a tipificação de "organização criminosa ultraviolenta" e o crime de "domínio social estruturado".
Derrite defendeu a necessidade de manter o rigor original para desarticular o poder territorial das facções.
Pelo texto aprovado, líderes dessas organizações deverão cumprir pena exclusivamente em estabelecimentos penais federais de segurança máxima.
O projeto também restringe direitos: prevê o corte do auxílio-reclusão para familiares de lideranças criminosas e a suspensão do direito de voto para presos envolvidos com essas estruturas.
Divisão de bens e recursos
Um dos pontos de maior divergência entre o relator e o Governo Federal foi a destinação de bens apreendidos em operações policiais. Derrite manteve a divisão igualitária entre o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Estadual para operações conjuntas.
O Governo, por outro lado, orientou contra a medida, defendendo que os recursos fossem destinados ao Funad (Fundo Nacional Antidrogas).
Tensão política
Apesar de o PL ter nascido no Ministério da Justiça em novembro do ano passado, a tramitação foi marcada por desconforto na base governista.
A condução de Derrite, ex-secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), foi vista como uma "desfiguração" da proposta original do Executivo.
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