TENSÃO
Brasil x EUA: PF recua e devolve acesso a oficial americano após retaliação
Medida ocorre após Washington expulsar delegado brasileiro por suposta "perseguição política"

A Polícia Federal (PF) confirmou, nesta terça-feira, 28, que devolveu as credenciais de um oficial de ligação dos Estados Unidos no Brasil. O gesto encerra — ao menos momentaneamente — um episódio de retaliação diplomática iniciado na semana passada, quando o governo brasileiro retirou os acessos do agente em "reciprocidade" a uma medida semelhante tomada por Washington.
A crise entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump escalou após os Estados Unidos solicitarem a saída de um delegado da PF de território americano, acusando-o de tentar "manipular" o sistema de imigração para estender perseguições políticas a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fator Ramagem e a pressão de Washington
O estopim para a troca de hostilidades foi a detenção temporária do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em solo americano. Ex-diretor da Abin e foragido da Justiça brasileira por envolvimento em uma suposta trama golpista, Ramagem foi liberado após dois dias detido, em uma movimentação que seus aliados atribuem à intervenção direta de Trump.
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O presidente americano, que já classificou o processo judicial contra Bolsonaro como uma "caça às bruxas", chegou a impor tarifas punitivas ao Brasil em represália ao julgamento do ex-mandatário brasileiro, intensificando o braço de ferro econômico e diplomático entre as nações.
Relações estremecidas e cenário eleitoral
Embora as credenciais tenham sido devolvidas ao agente americano, o clima entre o Itamaraty e o Departamento de Estado dos EUA permanece de desconfiança. A disputa ocorre em um ano crucial para o Brasil, com Lula buscando a reeleição em outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A relação pessoal difícil entre Lula e Trump, somada ao alinhamento ideológico entre o republicano e a família Bolsonaro, tem transformado questões de cooperação policial em incidentes de soberania e retórica política, com Washington suspendendo apenas parcialmente encargos econômicos após uma breve distensão recente.
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