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Vinícolas de altitude da Chapada revelam o segredo do 'terroir' e da dupla poda

A série Rotas Especiais se encerra no 'terroir' de Morro do Chapéu, desvendando o processo dos vinhos premiados

Brenda Lua Ferreira
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Imagem ilustrativa da imagem Vinícolas de altitude da Chapada revelam o segredo do 'terroir' e da dupla poda
Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

A Chapada Diamantina emerge no cenário nacional como um polo vitivinícola de destaque, concentrando três importantes vinícolas no município de Morro do Chapéu: a Vaz, a Santa Maria e a Reconvexo. Todas exploram a técnica da dupla poda (ou colheita de inverno) e utilizam as condições geográficas únicas da região para produzir vinhos de altitude de alta qualidade. A jornada do portal A TARDE pelos Roteiros Especiais da Chapada se encerra aqui, nesta última matéria, desvendando o segredo deste terroir singular.

O sucesso na produção é resultado de um terroir singular – palavra francesa que combina condições climáticas, de solo e o trabalho humano. A alta altitude, acima de 1.000 metros, permite que as vinícolas realizem duas colheitas por ano: uma em fevereiro (verão) e outra em agosto (inverno).

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Vaz: o rigor da dupla poda e a equipe especializada

Vinícola Vaz possui 54 hectares dedicados à viticultura, com sete tipos de uvas vitis viníferas selecionadas após uma área de testes. Segundo a enóloga Rafaela Lacerda, o projeto é tocado por uma equipe que representa os quatro pilares do mundo do vinho: viticultores, enólogo, sommelier e enófilos (os apreciadores).

A Vinícola Vaz utiliza a técnica da dupla poda para garantir a excelência dos vinhos de altitude
A Vinícola Vaz utiliza a técnica da dupla poda para garantir a excelência dos vinhos de altitude - Foto: Brenda Lua Ferreira/AG. A TARDE

Rafaela explica que a decisão de colher duas vezes ao ano – gerando "vinhos de verão e vinhos de inverno" – é técnica. "A gente senta com os agrônomos e com a enóloga e vê. Como é que está a reserva dessa videira? Ela tem reserva suficiente para colher duas vezes ao ano?". Para manter a saúde das plantas, a produção é limitada a cinco toneladas por ano.

Rafaela Lacerda, enóloga da Vaz, explica o rigor técnico por trás da colheita
Rafaela Lacerda, enóloga da Vaz, explica o rigor técnico por trás da colheita - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

Entre as variedades cultivadas, a Vaz aposta em três uvas tintas (Syrah/Shiraz e Malbec) e quatro brancas (Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sauvignon e Moscatel). A vinícola oferece degustações guiadas, com valores que variam de R$ 80 (dois rótulos) a R$ 150 (quatro rótulos), além de tábuas de frios para consumação.

Santa Maria: tradição religiosa e turismo de experiência

O plantio de uvas em Morro do Chapéu começou na Fazenda Santa Maria em 2009, um movimento estimulado pelo Governo do Estado que importou mudas da região de Champagne, na França. A partir de 2018, a fazenda se estruturou como vinícola e hoje produz 12 mil garrafas de vinho anualmente.

A capela vizinha da Vinícola Santa Maria é palco de casamentos e batizados
A capela vizinha da Vinícola Santa Maria é palco de casamentos e batizados - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

A Santa Maria (que cultiva 9 variedades, incluindo Malbec, Cabernet e Syrah, após eliminar a Chardonnay) une a viticultura a uma forte tradição religiosa, que deu nome ao local por causa de uma capela vizinha.

A proprietária, Laura Garcia, destaca a experiência única. "As pessoas podem ir na capela Santa Maria [ao lado do restaurante da vinícola] e colocam as rolhas numa espécie de urna, fazendo pedidos ou agradecendo". A capela também é palco de casamentos e batizados.

Um toque único: na Santa Maria, visitantes depositam rolhas na urna da capela, deixando pedidos ou agradecimentos
Um toque único: na Santa Maria, visitantes depositam rolhas na urna da capela, deixando pedidos ou agradecimentos - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

A vinícola recebe cerca de 1.500 visitantes por mês, oferecendo visita guiada, degustação de três rótulos (por R$ 130,00, incluindo uma taça) e opções gastronômicas como almoço e piquenique.

Além dos rótulos, a Santa Maria oferece gastronomia completa para o enoturismo
Além dos rótulos, a Santa Maria oferece gastronomia completa para o enoturismo - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

Reconvexo: vinhos premiados e variedade de tours

A Vinícola Reconvexo, que se beneficia dos 1.030 metros de altitude, também adota o sistema de duas colheitas anuais, em fevereiro e agosto. O reconhecimento da qualidade da produção veio com a uva Syrah, que já foi premiada como melhor vinho da Bahia.

A Reconvexo se destaca ainda pelo cultivo da Marselan, uma variedade híbrida desenvolvida em laboratório a partir do cruzamento entre a Cabernet Sauvignon e a Grenache.

A sommelier Jamile Silva detalha os variados tours da Reconvexo, que vão do não alcoólico ao premium
A sommelier Jamile Silva detalha os variados tours da Reconvexo, que vão do não alcoólico ao premium - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

A sommelier Jamile Silva ressalta a diversidade de tours disponíveis para os visitantes: "Temos vários tours para melhorar sua experiência aqui na região", afirma. As opções variam desde o tour não alcoólico (R$ 80,00) até o premium (R$ 190,00), que inclui degustação de seis rótulos e uma taça de cristal de brinde. A vinícola funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, e aceita agendamento prévio ou visita espontânea para a visitação das áreas livres.

A Reconvexo se beneficia dos 1.030 metros de altitude para cultivar uvas como a Syrah
A Reconvexo se beneficia dos 1.030 metros de altitude para cultivar uvas como a Syrah - Foto: Brenda Lua Ferreira | Ag. A TARDE

As três vinícolas transformam Morro do Chapéu em um destino imperdível para o enoturismo, reforçando a capacidade da Bahia de inovar e produzir bebidas de excelência.

Aventura na Chapada e novo horizonte

O sucesso das vinícolas de Morro do Chapéu marca o fim da nossa jornada pelos Roteiros Especiais da Chapada Diamantina. Ao longo da série, atravessamos o território do turismo rural, desvendando o cuidado por trás da produção de cafés especiais, a inovação do cultivo pioneiro de frutas vermelhas e ervas finas, e a sofisticação dos vinhos de altitude baianos. Vimos como a união entre a geografia singular e a dedicação humana transforma o campo da Chapada em um destino de excelência e histórias autênticas.

Encerramos esta expedição com a taça erguida, brindando ao fruto da altitude e do empenho baiano. Que o sabor do vinho de Morro do Chapéu — assim como a doçura do mirtilo e o aroma do café especial — permaneça em sua memória. Um brinde à Chapada Diamantina, a terra onde cada esforço se transforma em excelência e cada paisagem é um convite eterno.

Mas a Chapada Diamantina é um celeiro inesgotável de descobertas. Embora esta jornada se encerre aqui, a equipe do portal A TARDE já prepara um novo mapa. Fique atento: em breve, exploraremos outros mistérios e belezas escondidas que aguardam os aventureiros de bom paladar e curiosidade.

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Tags

chapada diamantina enoturismo Malbec Morro do Chapéu Syrah

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