BAHIA
Preço muito baixo? ANP faz alerta sobre risco de fraude em combustíveis
Chefe da Agência no Nordeste recomenda desconfiar de preços muito abaixo da média

Responsável pela fiscalização do abastecimento em toda a região Nordeste, a chefe do Núcleo Regional de Fiscalização do Abastecimento de Salvador da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Milena Sales, destacou, durante o Encontro de Revendedores promovido pelo Sindicombustíveis Bahia, em Feira de Santana, a importância da integração entre o poder público e os empresários do setor para aprimorar a regulação e fortalecer o combate às irregularidades no mercado de combustíveis.
“Esses encontros são fundamentais porque promovem a troca direta entre a ANP e a revenda. Recebemos as demandas, esclarecemos dúvidas e conseguimos aprimorar a regulação a partir do diálogo”, afirmou Milena, em entrevista durante o evento realizado no Centro de Convenções e Teatro de Feira de Santana, nesta quinta-feira, 30.
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Sales destacou a atuação constante da ANP em conjunto com outros órgãos fiscalização e de segurança pública em operações de combate ao crime organizado, como a Operação Primus, deflagrada recentemente na Bahia, e outras ações nacionais, a exemplo das operações Carbono Oculto e Cadeia de Carbono.
“Essas ações são fundamentais para garantir um mercado mais regulado e uma concorrência mais saudável. Elas não evidenciam falhas na fiscalização — ao contrário, demonstram o quanto nossas ações têm se sofisticado. Para combater crimes complexos, é preciso que o Estado também se aperfeiçoe”, afirmou.
Sinal de fraude
Questionada sobre a relação entre qualidade e competitividade de preços, Milena alertou que o consumidor deve desconfiar de valores muito abaixo da média de mercado. “É possível ter preços justos e qualidade, mas o consumidor precisa ficar atento. Quando um posto oferece um preço muito inferior aos demais, isso pode indicar alguma irregularidade. Embora a ANP não controle preços, orientamos que o consumidor denuncie situações suspeitas para que possamos fiscalizar”, explicou.
De acordo com ela, o percentual de não conformidade, isto é, de amostras de combustíveis que não atendem aos padrões exigidos, permanece estável nos últimos anos. A diferença, segundo ela, está na efetividade das ações de fiscalização, que têm se tornado mais direcionadas e precisas.
“Hoje, nossas operações são planejadas para alcançar os pontos com maior probabilidade de irregularidade. Isso faz com que as ações sejam mais assertivas e os resultados mais visíveis, ainda que o índice geral não tenha mudado significativamente”, detalhou.
Bahia é um estado monitorado
Ao avaliar o cenário regional, Milena Sales afirmou que o consumidor baiano pode ter confiança na qualidade dos combustíveis vendidos no estado. “A Bahia é um estado fiscalizado, monitorado e com atuação cooperada de diversos órgãos, como a Secretaria da Fazenda, o Ministério Público e as polícias. Temos, por exemplo, a Operação Combustível Legal, que é permanente e está em curso inclusive nesta semana. O consumidor pode ter certeza de que o estado é monitorado e que há trabalho contínuo para garantir a qualidade e a regularidade do mercado”, concluiu.
Presença feminina
Única mulher a compor a mesa de abertura do encontro, Milena ressaltou o significado simbólico de ocupar um espaço de liderança em um setor historicamente masculino. “Fui a primeira mulher nomeada como chefe de um núcleo de fiscalização de abastecimento no país, e isso é motivo de grande orgulho. Como costuma dizer nossa diretora Simone Araújo, é uma bandeira, um incentivo à participação feminina nos espaços de decisão. Lidero uma equipe majoritariamente masculina, e acredito que o olhar feminino faz toda a diferença no nosso trabalho”, destacou.
Kenna Martins é correspondente do Grupo A TARDE em Feira de Santana*Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
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