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ENTENDA O IMBRÓGLIO

Estudantes acionam MPF para barrar licitação de R$ 30 milhões da UFBA

Entre as alegações para o pedido de liminar, estão denúncias de manipulação de despacho e suspeita de desvio de finalidade

Alan Rodrigues
Por Alan Rodrigues
Estudantes da Escola Politécnica denunciam omissão de documentos por parte da UFBA em processo envolvendo verbas do PAC.
Estudantes da Escola Politécnica denunciam omissão de documentos por parte da UFBA em processo envolvendo verbas do PAC. - Foto: Reprodução | UFBA

O Ministério Público Federal (MPF) oficiou a Universidade Federal da Bahia (UFBA) a prestar esclarecimentos sobre a decisão da congregação da Escola Politécnica acerca da utilização do prédio anexo a ser concluído com verbas do PAC, além da previsão para decisão final sobre o uso do imóvel.

Além disso, a Procuradoria Federal da República na Bahia quer uma justificativa para a destinação de R$ 6 milhões para reforma da sede da Politécnica, que originalmente seria retirado do montante de R$ 35 milhões destinados exclusivamente para a conclusão do prédio anexo.

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Suspeita de desvio de finalidade

Segundo os diretórios acadêmicos que assinam a representação, novamente direcionada ao 8º Ofício do Núcleo de Combate à Corrupção, houve omissão de informações e o fracionamento da verba com destinação específica configuraria desvio de finalidade.

A nova representação foi encaminhada por estudantes dos diretórios de engenharia elétrica, engenharia química e engenharia de automação e controle. Exatamente os cursos que seriam beneficiados com a criação das três novas unidades propostas pela direção da Politécnica.

Escola Politécnica da UFBA
Escola Politécnica da UFBA - Foto: Felipe Iruatã / Ag A Tarde

No último dia 18, o procurador do MPF na Bahia, Fábio Conrado Loula, assinou portaria onde determina instauração de procedimento administrativo a fim de "acompanhar as obras e aplicação dos recursos do Novo PAC Universidades, destinados à conclusão do prédio anexo da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia".

No mesmo documento, o procurador informa que, após diligências, o 8º Ofício do Núcleo de Combate à Corrupção não constatou indício de ato de improbidade, enviando os autos à Tutela Coletiva. A portaria determinou, ainda, o sobrestamento, ou suspensão, do inquérito pelo prazo de 60 dias, prazo em que serão coletadas mais informações junto à universidade.

Após esse prazo, diz a portaria, a UFBA deverá fornecer “informações atualizadas sobre a licitação e se houve nova deliberação sobre o seu uso interno e, ainda, se houve resposta da Casa Civil e do MEC (Ministério da Educação) sobre o pedido de remanejamento de recursos a fim de proceder, se for o caso, às adequações necessárias no escopo da obra”.

Licitação e prazo para execução

Após a suspensão do inquérito, a UFBA publicou em seu site, no dia 24 de março, que a “Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai) da Universidade Federal da Bahia já elaborou os projetos necessários à conclusão do prédio anexo da Escola Politécnica” e anunciou a publicação do edital de licitação da obra para a primeira quinzena de abril.

Na publicação, a UFBA afirma que “questões suscitadas por alguns grupos ultrapassaram as instâncias deliberativas da universidade e chegaram ao Ministério Público Federal, que as apreciou e concluiu não somente pela inexistência de qualquer irregularidade na gestão dos recursos, mas também pelo acerto das decisões de projeto e dos procedimentos da Administração Central da UFBA”.

O posicionamento da UFBA motivou os estudantes a entrar com o novo pedido de liminar, mais uma vez encaminhado ao 8º Ofício do Núcleo de Combate à Corrupção.

Segundo a nova petição encaminhada ao MPF, “a Administração da UFBA atua com má-fé objetiva, omitindo fatos cruciais, confessando a ausência de orçamento básico e assumindo a intenção de cometer fracionamento ilegal de despesas para construir um "elefante branco".

"Premissa fática falsa"

Os discentes alegam que o parecer da Procuradoria da República é nulo, porque foi “construído sobre uma premissa fática falsa fornecida dolosamente pela Sumai”, segundo a qual, a distribuição interna do prédio dependeria da aprovação administrativa do PREP (Plano de Reestruturação, que divide a Escola Politécnica em novas Unidades).

Ainda de acordo com a denúncia dos estudantes, “misturou-se um processo administrativo-burocrático (PREP) com um Projeto Básico de Engenharia para usurpar a competência da Congregação, que decidiu, em junho de 2025, o "Projeto B" para a distribuição do espaço.

Diante disso, os diretórios acadêmicos argumentam que “condicionar a licitação do espaço interno ao Conselho Universitário (Consuni), responsável por aprovar, ou não, a criação de novas unidades, “é um ato de puro desvio de finalidade”.

Para corroborar essa informação, as entidades estudantis anexaram nesta segunda-feira, 6, documento publicado pela UFBA no último dia 1º para formalização da "contratação de empresa especializada em engenharia para conclusão do Pavilhão de Aulas e Laboratórios da Escola Politécnica".

Com prazo de 60 dias para finalização do contrato e valor designado de R$ 30 milhões, o documento encaminhado pela Superintendência de Manutenção e Infraestrutura (Sumai) apresenta como "justificativa de necessidade" a "conclusão da obra e entrega à comunidade universitária".

A publicação ignora as solicitações do MPF e, segundo os estudantes que assinam a petição, contrariam resolução do Reuni, que veda a destinação de recursos para pavilhões de aulas genéricos sem uma destinação específica.

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A petição questiona a licitação do "escopo certo", autorizada pelo Procurador Fábio Loula, e cita a ata do Consuni, que admite o desmembramento da verba de R$ 35 milhões do PAC, reservando R$ 6 milhões para a recuperação estrutural emergencial do prédio atual.

Com base na omissão da ata da congregação e do fatiamento da verba federal, os estudantes pedem o fim da suspensão e imediata retomada do inquérito, bem como medida cautelar suspensiva, “determinando à Reitoria da UFBA e à SUMAI a abstenção imediata de publicar qualquer edital de licitação referente às obras do Prédio Anexo e do Prédio Atual da Escola Politécnica”.

Os denunciantes também solicitam que seja “expedida recomendação imediata ao Tribunal de Contas da União (TCU) para o bloqueio preventivo dos repasses federais do PAC, a fim de evitar o dano de difícil reparação”.

A reportagem de A TARDE solicitou posicionamento à assessoria da UFBA, mas, até o fechamento dessa reportagem, não houve retorno.

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Educação engenharia Escola Politécnica UFBA

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