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SALVADOR 475 ANOS

Largo das Baianas simboliza resistência na Orla Cultural de Salvador

Local representa uma versão cultural que somente a capital baiana pode proporcionar

Osvaldo Barreto
Por Osvaldo Barreto
| Atualizada em
A baiana Cici está no largo há 45 anos
A baiana Cici está no largo há 45 anos - Foto: Osvaldo Barreto | Ag. A TARDE

Salvador é historicamente reconhecida como uma cidade extremamente cultural, influenciando artisticamente o Brasil e sendo lar de grandes gênios. Na cidade que respira cultura, um roteiro próximo ao mar também é palco de grandes atrações turísticas e de um forte entretenimento. A chamada 'Orla Cultural', que passa por Barra, Ondina, Rio Vermelho, Amaralina e Pituba é conhecida por festas (incluindo o Carnaval), sua boêmia e comemorações diversas.

A riqueza cultural de Salvador se faz presente de maneiras diferentes em todos esses bairros citados. Seja no Carnaval na Barra/Ondina, nas noites de festas no Rio de Vermelho ou na boemia presente na Pituba. Mas uma das grandes representações culturais da capital baiana está naquilo que só a cidade pode proporcionar, no que não será encontrado em mais nenhum lugar de todo o mundo. É o que oferece o Largo das Baianas, em Amaralina.

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“Amaralina era a fazenda Alagoas, que os mais antigos lembram da lagoa que havia lá, que foi tampada por um prefeito desses aí. Foi comprada por José Álvares do Amaral que rebatizou a fazenda com o nome dele, fazenda Amaralina... O bairro era o fim de linha do mundo. Onde hoje tem o quiosque que vende acarajé, era uma porteira de fazenda e dentro estavam os bois de Seu Juventino, na fazenda dele. Não tinha Pituba, não senhor. Isso é do meu tempo, isso que estou falando, eu vivi. Amaralina era uma fazenda particular, você não perdeu nada lá dentro. Se você entrasse, alguém ia perguntar: “O que é que a senhora quer na minha casa?”. (Cid Teixeira).

Ao citar Amaralina, o historiador baiano Cid Teixeira fez questão de chamar atenção para dois pontos marcantes: “o fim de linha do mundo” e o “quiosque que vende acarajé”. E assim a história da Cici do Acarajé se inicia. O que era o “fim do mundo”, para ela, é a “certeza de estar viva”.

Imagem ilustrativa da imagem Largo das Baianas simboliza resistência na Orla Cultural de Salvador
Foto: Osvaldo Barreto | Ag. A TARDE

Vaidosa e dona de um dos tabuleiros na Praça Mestre Bozó Preto, local conhecido popularmente como o “Largo das Baianas”, Cici não revela sua idade, mas admite que iniciou como baiana aos sete anos, para ajudar a avó e a mãe no tabuleiro. Especificamento no largo, ela já trabalha há 45 anos. Fazendo cocada, acarajé, abará e bolinho de estudante, ela presenciou e participou da boêmia de Amaralina.

“Iniciei no Candomblé e vim para o tabuleiro para cumprir um compromisso. Minha avó e minha mãe faziam acarajé e eu só fazia despachar (entregar aos clientes). Depois tive que ir estudar, me formei no magistério e enfermagem. Mas nada disso foi para frente, porque o dendê já estava no sangue”, contou.

Cici revela que estar no largo e conviver no dia a dia com os clientes hoje faz bem para a sua saúde após episódios de depressão e síndrome do pânico. “Para mim, trabalhar é uma necessidade psicológica. Me vejo aqui trabalhando até o dia que Deus quiser. Tive síndrome do pânico e depressão e precisei ficar seis meses longe daqui, passei muito mal. Isso aqui para mim não é meu meio de sobrevivência, mas é minha sobrevivência. Estar aqui com meus clientes é uma necessidade”.

Por falar em clientes, Cici avalia que ao longo desses 45 anos o perfil de clientes no Largo das Baianas mudou. “Aqui tem todo tipo de cliente. Aquele que aparece para curtir o verão, toma sua cervejinha, e tem aquele cliente amigo, que vem aqui há anos contar suas histórias e a gente conta a nossa. Amaralina é um lugar de turistas, mas a gente perdeu muito com a saída das barracas de praia”, avalia.

Imagem ilustrativa da imagem Largo das Baianas simboliza resistência na Orla Cultural de Salvador
Foto: Louti Bahia

Saudade do “velho largo”

Cici lembra que o largo era ocupado por 36 baianas de acarajé, antes da obra que revitalizou o local na orla de Salvador, em 2020. Após a reforma, o espaço passou a acomodar dez baianas de acarajé, além de receber uma enorme escultura em homenagem às quituteiras que são símbolos do Estado e assinada pelo artista baiano Bel Borba.“Esse novo largo não tem nada do antigo. O primeiro era de palha, redondo e tinha o palco da Capoeira. Naquela estrutura a proteção contra a chuva também era melhor para as baianas e para os clientes. Se me pedissem uma opinião, pediria para retornar com a tradição e voltasse a ser redondo”, comenta.

Com diversos pontos de acarajé pela cidade, o Largo das Baianas também é uma excelente opção cultural e gastronômica à beira-mar, na orla de Salvador.

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Amaralina Cultura história Largo das Baianas resistência Salvador Salvador 475 anos

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